segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Mulheres Negras Passam por Depreciação no Mercado de Trabalho

Para que a inserção da mulher negras no mercado, não basta esperar mudanças espontâneas: especialistas defendem políticas públicas 

O debate do empoderamento feminino traz à tona dificuldades vivenciadas por mulheres pretas e pardas, no mercado de trabalho no mês da consciência negra e nos 16 dias de ativismo.
Relatório do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostra que não há muito a comemorar e afirma que as afrodescendentes “enfrentam uma dupla discriminação no mercado de trabalho, de raça e de gênero”. Entre essas mulheres, na capital federal, a taxa de desemprego é a mais elevada, e o valor pago por hora trabalhada é o mais baixo. A exclusão se repete nos demais locais avaliados pela Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED): Fortaleza, Porto Alegre, São Paulo e Salvador.
Os números foram divulgados na última semana de novembro, e reafirma uma condição que a mulher negra é imposta em ampla maioria.
As mulheres negras ainda são maioria em exercício no trabalho domestico, e tem dois anos apenas que as empregadas domésticas conquistaram direitos trabalhistas.
No DF, 14% das negras e 9,7% das não negras são domésticas. Mesmo entre as profissionais pretas e pardas que tiveram acesso a boa educação e ocupam posições de melhor remuneração, o racismo afeta o dia a dia.
Professora de comunicação e serviço social da Universidade Católica de Brasília (UCB), a doutora em comunicação e pesquisadora de raça e gênero Isabel Clavelin observa que as negras se encontram na base da pirâmide social. “Nas relações de trabalho, isso afeta objetivamente o ingresso, o acesso a promoções, a permanência, o salário. Elas se deparam ainda com outras dificuldades, como assédio sexual e moral.” Essa estrutura é perpetuada, na opinião da pesquisadora, por uma conivência das empresas com o racismo. “As companhias sabem da situação, mas pouco fazem”, diz. Exemplo disso é que as negras são apenas 0,4% das executivas do país, segundo dados do Instituto Ethos sobre as 500 maiores empresas do país.
Dione Moura, professora da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília (FAC/UnB), analisa que profissionais pretas e pardas enfrentam diversos obstáculos — o primeiro deles, socioeconômico, que leva a piores condições de educação. “Existe ainda uma visão de que elas são menos capazes para o trabalho”, diz a doutora em ciências da informação.

Estética
O racismo o perpassa, inclusive, aspectos estéticos. Em muitos casos, as próprias pretas e pardas têm em mente um ideal de beleza europeu e, em outros, há cobranças para que elas se sujeitem a ele. “Quando a primeira desembargadora negra do Rio de Janeiro — Ivone Caetano — foi tomar posse, um desembargador perguntou se ela participaria da cerimônia com aquele cabelo”, exemplifica frei David Santos diretor executivo da organização não governamental Educafro Educafro.

“O preconceito não é causado pelo cabelo, pelo turbante ou pela roupa, mas pelo que as pessoas acham que isso significa. O brasileiro tem dificuldade de lembrar o período de escravidão, então optou por negar os elementos africanos. Há uma fuga em reconhecer a identidade negra, e as dívidas decorrentes dela. É uma tentativa de apagar essa ancestralidade que foi injustiçada. O mesmo acontece com os indígenas”, analisa Dione Moura.

Soluções
As pesquisadoras Dione Moura e Isabel Clavelin concordam que serão necessárias medidas que responsabilizem as empresas nas relações de desigualdades cometidas. Iniciativas de adesão voluntária em ações afirmativas como o Programa Pró-Equidade de Gênero e Raça, são necessárias para combater tais desigualdades. Como as empresas  não enxergam a falta de inserção de trabalhadoras negras como um problema, cabe ao governo trabalhar essa questão de cima para baixo, afirma Isabel.
Na visão da professora Dione Moura entanto, é preciso ter mais políticas públicas efetivas para o mercado de trabalho. Ela cita os Estados Unidos como a nação com ações mais fortes com relação a isso. “Esse país desenhou o perfil das empresas para perceber se elas são inclusivas ou não. Mesmo lá, a solução não foi definitiva (já que essas medidas não acabam com o racismo, mas garantem acesso a melhores condições socioeconômicas): há poucos dias, a primeira-dama Michelle Obama foi alvo de racismo, e isso teve consequências.”

Fonte Correio Brasiliense
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Monica Aguiar 
 Eu acredito que mesmo com uma avaliação muito positiva da conjuntura atual, que a mulher está cada vez mais, conquistando seu espaço no ambiente profissional e participando, pela primeira fez e de forma definitiva, das mudanças ocorridas.
As habilidades e características femininas são pouco valorizadas pela sociedade, a mulher e principalmente a mulher negra é vista ainda como uma mera coadjuvante em determinados segmentos sociais e profissionais, mesmo com exemplos significativos de acesso a posições estratégicas em relação ao trabalho.
processo de reestruturação produtiva, a mão-de-obra feminina tem sido aceita e solicitada. O Crescimento da participação feminina no mercado de trabalho é intenso e diversificado e apesar dos números atuais, não retrocedeu.
As mulheres têm uma significativa participação nas esferas econômicas e entre os empreendedores já representa praticamente a metade neste setor, isto graças ao crescimento na formação acadêmica.
As mulheres estão muito presente no mercado de trabalho formal que inclui indústria, construção, comércio, serviços e agropecuária. Mas sua participação, no entanto, varia com a área, pois a grande parcela permanece condicionada no setor de serviços  e destas, a ampla maioria são as mulheres negras .
Na hora de decidir sobre uma promoção aos empregados ou escolher aquele que irá ocupar um cargo de liderança, as empresas ainda dão preferência aos homens, mesmo que a mulher tenha o mesmo grau de formação.
Quanto aos lares a maioria deles são chefiados por mulheres, quando analisados grupos pretas e pardas, estas estão acima da média nacional e têm maior participação na renda de suas famílias.
Embora sejam as mulheres expressivamente parte da força de trabalho, o contingente feminino tem sido sujeito de limitações, que mascara, e fomentar dificuldades que impedem o acesso de cargos estratégicos, representações de poderes, ascensão na carreira, especialmente no que se refere à dinâmica de conciliação das demandas familiar e profissional.
A desqualificação da imagem da mulher nas peças publicitárias e programas de TVs, enquanto práticas de interação não podem ser mais consideradas ingênuas, natural, desprovida de intencionalidade, servem de fortalecimento das desigualdades, privilegiam manifestações ideológicas racistas e classistas.
O Brasil ratificou a maioria dos instrumentos de proteção no trabalho, mas o contraditório esta presente demostrado através dos dados de desigualdades sociais e econômicas da estagnação das leis que deixa visível que ainda há muito por fazer.
A resolução 156 da OIT determina igualdade de oportunidade e tratamento para homens e mulheres com responsabilidade familiares. Mas a realidade e que parcela significativa dos homens na sociedade espera que as mulheres e perincipalmente as mulheres negras  continuem ocupando apenas funções auxiliares, e desde que estas não sejam deliberativas e ou determinantes.



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