terça-feira, 8 de setembro de 2015

Mulheres Sauditas vão Poder Votar em Dezembro

por Rasheed Abou-Alsamh

Resultado de imagem para Mulheres Sauditas vão Poder Votar em Dezembro

Em certas áreas, há mais participação feminina do que masculina, o que pode indicar uma melhor consciência entre elas
Na Arábia Saudita nós sempre medimos nossos avanços com dois passos para frente e um passo para trás. Para o observador de fora, isso pode parecer chocante e um tanto absurdo. Afinal de contas, mulheres sauditas finalmente vão poder votar nas eleições municipais este ano, no dia 12 de dezembro, e também se candidatar a um dos postos nos conselhos municipais espalhados pelo país. Mas não poderão conduzir um carro para chegar ao recinto de votação porque mulheres ainda são proibidas de dirigir no país. E, antes que botem a culpa no Islã, fiquem sabendo que não há proibição alguma na religião. Essa birra contra mulheres atrás do volante é uma coisa cultural muito específica dos sauditas.
A boa notícia é que dois terços dos lugares nos conselhos vão ser eleitos desta vez, em vez de somente metade. O outro terço vai ser nomeado pelo governo saudita. As eleições municipais foram retomadas há dez anos em 2005, depois de estarem suspensas desde 1963. A ocupação americana no Iraque — juntamente com a pressão da administração do presidente George W. Bush no sentido de dar algum sinal de democratização — levou o governo saudita a voltar a realizar eleições. Os candidatos religiosos se elegeram facilmente, já que usaram a fé do eleitorado para ganhar votos. Os liberais quase não registraram presença nos resultados das urnas. Para mim, isso foi uma lição surpreendente: se deixarem o povo votar, muitas vezes os candidatos mais conservadores vão ganhar.
E é esse pavor de ver ultraconservadores no poder que o governo sempre usou como desculpa para não abrir as portas da democracia. “Nós somos muito mais progressistas do que essas pessoas que vão chegar ao poder pelas urnas”: este foi o mantra que sempre ouvíamos dos que estão no poder. E de certo jeito, no reino, eles estavam certos.
Mas o advento do voto para mulheres foi recebido com satisfação pela maioria das sauditas. Isso, apesar de muitas delas pensarem que lhes restam muitos desafios mais importantes, como a questão da tutela que homens ainda têm sobre todas as mulheres — o que quer dizer que, na vida prática, uma mulher adulta ainda precisa da permissão do pai, marido ou irmão para viajar para fora do país, aceitar um emprego ou abrir uma conta bancaria. É a infantilização das mulheres.
“Eu acho que a mensagem está circulando entre as mulheres, mas não que isso vá aumentar os números de eleitores drasticamente,” disse-me a jornalista saudita Abeer Mishkhas numa entrevista. “Ainda é um movimento elitista, voltado mais para profissionais, mulheres de negócios e ativistas. Mas era de se esperar, já que é a primeira vez que mulheres estão participando. Mesmo assim, alguns relatórios dizem que há mais participação de mulheres em certas áreas do que de homens, o que pode indicar uma melhor consciência entre as mulheres.”
Hatoon al-Fassi, uma acadêmica e ativista saudita da capital, Riad, há quatro anos começou a participar de uma iniciativa chamada Baladi (que quer dizer “minha pátria” em árabe) para treinar mulheres sauditas a serem candidatas nas eleições municipais e também gerenciarem campanhas de candidatas. O grupo dava oficinas de treinamento gratuitamente em todo o país, com uma rede de mulheres experientes. No inicio do mês passado, o Ministério de Assuntos Municipais, que é encarregado das eleições, suspendeu as atividades da Baladi, alegando que o grupo poderia usar as oficinas para fins comerciais ou pessoais. Al-Fassi, que é a coordenadora geral da Baladi, chamou a decisão de “irracional”, explicando para o jornal “Arab News” que o grupo tinha treinado 350 mulheres em 2013 e 2014 em 13 oficinas, tudo de graça.
“O ministério suspendeu nosso trabalho após as primeiras oficinas em Riad, e depois tivemos que cancelar as oficinas em Jidá e Dammam, que tinham mais de 150 mulheres inscritas,” disse-me Al-Fassi numa entrevista. “Eles nos disseram que queriam manter a igualdade e a integridade de todos os candidatos. Por isso, considerava o treinamento que dávamos às candidatas uma discriminação contra aquelas que não tiveram treinamento igual. Mas nossos treinamentos estavam abertos a todos, e de graça,” explicou Al-Fassi.“Eu não acho que a decisão do ministério tenha sido por medo de ganho comercial, mas por medo de as mulheres se organizarem politicamente e também para impedir ativistas de assumirem a liderança onde o ministério não pode estar,” disse Mishkhas. “E, embora o ministério tenha designado a ONG Al Nahda para continuar com os programas de treinamento, o trabalho deles é limitado em termos das áreas cobertas e na sua concentração única em eleitoras, deixando de fora o treinamento que a Baladi dava a gerentes de campanha e candidatas,” acrescentou ela.
Os conselhos municipais estão realmente precisando das preocupações femininas para, dessa forma, se fazerem mais relevantes. O conselho municipal de Jidá, onde eu morava, se dedicou principalmente a construir novas vias e pontes na cidade para desobstruir o engarrafamento que os motoristas enfrentavam. Conseguiram fazer isso, mas houve pouco diálogo entre eles e os eleitores. Com a chegada das mulheres, espero que isso mude.
“A presença de mulheres nos conselhos vai mudar o jeito de eles trabalharem. Elas vão se preocupar mais com a falta de água e a limpeza das ruas,” disse Mishkhas.
Fonte: O Globo 

Seminário Debate : A Influência da Mulher no Rádio Brasileiro – Cuiabá/MS, 25/09/2015

A quinta edição do ‘Seminário de Rádio’ acontece neste mês em Cuiabá, e terá como tema a participação e a influência da mulher no rádio brasileiro. Com inscrições gratuitas já abertas, o evento é direcionado a profissionais da comunicação, estudantes de jornalismo, radialismo, publicidade, assessores de imprensa, radiodifusores e aos amantes do rádio.
O evento acontece no dia 25 de setembro (sexta), das 8h às 23h, e terá em sua programação conversas com renomados profissionais de várias partes do país. O encontro será no auditório Liu Arruda do Tribunal de Contas do Estado (TCE/MT), no Centro Político Administrativo, em Cuiabá.
Mercado de trabalho, transformações tecnológicas, cenários e ainda reviver os melhores momentos do rádio brasileiro estão na pauta do Seminário. São mais de 90 anos de história do rádio no Brasil, o que inspirou o ‘Escritório do Rádio’ a criar o evento.
A programação do V Seminário Mato-grossense de Rádio prevê atividades específicas, palestras, mesa redonda, lançamento de livros, exposições e debates envolvendo o veículo rádio e projeção de vídeos.
Maria Inês Amarante é uma das convidadas do evento. Conhecida no rádio como Inês Amarante, é pesquisadora em comunicação e Professora de Rádio e Comunicação Comunitárias da Universidade Federal da Integração Latino-Americana – UNILA (PR), além de doutora em Comunicação e Semiótica pela PUC de São Paulo e mestre em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP).
Em sua tese de doutorado, “Guerrilheiras da Palavra: rádio, oralidade e mulheres em resistência no Timor-Leste”, a professora fala da palavra das mulheres timorenses no rádio e na tribuna política. Atualmente, ela desenvolve na UNILA um projeto de extensão em radiofonia chamado “Todas las vocês”, que envolve estudantes de países da América Latina e Caribe, como Equador, Colômbia, Chile, Paraguai, Haiti e Brasil.
Outro convidado é o professor Fernando Morgado , das Faculdades Integradas Hélio Alonso (FACHA) e professor convidado da Universidad Autónoma Metropolitana do México e da ESPM.
Fernando atua na área de inteligência de mercado do Sistema Globo de Rádio e é comentarista de história do rádio da Rádio MEC. Possui quatro livros como autor, coautor e colaborador. A mais recente obra é a biografia do radialista e radiodifusor Blota Jr.
O Seminário também conta com Verônica Dantas Meneses, jornalista profissional e mestre em Sociologia pela Universidade Federal de Sergipe (UFS), doutora em Comunicação pela Universidade de Brasília (UnB).
Professora do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Tocantins (UFT), leciona as disciplinas Comunicação Comunitária, Técnicas de reportagem, Teorias da Comunicação e Estética e Comunicação, além de desenvolver pesquisas sobre Comunicação no Terceiro Setor, e Folkcomunicação.
O jornalista, radialista, produtor RTV, MBA em Marketing e Propaganda Cyro César também estará presente. Fundador da Rádioficina, escola de qualificação profissional técnica nas áreas de rádio e televisão, vivenciou profissionalmente o surgimento do FM nas primeiras emissoras do país.
Atuou como locutor, produtor e coordenador de inúmeras emissoras paulistas, e publicou pela Editora Summus os livros: “Como Falar no Rádio”, “Rádio – Inspiração, Transpiração e Emoção” e “Rádio – A Mídia da Emoção”.
Por fim, o humorista João Cláudio Moreno, do Piauí, falará sobre o humor no rádio. Há mais de duas décadas ele canta, atua, conta histórias e estórias, travestidas de piada. Além disso, faz imitações de Luiz Gonzaga, Caetano Veloso, e outros.
O Seminário de Rádio tem apoio do Governo do Estado, da Assembléia Legislativa de Mato Grosso, da Prefeitura de Cuiabá, do Tribunal de Contas do Estado e da Empaer, além de outros colaboradores e voluntários.
Serviço
V Seminário Mato-grossense de Rádio
Data: 25 de setembro
Horário: das 8h às 23h

Inscrições gratuitas no SITE
Informações no telefone: (65) 3624 9953 e FAN PAGE

Campeonato Brasileiro Feminino Começou Nesta Segunda (7)

A terceira edição do Campeonato Brasileiro Feminino 2015 começou nesta segunda-feira (7). Vinte clubes disputam a competição, que estreia na TV Brasil na quarta-feira (9 de setembro), com transmissão do jogo entre Santos e Pinheirense, às 15h.  Na primeira fase do feminino, serão quatro grupos com cinco clubes, cada. Para a segunda etapa, avançam os dois melhores de cada grupo que formam dois grupos de quatro times. Depois disso, vem a fase decisiva: semifinais e final, com partidas de ida e volta. Segundo o calendário da Confederação Brasileira de Futebol, o campeão deverá ser conhecido no dia 15 de novembro. Este ano, a competição conta com um atrativo a mais. As jogadoras da Seleção Brasileira Feminina participarão da disputa a partir da segunda fase. Existirá um Sistema de Seleções, colocando atletas como Formiga, Cristiane e Maurine à disposição dos clubes para aumentar ainda mais o nível técnico da disputa. A CBF ainda irá divulgar como vai distribuir as craques entre os oitos clubes que avançarem na competição. São apontados como favoritos, a paulista Ferroviária (as atuais campeãs brasileiras), as catarinenses do Kindermann (campeão da Copa do Brasil 2015), o São José-SP (campeão da Libertadores) e dois clubes tradicionais no futebol masculino: Santos e Flamengo.
Grupos:
1- Ferroviária (SP), Iranduba (AM), Pinheirense (PA), Rio Preto (SP) e Santos (SP)
2- Centro Olímpico (SP), Duque de Caxias (RJ), Flamengo (RJ), Kindermann (SC) e Portuguesa (SP)
3- América (MG), Foz Cataratas (PR), Mixto (MT), São Francisco (BA) e São José (SP)
4- Botafogo (PB), Caucaia (CE), Tiradentes (PI), Viana (MA) e Vitória (PE)
Fonte: EBC

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Mulheres Recebem Cerca de 70% do Rendimento Médio dos Homens

Negras e pardas
 ganham apenas 
35% da
 remuneração do 
público masculino

As mulheres recebem cerca de 70% do rendimento médio dos homens, de acordo com a pesquisa Estatísticas de Gênero do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), divulgada no ano passado.
 A diferença cresce ainda mais conforme o perfil étnico: negras e pardas ganham apenas 35% da remuneração do público masculino. Por trás das estatísticas está o preconceito sofrido por quem ainda enfrenta um mercado de trabalho que remunera não por aptidões, mas por gênero. 
As mulheres não são as únicas vítimas da segregação profissional. O crescimento  de países que perpetuam essa condição também fica comprometido, revela o relatório Tendências Mundiais de Emprego das Mulheres, realizado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) em 2012. 
Segundo o estudo, eliminar as desigualdades de gênero em matéria de desemprego, emprego, participação na força de trabalho e vulnerabilidade profissional significa também melhorar os indicadores econômicos. 
 O relatório sugere a adoção de medidas em matéria de proteção social destinadas a reduzir a vulnerabilidade das mulheres, os investimentos em capacitação e educação e a instaurar políticas que favoreçam o acesso ao emprego.
O Brasil ainda tem muito o que avançar nesse quesito. O País está entre os primeiros no ranking das maiores disparidades salariais da América Latina, revela o estudo Novo século, velhas desigualdades: diferenças salariais de gênero e etnia na América Latina, escrito pelos economistas Hugo Ñopo, Juan Pablo Atal e Natalia Winder, do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), realizado com 18 países. Levando-se em conta o critério de comparação utilizado pela pesquisa, de características demográficas e de emprego semelhantes, os brasileiros ganham aproximadamente 30% a mais do que as mulheres de mesma idade e nível de instrução no País, o que representa quase o dobro da média da região, que é de 17,2%.

Soluções para mudança de estereótipos começam dentro de casa
A implementação de um maior número de creches públicas permitiria às mulheres se dedicarem à vida profissional de forma mais efetiva. É o que aponta o estudo do Banco Internamericano de Desenvolvimento (BID). 
Bia Kern, presidente e fundadora da ONG Mulheres em Construção, reforça que a maternidade acaba sendo um empecilho e diz que muitas empresas optam por homens por entenderem que a responsabilidade com os filhos é somente feminina. “Além disso, acabam pagando menos, pressupondo que a mulher vai desistir lá na frente para engravidar”, lamenta. Essa realidade ainda leva muitas mulheres a abrirem mão da vida privada, e até mesmo da maternidade, em prol da carreira.
Apesar da entrada massiva das mulheres no mercado de trabalho a partir dos anos 1960, em pleno século XXI, elas ainda são encaradas como as responsáveis pelas atribuições domésticas, o que as deixa em desvantagem e, muitas vezes, preteridas no momento da contratação. “É preciso romper essa construção histórica, fixada no imaginário, de que a figura capaz de liderar e de tomar decisões é masculina e branca, para poder eliminar as diferenças salariais”, defende Cida Bento, diretora executiva do Centro de Estudos em Relações Trabalhistas (Ceert) e doutora em Psicologia pela USP.
A educação foi uma das formas encontradas pelo público feminino para superar as desvantagens. De acordo com um estudo realizado pelo IBGE em 2009, a média de anos de estudo da população ocupada brasileira é de 8,7 anos para as mulheres contra 7,7 anos para os homens. Elas também são maioria na conclusão do Ensino Superior: 9,2% conquistam o diploma universitário, contra 7,8% dos homens. “No entanto, por motivos que vão além das perspectivas educacionais, esse preparo não se reflete no mercado”, alerta Lúcia dos Santos Garcia, pesquisadora do Dieese.
Uma alternativa para ampliar o número de mulheres líderes e que vem ganhando força é a política de cotas. A reserva exclusiva de vagas pode acelerar o processo e diminuir a lacuna entre os gêneros e é adotada em países como a Noruega.
No ano passado, o Grupo Mulheres do Brasil, liderado por Luiza Helena Trajano, presidente do Magazine Luiza, levou ao Congresso um projeto de lei que pretende instituir a política por aqui. A procuradora do MPT de Porto Alegre Marcia Medeiros de Farias também é favorável ao sistema: “Elas (as cotas) possibilitarão que se trabalhe com a redução da discriminação – algo que foi construído historicamente e que deve ser desconstruído”, argumenta.
Discriminação está entre as principais 
causas da disparidade
O salário não é o único fator segregacional entre os gêneros no mercado. De acordo com a procuradora do Ministério Público do Trabalho do Rio Grande do Sul Márcia Medeiros de Farias, a discriminação pode ter início antes de uma mulher conseguir um emprego, com a publicação de anúncios que exigem que o candidato seja homem. Mesmo após conquistar uma vaga, elas são as que mais sofrem com a ameaça da demissão. “Ainda existe uma ideia muito forte de que o homem sustenta a casa, enquanto a mulher precisa menos do trabalho”, acredita a procuradora.
A Pesquisa de Emprego e Desemprego elaborada pelo Dieese comprova essa distorção. Em 2010, a taxa de desemprego entre os homens era de 11,5% em São Paulo e 8,7% em Porto Alegre, percentuais que chegavam a 14,7% para as paulistanas e 10,6% para as porto-alegrenses. O tempo médio de procura por trabalho também é maior para elas. Nas mesmas capitais, o tempo gasto no mesmo período em busca de uma nova atividade era de sete e seis meses para os homens, contra oito e sete para as mulheres.
A procuradora adverte ainda que é fundamental que haja uma distinção entre os diferentes tipos de discriminação: “Mulheres negras, pobres, com alguma deficiência, homossexuais, bissexuais e transexuais certamente sofrem mais com toda essa situação do que uma mulher branca e não pobre”, afirma. 
Para Lúcia dos Santos Garcia, pesquisadora do Dieese, a realidade das mulheres negras é a mais difícil de todas, herança simbólica dos tempos de escravidão que segue limitando o acesso de negros à educação e ao mercado de trabalho. “Se para as mulheres existe uma designação de lugar, para as mulheres negras também existe, e geralmente é no emprego doméstico ou nos serviços gerais.”
Segundo dados do MPT-RS, quatro entre 10 negras não têm emprego no País, e apenas 0,3% dos cargos de gerência são ocupados por elas. 
“As mulheres estão em grande número nas faculdades, no mercado de trabalho, mas, quando se trata de ocupar posições mais elevadas, isso se inverte. Quantas reitoras e CEOs a gente conhece? São tão poucas que se pode contar nos dedos de uma mão”, argumenta Ana Tércia Rodrigues, contadora, professora do curso de Ciências Contábeis da Ufrgs e vice-presidente do Conselho Regional de Contabilidade do Rio Grande do Sul (CRCRS).
“As pessoas costumam dizer: mas você é negra e conseguiu se projetar. Eu respondo: sou a exceção, não a regra”, sentencia. Segundo Ana Tércia, ainda é comum ouvir manifestações de contrariedade ao tema, alegando que está muito batido, e que as mulheres e os negros não precisam mais de nenhum tipo de estímulo ou incentivo. No entanto, ela é taxativa ao alegar que nada está solucionado e que o mercado é tão competitivo quanto preconceituoso.
A escolha profissional, muitas vezes, também é consequência da segregação por gênero. Lúcia lembra que as mulheres são maioria nos cursos de educação, saúde e bem-estar social, o que revela a repetição – consciente ou não – das aptidões que lhes foram designadas, de cuidar e educar. “Mesmo dentro dessas áreas, elas estão nos segmentos de menor status, atuando nas séries iniciais do Ensino Fundamental, enquanto os homens são maioria entre os professores universitários”, afirma a pesquisadora. O mesmo ocorre na área da saúde: nos hospitais, elas estão em maior número na enfermagem, enquanto eles predominam entre os cirurgiões.
A escolha por essas profissões também acaba refletindo nos salários. A pesquisa Estatísticas de Gênero do IBGE aponta que as áreas de formação nas quais as mulheres de 25 anos de idade ou mais estão em maior proporção educação (83,0%) e humanidades e artes (74,2%) ? são justamente as que registram os menores rendimentos médios mensais entre as pessoas ocupadas (R$ 1.810,50 e R$ 2.223,90, respectivamente).

Mais suscetíveis a sofrer assédio moral e sexual, trabalhadoras devem denunciar os abusos sofridos 
Os assédios moral e sexual também são mais recorrentes entre as mulheres. Enquanto o primeiro é um processo originado de atitudes continuadas que visam a desestabilizar a vítima, o segundo pode ser caracterizado só por uma ação e, quando vindo de um superior, é considerado crime. “Ainda prevalece a cultura de que ‘cantada’ pode, mas, a partir do momento em que a mulher diz não e a pessoa insiste, está caracterizado o assédio”, orienta a procuradora do MPT-RS Márcia Medeiros de Farias.
A maternidade é outro fator que gera situações constrangedoras e abusivas. Muitas mulheres em idade de engravidar são corriqueiramente eliminadas de disputas por uma vaga. No Brasil, como as mães são encaradas como as responsáveis pelos filhos, a legislação prevê licença-maternidade de, no mínino, 120 dias, podendo ser ampliada para até 180 dias. Já a licença-paternidade é de apenas cinco dias.
A Resolução nº 156, da Organização Internacional do Trabalho (OIT), determina igualdade de oportunidades e tratamento para trabalhadores e trabalhadoras com responsabilidades familiares. “Não é que não existam homens dispostos a cuidar da família, mas, se a maioria assumir esse compromisso, os empregadores não terão por que segregar”, aponta Lúcia Garcia, pesquisadora do Dieese.
No que diz respeito ao assédio e ao cumprimento da Lei da Licença-maternidade, Márcia destaca que o mais importante é que as mulheres conheçam seus direitos e, quando vítimas, procurem o MTP para denunciar, mesmo que já tenham se desligado da vaga.
Outra alternativa de denúncia são os sindicatos. A CUT-RS, por exemplo, tem a Secretaria das Mulheres, representada por Isis Garcia Marques, dirigente bancária. No entanto, a resistência em aceitar uma pauta específica das mulheres começa, muitas vezes, dentro das próprias organizações trabalhistas. “A maior parte da militância é composta por mulheres, mas ainda lutamos pela paridade dentro dos espaços de gestão. Então, o que se busca é o empoderamento feminino, para que elas consigam fazer seus direitos valerem”, defende.

Organizações buscam formas de compensar as discrepâncias
A igualdade de gênero vem ganhando espaço em debates propostos por organizações de todo o mundo. No Brasil, a Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM) da Presidência da República criou, há 10 dez anos, o programa Pró-Equidade de Gênero e Raça, que identifica e premia instituições que desenvolvam políticas igualitárias. Até o momento, mais de 80 empresas já aderiram – no geral bancos e instituições públicas -, o que, segundo a SPM, atinge aproximadamente um milhão de trabalhadoras e trabalhadores.
Além disso, 63 empresas com sede no Brasil são signatárias dos WEPs – Women’s Empowerment Principles (Princípios de Empoderamento das Mulheres), iniciativa conjunta da ONU Mulheres e do Pacto Global da ONU que tem por objetivo impulsionar e fortalecer lideranças femininas na cadeia produtiva das empresas. No mundo, mais de 900 corporações já aderiram aos princípios que, entre outras coisas, estimulam o apoio a empreendedoras, a promoção de políticas de empoderamento e da igualdade de gênero dentro das empresas e também junto à sociedade, bem como a documentação e a divulgação dos progressos da instituição.
O Walmart é um das assinantes dos WEPs, além de já ter recebido o selo pró-equidade de gênero, da SPM. No quadro total de funcionários da empresa, elas são maioria (54,97%), porém ainda estão em minoria (40,42%) nos cargos de liderança. Andreia Fernandes Nunes, diretora de Capital Humano da companhia, destaca o trabalho para ampliar este número. “Temos programas especiais de desenvolvimento para mulheres que almejam a liderança. Uma vez por ano, por exemplo, identificamos quem são as pessoas com alto potencial e desenvolvemos um plano individual de crescimento com cada uma.”
Como enfrentar o problema
  • Melhorar a infraestrutura com o objetivo de reduzir a carga do trabalho em casa. Segundo o nível de desenvolvimento, isto pode variar desde a disponibilidade de eletricidade e água, ao saneamento e aos meios de transporte.
  • Fornecer serviços de cuidado, sobretudo às crianças.
  • Equilibrar a divisão de trabalho remunerado ou não remunerado entre mulheres e homens, principalmente através de programas que promovam a repartição das responsabilidades familiares.
  • Modificar os custos e os benefícios da especialização de gênero, sobretudo garantindo que os impostos e as transferências não criem desincentivos para as famílias com duas fontes de renda.
  • Compensar as desigualdades das oportunidades de emprego entre homens e mulheres, sobretudo através de medidas dirigidas a eliminar o impacto negativo da interrupção da atividade profissional através de uma licença maternidade remunerada e do direito a regressar ao posto de trabalho.
  • Realizar campanhas de sensibilização para mudar os estereótipos de gênero e para garantir a implementação da legislação contra a discriminação.
Fonte O comércio
Foto : Mônica Aguiar 

Encontro em SP Debate Formas de Ampliar Negócios de Mulheres Empresárias

Mulheres de todas as partes do mundo discutirão por três dias, em São Paulo, formas de ampliar os negócios entre empresárias e seus acessos às multinacionais. Os debates vão ocorrer entre os dias 1º e 3 de setembro, durante o Women Vendors Exhibition and Forum, evento organizado pelo Internacional Trade Center (ITC) e a Apex Brasil para promover a inserção de mulheres na cadeia internacional de comércio. Ao final do encontro, será elaborado um documento com propostas que serão apresentadas na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) ainda este mês.
A diretora executiva do ITC, Arancha González, a iniciativa visa alcançar a meta de 1 milhão de mulheres empresárias conectadas ao mercados em 2020. “Não por ser uma questão ideológica, política, mas porque é uma questão que tem um grande interesse econômico. Uma economia que funciona apenas com os homens não é saudável. Saudável é aquele que trabalha com seus dois motores. A mulher tem 90% de seus recursos para a família e a sociedade e o homem 40%”.
Arancha explicou que para apoiar o projeto foi lançado um concurso para a elaboração de um aplicativo que conectará empresas que queiram comprar produtos dessas mulheres   empreendedoras. Dois dos competidores são brasileiros. “A plataforma vem para mostrar onde estão as mulheres que querem vender, já que muitas vezes escutamos: queremos comprar de mulheres, mas não sabemos onde estão. Vamos colocar em um site todas as empresas de mulheres que tem um produto a oferecer”.
O presidente da Apex, David Barioni Neto, informou que a Apex tem um projeto, por meio do qual faz a capacitação, não só para a parte administrativa de todo o processo de exportação, como por meio de parcerias com entidades educacionais, para que as mulheres possam entender melhor o mercado internacional e suas exigências. “Para alcançar esse milhão, vamos começar com 6 mil. Procuramos focar no entendimento do quanto é sério e difícil exportar e, de como, uma vez estando lá, como se manter”.

MAIS LIDAS