segunda-feira, 16 de maio de 2016

Mulheres e Negros Perdem Ministérios que Terão Denominações Diferentes

por Mônica Aguiar 

O retrocesso garantido pelo atual governo tem como principal  destaque nos meios de comunicação do mundo,  " ...Somente homens e brancos formam o gabinete de um presidente no Brasil".... 

O ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, afirmou no dia (13) que o ministério do presidente interino Michel Temer não tem mulheres em sua composição porque os partidos não as indicaram. O novo governo tem sido criticado pela falta de diversidade, com a ausência de mulheres e negros no primeiro escalão.

    “Tivemos essa composição feita a partir das sugestões dos partidos. Tentamos de várias formas, na parte que dizia respeito à disponibilidade do presidente Michel Temer, em várias funções, buscar mulheres, mas, por razões que não vêm ao caso aqui discutirmos, não foi possível”, disse Padilha, após a primeira reunião ministerial do novo governo no Palácio do Planalto.

    Segundo Padilha, as secretarias que perderam status de ministério, mas que serão incorporadas às pastas, terão mulheres nomeadas. “Vamos, sim, trazer mulheres a participar do governo em postos que ontem eram ministério, mas que hoje terão as mesmas atribuições com a denominação diferente”.

    A decisão de se rodear por auxiliares apenas homens  provocou fortes críticas ao peemedebista. Isso também representa uma quebra de paradigma quando comparado com o governo de Dilma.

    O jornal britânico The Guardian descreveu o ministério de Temer como "muita testosterona e pouco pigmento". Segundo o diário, a composição do novo governo mostra que "velha elite do Brasil está novamente no comando".

    Resultado de imagem para grupo de  mulheres esplanada dos ministerios com a policia na saida de dilmaUm grupo de mulheres já temendo o esvaziamento das pastas e perdas de conquistas importantes por parte de Michel Temer, entrou em confronto com a polícia no  (11) à noite, na Esplanada dos Ministérios, durante a sessão do Senado que debateu o impeachment da presidenta Dilma Rousseff.  As mulheres que participavam da Conferência Nacional de Politicas para Mulheres chegaram à Esplanada marchando e ficaram frente a frente com  a PM, no lado esquerdo da barreira que separa manifestantes contrários e favoráveis ao afastamento de Dilma do cargo. Por trás delas, manifestantes dispararam rojões e atiraram objetos em direção aos policiais, que reagiram com gás de efeito moral, dispersando o grupo.

    A imagem de Dilma Rousseff durante seu discurso ao deixar o cargo, cercada de colaboradores, boa parte deles mulheres, destoa do governo que tomou posse .

    A questão da presença de mulheres na política brasileira, a visibilidade,  o sexismo, a violência contra a mulher, a falta de oportunidades, desigualdades salariais,  não é novidade no país durante décadas. No entanto, tais temas ganharam espaços com ações politicas  positivas  e transversais  nos governos Lula e Dilma Rousseff. 

    Mas o que tudo indica,  que este Governo, impetrado pelos conservadores do Legislativo, do Senado e Alguns do Judiciário, querem garantir de qualquer forma o retrocesso para mulheres,  abertamente justificativas e de maneira infundada pelo próprio Temer, da ausência da mulher no seu governo. Neste processo   reafirmam  velhos conceitos com mecanismo de sustentação para uma estrutura patriarcal,  retrocedem com o que existia consolidado para desenvolver politicas públicas para as mulheres brasileiras. 



    Lembrando 

    A primeira mulher assumir o comando de uma pasta do primeiro escalão, a ministra da 
    Educação Esther de Figueiredo Ferraz, do governo de João Figueiredo (1979-
    1985), todos os presidentes sempre tiveram colaboração feminina em algum momento. 
    Sarney contou com apenas uma ministra; Collor e Itamar, duas, cada um; já Fernando 
    Henrique Cardoso, ao longo de seus dois mandatos, teve quatro ministras; Lula, também 
    em oito anos, reuniu dez mulheres na equipe. Já Dilma Rousseff, quando assumiu seu
     primeiro mandato, empossou outras dez mulheres. Sem contar ministras interinas, 14
     mulheres ocuparam os gabinetes da administração de Dilma.





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