domingo, 24 de janeiro de 2016

Microcefalia Faz Mulheres Adiarem o Sonho da Maternidade no Nordeste

Quem fez tratamento para engravidar está preferindo congelar o embrião. Ministério da Saúde diz que já houve 3893 notificações da doença no país.


Resultado de imagem para gravidez  microcefalia infantilA preocupação com os casos de microcefalia, relacionados ao zika vírus, no Nordeste, tem feito muitas mulheres adiarem o sonho da maternidade. Mesmo quem fez tratamento para engravidar, está preferindo congelar o embrião para ter o bebê mais tarde. 

Um estudo divulgado nos Estados Unidos afirma que a microcefalia associada ao zika vírus é grave em 71% dos casos. 
Estava tudo programado e 2016 era para ser o ano do nascimento do bebê da enfermeira Daniele Pinto, que agora vai esperar um pouquinho mais. A futura mamãe ficou assustada porque a irmã teve zika vírus na gravidez e o bebê nasceu com microcefalia.  

Segundo o último relatório do Ministério da Saúde, já houve 3893 notificações da doença no país, 3402 só no Nordeste. Em uma clínica de inseminação artificial no Maranhão, com filiais em várias capitais nordestinas, a procura caiu mais de 30%. 
A preocupação com a doença é tão grande que muitos casais que vêm tentando ter filhos há anos, mas têm alguma dificuldade e que, por isso, costumam ser mais ansiosos, estão preferindo esperar. 

Uma tendência nas clínicas de reprodução assistida tem sido congelar o embrião para ter o filho depois, quando o perigo passar. Em um banco de embriões em São Luís, a demanda cresceu 60% de outubro para cá. "Ele fica congelado por tempo indeterminado e, se ele quiser descongelar daqui um mês, três anos, 20 anos, pode descongelar sem problemas”, explica a embriologista Edla Fechine. 

O Ministério da Saúde orienta que as mulheres não deixem de engravidar por medo da microcefalia. A recomendação é redobrar os cuidados com as grávidas.  

A pedagoga Alice Ribeiro está grávida de três meses, passa repelente toda hora e já fez o orçamento de uma tela para evitar mosquitos no apartamento: “Fico repondo de duas em duas horas o repelente e quando vou sair de casa procuro sempre sair com roupa mais longa. A preocupação com o zika vírus existe, mas não deu pra aguentar a pressão que a caçula da família vinha fazendo. A gente, então, decidiu atender”.

O que é Microcefalia? 

Microcefalia é uma condição neurológica rara em que a cabeça e o cérebro da criança é significativamente menor do que a de outras da mesma idade e sexo. A microcefalia normalmente é diagnosticada no início da vida e é resultado do cérebro não crescer o suficiente durante a gestação ou após o nascimento. Crianças com microcefalia têm problemas de desenvolvimento. Não há uma cura definitiva para a microcefalia, mas tratamentos realizados desde os primeiros anos melhoram o desenvolvimento e qualidade de vida. A microcefalia pode ser causada por uma série de problemas genéticos ou ambientais. 

Causas - Microcefalia é o resultado do crescimento abaixo do normal do cérebro da criança ainda no útero ou na infância. A microcefalia pode ser genética. Algumas outras causas da microcefalia são:

  • Malformações do sistema nervoso central
  • Diminuição do oxigênio para o cérebro fetal: algumas complicações na gravidez ou parto podem diminuir a oxigenação para o cérebro do bebê
  • Exposição a drogas, álcool e certos produtos químicos na gravidez
  • Desnutrição grave na gestação
  • Fenilcetonúria materna
  • Rubéola congênita na gravidez
  • Toxoplasmose congênita na gravidez
  • Infecção congênita por citomegalovírus.
Doenças genéticas que causam a microcefalia podem ser:
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A microcefalia normalmente é detectada nos primeiros exames após o nascimento em um check-up regular. Contudo, caso você suspeite que a cabeça de seu bebê é menor do que a de outros da mesma idade ou não está crescendo como deveria, fale com seu médico. O Ministério da Saúde confirmou recentemente a relação entre o Zika vírus e o surto de casos de microcefalia no nordeste do país em 2015. A febre zika, ou simplesmente zika vírus, é uma infecção causada pelo vírus ZIKV, transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, mesmo transmissor da dengue e da febre chikungunya. Por se tratar de algo novo, não descrito anteriormente na literatura médica, ainda não se sabe exatamente como funciona a relação entre os problemas. De acordo com o Ministério da Saúde, as investigações sobre microcefalia e o Zika vírus devem continuar para esclarecer questões como a transmissão desse agente, a sua atuação no organismo humano, a infecção do feto e período de maior vulnerabilidade para a gestante. Em análise inicial, o risco está associado aos primeiros três meses de gravidez.
Fontes: G1, Minha Vida  / Fotos: Internet, Mônica Aguiar 

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