De Mônica Aguiar
Dar um tempo das escritas foi uma decisão sábia e
necessária, especialmente por causa da minha dedicação na produção de conteúdos sérios devido à minha
responsabilidade política e social. Este período em que dei uma pausa pode me
proporcionar a oportunidade de reflexão, descanso e renovação das energias
criativas. Ao afastar-me temporariamente das pressões do cotidiano, ganhei novas perspectivas e repensei
abordagens, o que pode resultar em uma produção de conteúdo ainda mais rica e
impactante. Além disso, cuidar da minha saúde mental e emocional sempre foi
essencial para manter a qualidade e integridade do meu trabalho.
O aumento progressivo do número de matérias sobre mulheres negras desde 2020 reflete uma importante evolução na representação e visibilidade das mulheres negras na mídia. Fazendo um recorte, esse movimento é resultado de décadas de luta por igualdade e justiça social, onde vozes e teses anteriormente invisibilizadas começam a ganhar reconhecimento, mesmo sem ter as fontes citadas.
Em 2025, o impacto desse crescimento tornou-se ainda mais
expressivo, com a propagação de artigos, textos e produções audiovisuais que
destacam as experiências, conquistas e desafios enfrentados por mulheres
negras. Este aumento não apenas amplia a diversidade de narrativas na mídia,
mas também promoveu a reflexão e o diálogo em torno de questões raciais e
subjetivamente de gênero.
Isto não significa que tudo que foi produzido tem fundamento
na verdade coletiva, história e na ciência. Por isso, a importância do recorte
é essencial para considerar diversos fatores que podem influenciar a qualidade
e a perspectiva desses conteúdos.
De todas as matérias que li e estudei, de diversos
sites, a maioria não foi baseada em
fatos e pesquisas sólidas, e não evitaram estereótipos e preconceitos que
distorcem a realidade das mulheres negras.
Não incluíram vozes e experiências autênticas das mulheres
negras, permitindo que elas mesmas relatassem suas histórias e desafios.
Outra questão relevante é a diversidade de temas abordados,
que fossem além das questões de violência e miséria, incluindo conquistas,
lideranças e contribuições significativas em diversas áreas, como cultura,
política, ciência e economia.
Manter meu blog
Mulher Negra atualizado é de fato um desafio, especialmente ao enfrentar
as barreiras sistêmicas do jornalismo tradicional. A representatividade e a voz
das mulheres negras são frequentemente sub-representadas na mídia convencional,
o que torna ainda mais vital a existência de espaços alternativos de
comunicação.
A manutenção e atualização constante desse espaço é crucial
não apenas para garantir que as vozes sejam ouvidas, mas para inspirar e
mobilizar mudanças sociais significativas.
A produção de conteúdo de qualidade exige pesquisa, tempo e dedicação, e muitas vezes, esses recursos vêm com custos associados. Além disso, a necessidade de ferramentas adequadas, como hospedagem e edição, pode adicionar mais pressão ao orçamento. Para enfrentar essas dificuldades, foi importante buscar soluções criativas, como o uso de plataformas gratuitas, que pode ajudar a aliviar o fardo financeiro. Outra estratégia foi diversificar as fontes de receita com as matérias publicadas no blog, para garantir que o projeto permaneça sustentável a longo prazo.
É lamentável que, em pleno século XXI, ainda enfrentemos desafios tão arraigados como a discriminação geracional e racial, especialmente quando se trata de mulheres negras. A experiência de vida e a sabedoria acumuladas ao longo dos anos devem ser vistas como ativos inestimáveis, não como barreiras. A luta por equidade é contínua e exige que todas as pessoas participem ativamente. Hoje desafio os estereótipos e crio ambientes inclusivos onde cada voz, independente da idade ou etnia, seja ouvida e respeitada.
É crucial que as pessoas avancem na direção de uma inclusão
verdadeira, onde o talento e a experiência sejam celebrados e não eclipsados
por preconceitos ultrapassados. O que ela pode falar? Sobre o que? Qual é a sua
capacidade de pensamento? Ela pensa como dinossauros.
A perda de memórias orais transformadas em narrativas
escritas é uma questão preocupante. A oralidade sempre desempenhou um papel
fundamental na transmissão de conhecimentos, especialmente em comunidades onde
a tradição escrita não era prevalente. No entanto, com a modernização e a
globalização, muitas dessas histórias, conceitos, teses e pesquisas estão desaparecendo, à medida que os
contadores, escritores, narradores, jornalistas, ativistas envelhecem e as
novas gerações se distanciam das boas práticas e conhecimentos narrados e
escritos.
Então voltei. Estou restabelecendo, mesmo com pouca força, o
que ainda não conseguiram destruir, meus conhecimentos e minha
consciência. A resiliência é uma característica poderosa,
permite que eu continue a crescer e a
aprender, independentemente das dificuldades que enfrento e do tempo que ainda
tenho.



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