segunda-feira, 24 de abril de 2017

Obras Escritas por Mulher Negra é incluída na Listas de Leituras Obrigatórias para Vestibular

A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) divulgou a lista de livros de literatura que fazem parte da leitura obrigatória para o vestibular de 2019, que será realizado no ano que vem. A relação conta com três novidades, sendo, duas delas, obras de autoria feminina: o livro de poesia “A teus pés” de Ana Cristina Cesar, e o
 diário de Carolina Maria de Jesus “Quarto de Despejo”.



Como de praxe, a Unicamp pede para que os vestibulandos leiam 12 obras que serão questionadas na prova, e, até este ano, apenas uma autora mulher fazia parte deste quadro, sendo Clarice Lispector, com o conto “Amor”, do livro Laços de Família.
No caso de Maria Carolina de Jesus , que é mulher, negra, periférica e autora, Renata fala da necessidade desse perfil ser estudado em um dos vestibulares mais importantes do país. “Ela escreve sobre sua vida, sobre o lugar em que vive. O livro versa sobre essa realidade que é a realidade de muitos dos estudantes brasileiros e não podemos ignorar isso”, lembra a coordenadora de Linguagens e educadora de Literatura no Curso Mafalda Renata Cristina Pereira.

Quanto à menção de Ana Cristina Cesar na relação da universidade, Renata elogia a iniciativa. “Ter a poesia presente, poesia contemporânea, que durante muito tempo foi marginalizada, ocupando espaço entre os jovens e estudantes só aumenta o repertório deles.”
Inclusão dos nomes femininos é reflexo da sociedade atual

Outro ponto que não pode ser deixado de lado é que os assuntos trazidos por essas autoras, seja por meio de suas obras ou análise de suas vidas, estão ganhando cada vez mais espaço em discussões sociais, que antes eram abafados ou negligenciados.
Durante muito tempo,  mulheres e suas descobertas e criações foram apagadas da história e as consequências desse longo período ainda são refletidas no corpo social. O mercado editorial ainda vende muito mais livros escritos por homens .
Anteriormente, alguns nomes consagrados como o de Cecília Meireles, Clarice Lispector ou Rachel de Queiroz já haviam sido, ou são, parte do catálogo de obras estudadas no período escolar, mas mesmo com tantas outras autoras que poderiam facilmente receber o mesmo prestígio, a presença feminina se manteve limitada até então.
Com a repetição das mesmas escritoras, e sem inclusão de novas personalidades, o estudante acaba perdendo repertório, e oportunidade de conhecer diferentes maneiras de escrita, conforme explica a coordenadora de Linguagens do Curso Mafalda. “Estudar Cecília Meireles não quer dizer que não é valido. Mas a poesia dela é totalmente diferente da Ana Cristina Cesar, que ocupa um lugar da marginalidade, pouco explorado até o momento.”
Segundo a educadora, o contato com assuntos diversos na literatura é bastante poderoso, e pode, inclusive, influenciar a maneira como as pessoas agem perante a sociedade. “Eu acredito que a literatura tem papel fundamental no que diz respeito à espirito de alteridade, ou seja, na sua capacidade de se colocar no lugar do outro. Sinto que a literatura exerce esse papel na vida do sujeito que realiza leituras.”

Fontes:IG/Ag.Patrícia Galvão 


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