sexta-feira, 10 de março de 2017

PRESIDENTE DO BRASIL DESQUALIFICA AS MULHERES EM CERIMÔNIA

Por Mônica Aguiar 

Não foi uma gafe como muitos estão afirmando. Um discurso politico vindo de um presidente da república, nada mais é que o reflexo da atual sociedade governante, que tem apenas duas mulheres como Ministras . Na sua reforma ministerial, promoveu a extinção dos Ministérios das Mulheres e da Igualdade Racial, ambos foram absorvidos pelo Ministério da Justiça e da Cidadania .

Discurso de dez minutos, realizado em uma atividade institucional do governo, que deveria ser para apontar propostas de combate às desigualdades existentes, mas fez absoluta questão de reforçar e diminuir o papel da mulher na sociedade “Bela, recatada e do Lar”.  

Discurso  conservador, machista e moralista. Vergonhoso! Algo que não acontecia desde o governo Geisel (1974-1979), precedido de  reformas enviadas ao Congresso Nacional,  que afetam diretamente a vida das mulheres, diminuindo ainda mais situação sócio econômica existente de cada uma. 

O então Presidente, não conhece os dados gerais da situação socioeconômica do povo que governa quando afirma que ”Homens e mulheres são igualmente empregados.” 
Afirmação que  destoa completamente das politicas e ações realizadas por Governos anteriores, bem como do diálogo e manifestações históricas que tratam da  igualdade entre homens e mulheres no mercado de trabalho com a sociedade. 

..."Essa disparidade entre os gêneros também pode ser observada na análise da renda da  população. Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a renda média nacional do brasileiro é de R$ 2.043, mas os homens continuam recebendo mais. Enquanto eles ganham, em média, R$ 2.251, elas recebem R$ 1.762 (diferença de R$ 489)...."

O então Presidente não conhece a densidade demográfica do Brasil  onde : 

As mulheres são a maioria da população brasileira,  98,419 milhões de homens (48,4% do total) e 104,772 milhões de mulheres (51,6%). Dados  Pnad 2014, que  entrevistou 362.627 pessoas, que vivem em 151.291 residências de todas as unidades da federação.

No Sudeste, há quase 4 milhões de mulheres a mais que homens. São 44,3 milhões de mulheres contra 41 milhões de homens somando os quatro Estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais.
No Nordeste, são 27,1 milhões de homens e 29,1 milhões de mulheres — elas também são maioria com uma folga de 2 milhões. No Sul, existe um equilíbrio: 14,1 milhões de homens e 14,9 milhões de mulheres.
No Norte, a balança também está equilibrada: 8,6 milhões de mulheres e 8,6 milhões de homens. Por fim, no Centro-Oeste, há 7,7 milhões de mulheres e 7,5 milhões de homens — uma leve diferença de 200 mil mulheres a mais.
O presidente também declarou que "o número de mulheres que comandam empresas" mesmo com os dados existentes de sub-representação em cargos executivos de grandes empresas brasileiras e ocupam apenas 11% das 594 vagas do Congresso.


CRÍTICAS 

o Presidente do Brasil recebeu várias críticas no Brasil, e nos principais meios de comunicação internacional.

O então presidente da republica realizou um discurso tosco, preconceituoso, recheado de incorreções e totalmente afastado da realidade brasileira, Michel Temer foi vetor de manutenção e de propagação do machismo. (Leonardo Sakamoto)

O escritor Marcelo Rubens Paiva, por sua vez, chamou Temer de "imbecil". "Que imbecil esse Michel Temer. Quem faz supermercado é mulher? Na minha casa eu que faço. Há muitos anos". Ele disse ainda que "está provado que Temer é um vampiro que nasceu há 200 anos e pensa como se estivesse no século 18"."

O jornalista Josias de Souza escreveu em seu blog que Temer "parece não enxergar a evolução ao redor". "Seu discurso talvez fosse bem recebido pelas Amélias da década de 1940, mulheres que não tinham 'a menor vaidade', cantadas por Mário Lago e Ataulfo Alves. Ao transportar essa mulher com aroma de passado para 2017, Temer produziu uma hedionda anti-homenagem. Perdeu uma excelente oportunidade de perder uma oportunidade."

O colunista da Folha de S.Paulo Bernardo Mello Franco escreveu que "desta vez não há como jogar a culpa no marqueteiro".

  • No Reino Unido, os jornais "Telegraph" e "Independent" escreveram sobre o discurso e suas reações. A reportagem do "Telegraph" lembra que Temer já é impopular no movimento feminista por seu papel no impeachment da primeira presidente mulher do Brasil, por ter abolido o Ministério das Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos e por ter assumido o poder com um gabinete inteiramente masculino.
  • O "Independent" publicou um texto baseado em reportagem da agência Associated Press, que diz que "grupos de mulheres estão reagindo com raiva" ao discurso me que o presidente parabenizou as mulheres por "tomarem conta da casa, educarem as crianças e checarem preços no supermercado".
  • O diário deu exemplos de críticas postadas nas redes sociais e citou que nas marchas em celebração do Dia das Mulheres também havia pessoas protestando contra o presidente empossado em agosto, no lugar de Dilma Rousseff.

Fontes: Terra / G1

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