domingo, 2 de outubro de 2016

Vencedora do Miss Brasil 2016 é Negra. Esta edição fica marcada por ter o maior número de candidatas negras da história do concurso

              Por Mônica Aguiar

A representante do Estado do Paraná venceu a edição 2016 da Miss Brasil Be Emotion: Raissa Santana,  foi coroada miss na noite deste sábado na cerimônia realizada no Citibank Hall, em São Paulo.


A paranaense de 21 anos é a segunda mulher negra a vencer o concurso: a primeira foi a gaúcha Deise Nunes, em 1986.
Esta edição ficou marcada justamente como a que teve o maior número de candidatas negras na história do concurso, apesar deste número ser muito menor que o total das 27 participantes, apenas  seis mulheres negras disputaram o título de mais bela do país. 



As misses negras Victória Esteves (Miss Bahia), Beatriz Leite (Miss Espírito Santo), Deise D’Anne (Miss Maranhão), Raissa Santana (Miss Paraná), Mariana Deny (Miss Rondônia) e Sabrina Paiva (Miss São Paulo). 

Para comparar, na disputa do ano passado, apenas uma das candidatas era negra (a Miss Distrito Federal Amanda Balbino). Mais: desde a primeira edição do Miss Brasil, em 1954, o concurso teve apenas uma vencedora negra, a gaúcha Deise Nunes, eleita em 1986.

A entrega da faixa foi feita pela Miss Brasil 2015, Marthina Brandt, que na sexta-feira revelou que lutou contra o câncer em segredo. 

Vencedora de dois desafios durante o concurso (o da Ellus e o da maquiagem), a paranaense Raissa teve a oportunidade de dizer aos jurados ao vivo por que merecia ganhar a coroa. 
Ela declarou que desejava “quebrar o jejum de 30 anos” desde que a última miss negra venceu o concurso de beleza.
Deise Nunes

A quarta representante a ser coroada Miss Brasil em 1986 foi do Rio Grande do Sul Deise Nunes Ferst ( a primeira e única negra a vencer o concurso até então). 
Em entrevista ao site de Donna no início da semana, a gaúcha se disse contente com o envolvimento das candidatas negras na competição e que esperava que o público reconhecesse a beleza das participantes.  

– Com certeza, a recepção está mais aberta – afirmou. – Isso abre portas para elas e, se alguma for eleita, é importante que ela de fato abrace a causa da negritude e lute sempre por respeito, oportunidade e espaço.

Diversas  revistas de moda e beleza considera esta edição diferente das anteriores,  devido diversidade, já que tem o maior número de candidatas negras da história do concurso.
Fato é, que  apesar da população negra ser predominante no Brasil, representando 53,6%,  a mulher negra ainda sofre muito com a desigualdade racial. 

A ausência da mulher negra nas peças de publicidades brasileira é uma realidade constante em todos meios de comunicação .   Ainda ficam reservados as mulheres negras estereótipos e pejorativos de um ser servil e sem raízes. As  limitações no exercício da cidadania e os parâmetros  já pré estabelecidos no imaginário da sociedade reforçados pela mídia, cria barreiras traduzidas em todos os indicadores socioeconômico do Brasil. Estas seis mulheres abrem portas e apontam para uma conquista importante para mulheres negras que vem paulatinamente se posicionando perante toda a sociedade .

“Desde que a BE Emotion, do grupo Polishop, assumiu o concurso, queríamos que ele retratasse a beleza brasileira. Com sua diversidade, de pele, cabelos e estilos”, diz Karina Ades, diretora do concurso. Ela reforça ainda que a preocupação com a pluralidade feminina reflete o país. “Além disso, o Miss Brasil está mais voltado para eleger uma candidata que represente a mulher nacional por sua beleza, mas também com personalidade para representar causas e ideias. O concurso está mais moderno e dinâmico, com provas e desafios que deixam a competição mais emocionante”, revela.


Fontes: revistadonna/diáriodepernambuco

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