sábado, 6 de agosto de 2016

Esgrimista dos EUA fala sobre ser mulher e negra em um esporte branco e masculino


Nzingha Prescod, 23 anos, foi apresentada ao escrima por uma fundação sem fins lucrativos e notou que era minoria na modalidade. Agora, a americana se prepara para competir nas Olimpíadas do Rio de Janeiro.

Quando comecei a ter aulas de esgrima, aos 9 anos, não tinha ideia de que este era um esporte predominantemente branco”, diz Nzingha Prescod, atleta americana de 23 anos que representará os Estados Unidos na Olimpíadas do Rio de Janeiro.
Nazingha é negra, filha de uma imigrante caribenha e cresceu no bairro de Flatlands, no Brooklyn, Nova York. Ainda criança, foi apresentada ao esgrima por meio de uma fundação que financiou suas aulas em um dos clubes mais elitizados do mundo, o Fencers Club, em Manhattan. Desde então, a jovem competiu em mais de 30 países e se prepara para sua segunda participação nos Jogos Olímpicos.
Em depoimento publicado pela Marie Claire norte-americana, a atleta contou que a prática de esgrima a proporcionou muitos aprendizados e oportunidades, mas também abriu os seus olhos para o mundo desigual em que vive.
“O esporte me ajudou a desenvolver um forte senso de disciplina, caráter e ambição. Me abriu muitas portas”, disse Nazingha, que logo descobriu que era uma minoria nessa modalidade. “Foi somente depois de entrar no Fencers Club que eu comecei a notar que havia poucos esgrimistas que se pareciam comigo ou com aqueles que viviam em Flatlands. Mas eu comecei a ganhar competições e me acostumei a estar entre os poucos esgrimistas dos torneios”.
Para a atleta, foi graças à persistência e apoio da mãe que ela cresceu no esporte. O seu bairro, Flatlands, fica a 23 paradas de ônibus do Fencers Club de Manhattan – uma jornada que, embora longa, não a impediu de participar das aulas de esgrima, que aconteciam depois da escola.
“Minha mãe é uma mulher forte e estudada. Ela sempre enfatizou a importância de eu e minha irmã encontrarmos formas produtivas de ocupar o nosso tempo e a aproveitar oportunidades”, diz Nezingha. “Infelizmente, nem todos os nossos colegas do Brooklyn tiveram a sorte e o privilégio de ter uma mãe que os incentivasse a praticar atividades enriquecedoras”.
Ao dividir o seu tempo entre aulas e Manhattan e a vida no Brooklyn, a atleta viveu a desigualdade de dois bairros da mesma cidade. “Embora tenha crescido me sentindo segura e apoiada, tinha ameaças de tiros, e conheço muitas pessoas que se envolveram em crimes ou que foram mortas”.
A atleta acredita que recursos, oportunidades e encorajamento são fundamentais para tornar “tudo possível” para futuros atletas. “Não podemos continuar vivendo em um país no qual crianças negras dependam de programas sem fins lucrativos incríveis (mas muito raros) para se tornarem bem sucedidas. Ter a oportunidade de se tornar ótimo em algo não deveria ser exceção, e sim regra”.
Fontes: Maria Claire / CEERT

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