terça-feira, 23 de agosto de 2016

Mulheres Negras Dominam Prêmio de Ficção Científica e Fantasia

Capa de 'Binti', de Nnedi Okorafor (Tor.com, 2015) |
 Tor.com/David Palumbo
Depois de se destacarem no Nebula em março deste ano, as mulheres dominaram a lista de vencedores do Hugo, outra premiação icônica dos gêneros de ficção científica e fantasia, na literatura, cinema, TV e outras mídias.
No último sábado (20), a Worldcon, convenção responsável pelo prêmio, entregou as principais estatuetas para duas autoras negras e uma asiática:
  • Melhor romance: The Fifth Season, de N.K. Jemisin;
  • Melhor novela: Binti, de Nnedi Okorafor;
  • Melhor noveleta: Folding Beijing, de Hao Jingfang (tradução para inglês: Ken Liu).
Em melhor apresentação dramática – forma curta, Jessica Jones, seriado da Netflix em colaboração com a Marvel, levou o troféu pelo episódio Sorria! (AKA Smile, no título original). A revista Uncanny, editada majoritariamente por mulheres, venceu na categoria de semiprozine.
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O filme Perdido em Marte, dirigido por Ridley Scott e escrito por Drew Goddard, ganhou como melhor apresentação dramática – forma longa. Neil Gaiman e J.H. Williams III, roteirista e desenhista, respectivamente, venceram pelo quadrinho Sandman: Prelúdio, como melhor história gráfica.

Campanha conservadora
Desde 2013, o prêmio Hugo vive uma controvérsia relacionada à cada vez mais diversificada lista de vencedores e indicados.
Dois grupos na internet de escritores e fãs conservadores – homens brancos, em sua maior parte –, chamados Sad Puppies e Rabid Puppies, fazem lobby para obras específicas, que vão ao encontro do ponto de vista político deles.
Muitos desses membros têm reclamado da presença cada vez maior de mulheres e negros na premiação, acusando-a de se tornar cada vez mais “esquerdista”.
Neste ano, os "puppies" conseguiram dominar as listas de indicações, mas as decisões do júri acabaram seguindo o caminho oposto. Na cerimônia, vários escritores protestaram contra os grupos em seus discursos.
Gaiman lamentou a iniciativa de bloquear obras progressistas. “Eu teria retirado a indicação [de Sandman], mas até isso me pareceu ser uma forma de dar algum reconhecimento a esses maus perdedores”.
N.K. Jemisin, uma das vencedoras deste ano, disse em discurso lido no palco que os grupos podem ser "facilmente" vencidos se o restante dos fãs de ficção científica e fantasia se opuserem a eles.
A escritora disse:
“Se opuserem para dizer que sim, eles querem mais inovação literária e representação realista. Se opuserem para dizer que sim, eles querem apenas ler boas histórias – mas o que faz uma boa história é a destreza, a audácia e a habilidade de considerar o futuro claramente, em vez de vê-lo pelas lentes nebulosas da nostalgia e do privilégio.”

Fonte/ texto e foto: Brasil Post 

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