terça-feira, 29 de dezembro de 2015

RETROSPECTIVA 2015 - MULHERES NEGRAS NO MUNDO

Por Mônica Aguiar 


Um dos momentos mais esperados no final do ano são as festas e com elas as expectativas do ano seguinte, com as notícias retrospectivas.  Sempre lemos uma história de amor ou lembranças de uma vida inteira, sobre economia, política e assim se vai.

Eu desconheço um blog ou um jornal que faça uma retrospectiva da Mulher Negra no mundo. A meu ver são insuficientes os destaques dado as mulheres negras e quando acontecem em grande escala sempre em datas específicas, que ao passar fica muito difícil a busca e pesquisa de matérias no Brasil e no  mundo. As matérias nem sempre trazem o protagonismo, na política, na economia, na cultura, literatura, no desenvolvimento cientifico e econômico,   para além das bandeiras pontuais  de luta das mulheres  nos movimento sociais ou  da  violência física tão sofrida. 

Tenho buscado também mudar a  redação das chamadas das  reportagens, que comprometem a visibilidade e destacam  estereótipos com responsabilizações veladas principalmente nas mulheres negras.

Tive o cuidado nesta retrospectiva que apresento , selecionar cinquenta e duas chamadas de janeiro a dezembro de 2015, notícias mais acessadas  no meu Blog Mulher Negra, como também outros campos da mídia, relevantes para história que com tempo poderão ser apagados das  lembranças.

No mais, desejo todas um feliz ano novo, muitas alegrias e que ano que vem seja das conquistas. 

RETROSPECTIVAS 2015 



segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Cinema Negro no Brasil é Protagonizado por Mulheres

Rio de Janeiro - Historiadora e coordenadora do Fórum Itinerante de Cinema Negro (Ficine) Janaína Oliveira
Historiadora e coordenadora do Fórum Itinerante de Cinema Negro (Ficine) Janaína Oliveira
Com quatro sessões lotadas no prestigiado Cinema Odeon – incluindo a primeira lotação para 600 pessoas após reforma da casa, no centro do Rio de Janeiro –, o filme Kbela, de Yasmin Thainá, é um dos mais importantes representantes de uma leva de produções feitas por realizadoras negras que ganharam o mundo em 2015. São narrativas que contam com mulheres negras na direção, na produção e como protagonistas, em um terreno onde elas costumam ser estereotipadas.
Levantamento da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), feito em 2014, já apontava para a subrrepresentação da mulher negra no cinema nacional. Para a professora do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ) e doutora em história, Janaína Oliveira, Kbela rompeu essa lógica em 2015.
Coordenadora do Fórum Itinerante de Cinema Negro (Ficine), um espaço de formação e reflexão sobre a produção de realizadores negros, Janaína afirma que Kbela não está sozinho.
Segundo a pesquisadora, que em 2015 circulou por festivais em países como Burkina Fasso, Cabo Verde e Cuba discutindo e divulgando essas produções, os filmes das realizadoras negras brasileiras alcançaram qualidade internacional e já são uma referência, embora pouco conhecidos no próprio país. 
A professora, que há alguns anos trabalha em parceria com o Festival Panafricano de Cinema e Televisão de Ouagadougou (Fespaco), o maior de todo o continente, recebeu a Agência Brasil, para conversar sobre a repercussão dessas produções brasileiras. Para ela, o cinema negro é um campo político, de luta por representação e desconstrução de estereótipos.  
Leia os principais trechos da entrevista:

Agência Brasil: O que é o cinema negro?
Janaína Oliveira: O que eu venho dizendo, e as pessoas ficam chateadas, é que não dá para definir cinema negro. É um campo político, de luta por representação, de desconstrução de estereótipos, de tornar as representações mais complexas, de ampliação de representações nos espaços mais diversos. Há quem defina, eu não defini. Definir é limitar. O cinema negro tem toda uma história, que começa nos Estados Unidos, passa pela diáspora negra, caminha por vários lugares. Por exemplo, hoje, além do samba, carnaval e futebol, temos o estereótipo da violência na favela presente. [O filme] Cidade de Deus [ambientado em uma favela e com protagonistas negros] claramente não é cinema negro. A questão é: dá para fazer imagens contra-hegemônicas, que desconstroem o estereótipo dentro de um grande estúdio de cinema ou de uma grande rede de televisão? É difícil.

Agência Brasil: Qual foi sua primeira experiência com esse formato?
Janaína: Sempre gostei de cinema e muito de cinema africano. O primeiro filme africano que vi foi no festival de Cinema do Rio [de Janeiro], o Vida sobre a Terra, de Abderrahmane Sissako [diretor, escritor e cineasta da Mauritânia, autor de Timbuktu, longa-metragem que concorreu ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 2014 e a prêmio no Festival de Cannes no mesmo ano].

Agência Brasil: Quem está produzindo cinema negro hoje no Brasil?
Janaína: Antes é importante esclarecer que estamos falando de curta-metragens, falar de longa-metragem é outra coisa, são pouquíssimos os negros que fizeram filmes de longa-metragem de ficção na nova geração, aliás, fica a provocação. Nesse universo, onde as pessoas efetivamente produzem – seja com ajuda de editais, seja nas universidades –, o que temos, de filmes de expressão, que atingiram patamar de técnica e de qualidade são os filmes feitos por mulheres negras. E são várias.

Agência Brasil; Quais?
Janaína: São as produções de Renata Martins, que fez Aquém das Nuvens e agora está fazendo uma websérie fenomenal, a Empoderadas, que só fala de mulheres negras, tem a Juliana Vicente, que fez o Cores e botas e o Minas do Rap e está produzindo um filme sobre os Racionais MCs. Tem a Viviane Ferreira, que fez o Dia de Jerusa, que foi para [o Festival de] Cannes. Tem uma menina que está nos Estados Unidos, Eliciana Nascimento, autora de O tempo dos Orixás, tem Everlaine Morais, de Sergipe, que fez dois curtas muito bons e vai estudar cinema em Cuba. E do Tela Preta [coletivo de realizadores negros ligado à Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB)], a Larissa Fulana de Tal, que fez o Lápis de Cor e acabou de lançar oCinzas. No Rio, o nome da vez é Yasmin Thayná, que está bombando com o Kbela. Um filmaço, no sentido da técnica e das referências. Quer mais?

Agência Brasil: Então há mais filmes com estética e cultura negra nos últimos anos?
Janaína: Nos últimos dez anos nos acostumamos a ver mais negros nas telas fazendo alguma coisa. Mas é pontualmente, fazendo algumas coisas. Ainda estamos presos a um universo de estereótipo. Que não é só o do bandido, o do cafetão, mas o da falta de complexidade das personagens. Os relacionamentos amorosos, os dilemas da vida, onde estão essas coisas? Não estão nas telas.

Agência Brasil: Qual a novidade nas produções brasileiras que você tem levado aos festivais?
Janaína: Uma coisa bacana é que nessa conexão com o continente africano, estamos redespertando debates. Em Moçambique, por exemplo, temos o retorno de que os vídeos sobre transição capilar (do cabelo alisado para o cabelo crespo, natural) tem ajudado mulheres e meninas de lá. Esses produtos, principalmente filmes disponíveis no Youtube, são feitos por meninas negras brasileiras. É quase uma rede de solidariedade. O audiovisual tem a capacidade de fazer isso.

Agência Brasil: E como aumentar a demanda por esse conteúdo no Brasil?
Janaína: A formação de público é uma questão central. Os filmes precisam ser vistos. Mas mostrar os filmes [em salas de cinema ou televisão] não é suficiente, se fosse, o problema estava resolvido. As pessoas não veem porque elas não gostam e mudar o gosto leva muito tempo. Enquanto você tem uma novela premiada como a Lado a Lado, da Rede Globo [que recebeu o Emmy Internacional em 2013], passando às 18h, em 50 anos da principal emissora de TV do país, você tem uma série como o Sexo e as Negas, em horário nobre com forte divulgação comercial e circulação.

Agência Brasil: Mas é preciso começar a estimular, não?
Janaína: Ainda vivemos em um contexto de imagens que precisamos desconstruir. O cinema é uma indústria, uma indústria de dinheiro que constrói imagens que querem ser vistas. Temos um padrão de cinema de Hollywood, daquilo que você espera ver. E esse padrão repete as estruturas de um universo eurocêntrico onde muito claramente está dividido o lugar das pessoas negras e brancas. Então, o que você vê, em geral, são negros e negras em situação de subserviência, nunca em destaque, sempre com atributos negativos. Isso está no universo da colonização da cultura, do gosto, da estética. É a mesma razão para a gente falar: a coisa está preta quando a situação é negativa, por que denegrir é uma coisa ruim? Por que usar “a coisa fica preta” é ruim? A gente não inventou isso, a gente reproduz isso e isso está nas telas. O cinema que existe é um cinema eurocêntrico que determina padrões estéticos, narrativos, rítmicos e musicais. Se não é isso, pessoas não gostam. Os filmes brasileiros de sucesso, comoTropa de Elite, seguem esse padrão. 

Agência Brasil: E o que é preciso fazer?

Janaína: Formar redes de distribuição desses filmes. Se possível, junto com debates. É ir além da exibição. As novas imagens têm que chegar nas salas de aula, criar aderência. Além de mais editais, mais parcerias e a presença do Estado, que facilita a produção e a circulação.

Fonte e foto : Agencia Brasil

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Ano Novo Vida Nova : " Olhai os Lírios dos Campos"

Por Mônica Aguiar 

Gostaria de parabenizar todas as mulheres que ainda conseguem assegurar o direito de escrever, publicar e divulgar belos textos sobre os problemas que ainda abatem nós  mulheres no mundo e no Brasil .

Contos, artigos/colunas e matérias historiadas por mãos de mulheres,  têm ganhado dimensões extraordinárias que ate ontem era um papel estabelecido principalmente para os homens,  que nem sempre obtiveram formação acadêmica superior,   escritores, jornalistas e tantos outras denominações. Pois é fato aculturado que a voz do homem é a voz de Deus. A voz do homem passa ser a verdade, o que sabe distinguir o certo e errado.

Neste sentido dos fatos não abordados, sugiro que olhem os lírios dos campos para além dos jovens lírios, estrategicamente produzidos por homens, para realizar belos discursos em locais propícios aos homens ou pré-determinados.  
Olhai os lírios que não tiveram oportunidade de ter formação acadêmica,  que não são classificadas como intelectuais e que fazem parte de um vasto conjunto de ações  invisibilizadas ,  que produzem reflexão e mudanças significativas no cotidiano  da vida das mulheres, que criam e disseminam citações formadoras,  tão significativas e verdadeiras quanto.

Lírios invisíveis ao poder estabelecido e aos olhos de poucos que ainda determinam  quem são as flores fundamentais para estar ou não em um jardim.  

Conviver na prática com tantas diversidades para poucos é distinguir quem deve ou não produzir linguagem, mesmo tendo bebido água pura no pé da fonte de quem mantém através da  oralidade a ancestralidade.  E em meio deste grande, belo e vasto mosaico existente, enfraquecem o foco do olhar para os lírios dos campos que ultrapassam as fronteiras umbilicais.

Hoje com meus 50 anos de vida, sustento  o peso e as implicações acometidos deste sistema patriarcal e racista que estou imposta. Que condiciona aparências, cor  e juventude como fatores determinantes para  realização pessoal. Estou  blogueira por opção, não pela minha formação politica. E tudo que tenho adquirido de conhecimento sobre esta peça fundamental da comunicação esta aqui nos mais vastos e longínquos campos.

Eu consigo ao pé das montanhas das Minas Gerais percorrer os mais belos e fortes campos, conhecendo flores lindas e anônimas,  inviabilizadas por este sistema bruto e pelas disputas existente cada dia mais despolitizadas e contra argumentadas em todo território brasileiro  e no mundo.

Olhar os lírios dos campos não é apenas uma questão localizada na passagem bíblica. É modo de vida humano. Solidariedade e respeito. Rompimento com valores e com as características do sistema econômico que oprimem, considerando os limites e os desafios.


# Monica Aguiar : Blogueira , colunista , sindicalista, militante feminista negra. Esta Coordenadora do Centro de Referência da Cultura Negra de Venda Nova e  Executiva do Fórum Estadual de Mulheres Negras, Coordenadora Geral do Centro de Referência de Cultura da Mulher Negra de Minas Gerais .Iniciou sua militância aos 15 anos , tendo desenvolvido diversas atividades no pais em prol a luta das mulheres negras, em Minas foi da executiva de vários conselhos estatuais e coordenou a Marcha Zumbi + 10, Coordenou as três Conferências Estaduais de Promoção da Igualdade Racial ocorridas. Na vida política e partidária é filiada do Partido dos Trabalhadores, foi a primeira Secretária Estadual de Combate ao Racismo em Minas a ter acento na Executiva Estadual, e foi a primeira mulher negra executiva Secretária Nacional de Assuntos Institucionais do PT . 



segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Fotógrafa de Araxá cria projeto para incentivar a aceitação do cabelo afro

Alisa não, mãe! Carolina Castro Araxá (Foto: Carolina Castrp/Arquivo Pessoal )Carolina Castro luta contra o preconceito com o projeto “Alisa não, mãe!”. Ensaios fotográficos são realizados com crianças e adolescentes.


Escova progressiva, alisamentos, chapinhas e secadores de cabelos se tornaram palavras comuns na vida de quem possui madeixas encaracoladas. Contudo, ainda há quem admire o visual natural e valorize a tendência afro. A fotógrafa de Araxá, no Alto Paranaíba, Carolina Castro, de 28 anos, é uma das pessoas que incentiva a aceitação do cabelo natural. Com a criação do projeto fotográfico “Alisa não, mãe!”, a jovem já conquistou o “sim” de muitas meninas que antes não gostavam dos cachos.
O “Alisa não, mãe!” nasceu há pouco mais de um mês e já contou com poses de mais de 16 meninas entre nove meses a 16 anos. A fotógrafa constatou que apenas quatro de cada dez meninas de cabelos crespos e cacheados acham o cabelo bonito. Para a autora do projeto, as crianças passam a gostar dos cabelos a partir do momento em que outras pessoas ao redor também os valorizam.
“Como eu trabalho com fotografia de família, acredito que seja essa a base para a aceitação. É muito mais fácil quando a família aceita o cabelo crespo e não fica falando para a criança ‘prender a juba’. A maioria das mães que levaram suas filhas nos ensaios tinham os cabelos alisados e depois de verem as fotos das filhas já disseram que vão voltar a assumir os cachos”, compartilhou a fotógrafa.
A ideia
De acordo com Carolina, o projeto surgiu quando uma amiga comentou não gostar do cabelo afro da filha. A amiga contou à fotógrafa que havia sofrido preconceito na infância e que não queria que a filha passasse pelos mesmos transtornos. A partir daí, Carolina compreendeu o drama da amiga e percebeu que podia fazer algo para ajudar crianças, adolescentes e adultas a aceitarem as tendências cacheadas.

Alisa não, mãe! Carolina Castro Araxá (Foto: Carolina Castro/Arquivo Pessoal )
Meninas de Araxá já participaram de dois ensaios
fotográficos (Foto: Carolina Castro/Arquivo Pessoal )
“Eu pesquisei grupos nas redes sociais que mostravam os tratamentos para cabelos crespos e cacheados. Lá, eu me apaixonei pelas histórias do antes e depois e vi como é lento o processo de aceitação pessoal. A partir daí, eu quis registrar crianças e adolescentes com esse cabelo e queria ajudá-las de algum jeito, mostrando que elas não precisam seguir o padrão de beleza determinado pela sociedade, não precisam ter o cabelo liso para serem lindas”, explicou Carolina.
Luta contra o preconceito
Na página “Alisa não, mãe!”, a fotógrafa já conseguiu mais de 4 mil curtidas e quase dois mil compartilhamento nos álbuns com os ensaios fotográficos. Além das fotos, ela reúne depoimentos e mostra como muitas famílias ainda sofrem pelo mesmo mal: o preconceito.

“Por eu não ser negra pensei que meu projeto soaria hipócrita e que as pessoas falariam pra mim: ‘Pra você é fácil, você nunca passou por isso’, mas não. O fato de não ser negra me incentivou ainda mais a seguir com o projeto, pois acho que a luta pelo preconceito deve partir de todos os lados”, completou a fotógrafa.
Os planos do “Alisa não, mãe!” tendem a crescer e romper as fronteiras do Alto Paranaíba, e também de Minas Gerais. Segundo Carolina, já há ensaios pré-agendados em São Paulo, Belo Horizonte e outros municípios brasileiros.  Os ensaios são gratuitos e a única restrição, além de comparecer no local marcado, é não ter o cabelo alisado.

Alto índice de assédio sexual no transporte público tem feito mulheres a se tornarem taxistas

Na Índia, projeto "Women on Wheels" ("Mulheres sobre rodas") treina mulheres a se tornarem taxistas (Foto: Reprodução Azad Foundation)
Em um país onde 40 crimes contra mulheres são registrados diariamente, um esquema simples, mas radical, tenta tornar o transporte mais seguro nas cidades de Nova Deli, Jaipur e Kolkata. Cada vez mais interessadas treinam para motoristas de táxi e visam baixar o número de assédios e estupros


As chances de encontrar um motorista homem ao solicitar um táxi nas maiores capitais do mundo são altíssimas. Mas em algumas cidades da Índia, esse cenário vem mudando pouco a pouco devido ao alto índice de assédio sexual sofrido pelas mulheres nos transportes públicos.

Para uma ONG pioneira do país, que foi considerado em 2014 o mais perigoso do mundo para uma mulher, a melhor solução para tentar reduzir essa trágica estatística tem sido colocar mais mulheres no assento do motorista.

Batizado de “Women on Wheels” (“Mulheres sobre rodas”), o projeto baseado em Nova Deli, mas que já está presente também em Jaipur e Kolkata, tem treinado dezenas de mulheres para se tornarem motoristas de táxi. Para isso, é oferecido um curso de oito meses onde as alunas, em sua maioria moradoras da periferia, aprendem inglês, autodefesa, mecânica, desenvolvem habilidades de comunicação e obtêm sua primeira habilitação.
Além da aulas práticas de direção, o projeto inclui treinamento de mecânica (Foto: Reprodução Azad Foundation)
ALÉM DA AULAS PRÁTICAS DE DIREÇÃO, O PROJETO INCLUI TREINAMENTO DE MECÂNICA (FOTO: REPRODUÇÃO AZAD FOUNDATION)


Depois de passar um ano como motorista em tempo integral de uma família que deve solicitar uma licença comercial, cada aluna passa a trabalhar para uma empresa de táxi que emprega apenas mulheres.

Segundo reportagem do jornal britânico The Guardian, muitas tomam a decisão escondida dos conhecidos por medo de serem recriminadas. Já que a profissão é vista por lá como uma ocupação exclusivamente masculina. Mas o projeto se faz necessário visto que a violência contra mulher tem crescido em proporções endêmicas no país. Em média, 40 crimes são registrados diariamente pela polícia, incluindo pelo menos quatro casos de estupro.

No início deste ano, um motorista de Uber foi condenado por estuprar uma passageira em Nova Deli. Na mesma cidade, em 2012, uma jovem de 23 anos foi estuprada por um grupo de homens dentro de um ônibus e não resistiu. O caso provocou clamor internacional e protestos por toda a Índia.

De acordo com idealizadores do projeto, visto que mais da metade dos 5,5 milhões de mulheres que entram no mercado de trabalho expressam, a cada ano, grande preocupação em relação à segurança de seu trajeto, o treinamento não só beneficia e capacita quem está dirigindo, como também faz a mulher no banco do passageiro se sentir mais segura.

Fonte: marieclaire

sábado, 19 de dezembro de 2015

Donas do Próprio Destino: As Mulheres que Desafiam os Índices de Desigualdades


Por: Melissa Castilho Diamantino
reeditado por : Mônica Aguiar 

Resultado de imagem para Monica Aguiar mulheres negras empreendedorasO empreendedorismo para a mulher negra, que já tem uma luta dobrada para enfrentar os preconceitos de gênero e de raça, tem sido um caminho promissor para driblar as altas taxas de desemprego e os baixos salários. Aliado ao conhecimento, esse formato de trabalho autônomo, tem contribuído para a conquista de respeito social, identidade e sucesso para muitas mulheres.


Resultado de imagem para Monica Aguiar mulheres negras empreendedoras
Lenços de Mônica Aguiar : é empreendedora Negra
em  Minas Gerais - Marca Mulher Negra 
O empreendedorismo para a mulher negra, que já tem uma luta dobrada para enfrentar os preconceitos de gênero e de raça, tem sido um caminho promissor para driblar as altas taxas de desemprego e os baixos salários. Aliado ao conhecimento, esse formato de trabalho autônomo, tem contribuído para a conquista de respeito social, identidade e sucesso para muitas mulheres.

Em dez anos o número de negros donos de micro e pequenos negócios cresceu 28,5% no Brasil. Em 2001, eram 8 milhões e 600 mil empreendedores declaradamente negros, número que saltou para mais de 11 milhões em 2011, de acordo com dados do Sebrae.

Empreendedorismo da mulher negra faz parte da nossa história


Muito antes da abolição, senhores de engenho obrigavam as escravas a produzir itens típicos de sua cultura, como o acarajé, e comercializá-los. A maior parte da renda era para os senhores, mas as escravas já empreendiam, embora em condições muito negativas. De onde elas vinham, nos mercados africanos, quem trabalhava eram as mulheres, e ao chegar aqui elas também fizeram isso durante e depois da escravidão.

A antropóloga Ana Lúcia Valente, pesquisadora da Universidade de Brasília, destacou que com a abolição muitos negros livres se tornaram empreendedores como forma de lutar pela inserção social. Sem muitas alternativas para garantir o sustento próprio e de suas famílias, ex-escravas ofereciam serviços de culinária, costura e lavagem de roupas.

“Era, na verdade, uma estratégia de sobrevivência, uma luta para que conseguissem sua inserção social. Com isso ficou provado que o empreendedorismo feminino não é uma novidade no Brasil só que ele começou a ser valorizado pela sociedade mais recentemente”. A pesquisadora enfatiza que a atividade empreendedora, ao ajudar as mulheres negras a gerar renda, contribui para o fortalecimento de uma identidade positiva e de autonomia, principalmente quando elas são chefes de família.

Mulher negra ganha 172% menos no mercado formal e na informalidade 57,6% menos


Apesar da mulher negra ser uma protagonista histórica no empreendedorismo, a situação para esta parcela da população ainda é de desigualdade na economia brasileira. Se as mulheres recebem salários 26% menores que os homens, segundo o Relatório Estatísticas de Gênero – Uma análise dos resultados do Censo Demográfico 2010, do IBGE, as negras ganham ainda menos.

As mulheres negras que trabalham sem carteira assinada têm salário médio mensal 57,6% menor que as trabalhadoras brancas, amarelas e indígenas. A média de rendimentos das brasileiras negras é de R$ 625 frente aos R$ 985 ganhos pelas não negras. Essa é umas informações contidas no Anuário das Mulheres Empreendedoras e Trabalhadoras em Micro e Pequenas Empresas, elaborado pelo Sebrae e Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) entre 2002 e 2012.

No número de empregos, a discriminação também é estampada pelos números. São 498.521 empregos formais de mulheres negras contra 7,6 milhões de mulheres brancas e 11,9 milhões de homens brancos.

Um estudo divulgado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostra que um trabalhador negro recebe em média um salário 36,1% menor que o de um não negro, independentemente da região onde mora ou de sua escolaridade. Segundo o estudo, a diferença salarial e de oportunidades de trabalho são ainda maiores nos cargos de chefia.

De acordo com o estudo, a diferença de remuneração sem registro formal cai nas microempresas – aquelas com até dez funcionários. Nas empresas com mais de 20 empregados, a diferença de salário das negras em comparação às de demais cor é de 83,2%. Já nas empresas de pequeno porte, os rendimentos são um pouco mais equilibrados, a diferença de salários é de apenas 37,6%.


O homem é que precisa de emancipar-se - Isabel Major

Luanda - A Mulher angolana, em todos os setores, tem vincado bem a sua força e influência, no desporto também, afirmou a antiga capitã da seleção nacional sénior feminina de basquetebol Isabel Major.


A entrevistada da Angop foi das primeiras a jogar na Europa, conquistou a primeira medalha africana do basquetebol e participou nos eventos relevantes desde os II Jogos da África Central. Poder-se-ia dizer que nos 40 anos da independência nacional nada lhe escapou.
Este exemplo vivo da vitalidade e da influência da mulher angolana na construção da Nação foi quadro sénior do embrião do Ministério da Juventude e Desportos, ocupou cargos destacados, foi treinadora, basquetebolista, dirigente desportiva, professora, pós-graduada em psicologia.
Íntegra da entrevista:
(Por Marcelino Camões)
Angop: Quais são os maiores feitos do desporto nacional?
Isabel Major - Embora seja algo transversal aquilo que fazemos internamente e o que é feito internacionalmente, os maiores feitos são os resultados desportivos que Angola tem alcançado nos últimos anos; o facto de Angola ter conseguido chegar de forma constante aos Jogos Olímpicos e Paralímpicos, aos campeonatos mundiais depois de ganhar campeonatos africanos.
Angola organizou os Jogos da África Central em 1981. Penso ser o maior evento que o país albergou até hoje. Embora já tenha organizado outros campeonatos, esta foi uma competição multi-desportiva que envolveu muitas pessoas, quer na organização, quer em países participantes.
Angop: Refere-se a resultados do basquetebol masculino, do andebol feminino e  do desporto adaptado?
Isabel Major - Sim, essencialmente estas modalidades. Mas temos também o hóquei em patins que tem participado regularmente em campeonatos mundiais, o basquetebol feminino também já começou a dar alguns passos e tem participado em algumas competições a nível mundial.  Temos a vela, a pesca desportiva, também o remo e a canoagem e mesmo o xadrez que são modalidades que ao longo do tempo têm, embora de forma intermitente, também participado em competições a nível mundial.
Angop: Os resultados obtidos no basquetebol masculino e andebol feminino (11 títulos africanos cada) justificam o trabalho realizado internamente em Angola?
Isabel Major – Justificam. Claro que é preciso melhorar, porque penso que África é a primeira etapa; a segunda etapa é conseguirmos cada vez melhores resultados em Campeonatos do Mundo e isto já implica maior nível organizativo e desenvolvimento desportivo superior do que aquele que temos hoje, e se calhar aí começaríamos por falar já dos desafios que o desporto angolano tem hoje.
Por um lado, implica que trabalhemos com mais profissionalismo. Não me referi necessariamente a profissionais a trabalharem de forma integral para o desporto, mas quero dizer que quando trabalhamos como voluntários, temos que ser responsáveis, temos que ser íntegros e entregarmo-nos ao trabalho, tal como um profissional. Por outro lado, temos de fazer muita formação.
Angop: Quando fala em formação, um assunto muito abordado nas lides desportivas, é a valorização do professor de educação física. É mundial que o desporto inicia na escola...
Isabel Major – Antes dos outros nos valorizarem, temos que ser nós próprios a nos valorizarmos. Eu posso ter só uma bola de basquetebol ou uma bola de futebol porque sabemos que temos muitos problemas de material desportivo, mas a forma e a minha entrega à aula de educação física tem que ser positiva. Quando vou dar aulas tenho que estar o melhor equipada possível, tenho que ser pontual e profissional de modo a preparar a minha aula para dar aos alunos aquilo que eles precisam. Tenho que me preocupar com a minha formação contínua – esta é a primeira valorização. Depois de fazer o meu “trabalho de casa”, sim, vou exigir que os outros me valorizem. Falo também a nível do Ministério da Educação e do  Ministério da Juventude e Desportos, que devem valorizar o professor de modo que ele possa dar a aula nas melhores condições possíveis. É preciso que o espaço onde ele vá dar a aula seja o melhor, quer para ele próprio, quer para os alunos; que ele tenha o material necessário para trabalhar e que também seja valorizado em termos de remuneração por estar a fazer um trabalho bem feito.
Angop: Existe de facto desporto escolar em Angola?
Isabel Major -  Existe desporto escolar, pode não ser ainda o desporto como queremos, pode não ser ainda tão bem organizado como é possível organizar, mas existe desporto na escola, porque os alunos têm aulas de educação física, e por um lado ouvimos falar dos Jogos Nacionais que têm sido organizados.
Existe desporto na escola, mas eu quero mais. Eu quero desporto nas escolas do I nível. Quero que o aluno quando entra para a escola, na primeira classe possa fazer desporto. Hoje não temos ainda o número de profissionais necessários para começarmos a abranger também as escolas primárias, mas é importante. Tendo em conta que hoje há cada vez menos espaços públicos para a prática desportiva, aquilo que chamamos jogos pré-desportivos, é importante que a criança na escola primária também tenha acesso às actividades desportivas que vão melhorar não só o seu desempenho como um possível desportista no futuro, mas também o seu desempenho acadêmico, que é uma função que considero fundamental. O desporto melhora a saúde e os níveis de concentração do aluno em qualquer nível de escolaridade. 
Angop: O que representa para si o desporto?
Isabel Major – Entrei no desporto por acaso e por acaso fiquei no desporto até hoje. O desporto é uma parte importante da minha vida e que faço com prazer. É saúde e chega a ser em parte família, porque as vivências que temos marcam a nossa vida; fazemos amigos, fazemos colegas de trabalho, fazemos mesmo família. O desporto no fundo é a minha vida.
Fiz e tenho feito amizades no desporto como Nelson Ferreira, Manuela Oliveira, Odília Lopes, Joana Adriana, a Didi Sebastião, o António da Luz que é uma pessoa com quem trabalho até hoje, o Paulo Jorge, Victorino Cunha, Tony Sofrimento – São muitas, corro o risco de esquecer pessoas, é melhor eu ficar por aqui.
Angop: Quais são os desafios que se colocam à mulher enquanto desportista?
Isabel Major – A mulher é dona de casa, é profissional, é mãe, é conselheira e para que ela tenha todo este espaço implica uma compreensão dentro da família, porque o desporto é uma actividade que é realizada não só durante a semana como também aos fins-de-semana. Se não houver este espaço dentro da família, é muito difícil que essa mulher consiga singrar em termos desportivos, não só como atleta, mas também como dirigente ou treinadora.
Não é a mulher que não é emancipada, o homem é que precisa se emancipar. Desculpem os homens que terão acesso a entrevista, porque dependem muito do trabalho que a mulher realiza dentro da família e, por causa disso, o singrar da mulher muitas vezes é limitado, não porque ela não tem capacidade, mas porque ela tem que desempenhar tantos papéis dentro da família que o seu espaço de singrar na sociedade, quer a nível desportivo, quer numa outra área, muitas vezes é limitado por causa da quantidade de papéis que ela tem que desempenhar dentro da família.
Às vezes, ela, mesmo com um marido em casa, tem de desempenhar o papel de pai e mãe. É um desafio muito grande que, se calhar, não é para a mulher, é um desafio para o homem ser mais companheiro e mais participativo nas actividades que a família tem que desenvolver.
Angop: Ainda existe o tabu dentro da família de que desporto é para rapazes?
Isabel Major - Falou dos pais, mas também os namorados, os maridos e também um pouco a sociedade. Quando a modalidade é aparentemente um pouco mais feminina, as pessoas aceitam; mas quando for desporto como por exemplo o futebol, já há algum tabu em relação a isso. Então é importante que, assim como o homem tem a liberdade de escolher, também se deixe que a mulher escolha qual é o desporto que quer praticar.
Angop: Apontou feitos, mas existem também fragilidades ao longo deste tempo…
Isabel Major – Temos algumas fragilidades que eu já referi quando falei que precisamos de formar mais, precisamos de nos organizar mais, precisamos de trabalhar mais e eu repito aqui uma frase que o técnico Victórino Cunha diz constantemente: “Precisamos trabalhar mais e melhor”. E para isso precisamos de formar, de nos entregar com mais responsabilidade, com mais profissionalismo.
Angop: Não praticou futebol, mas por ser o “desporto-rei” e pela vasta experiência e cultura desportiva é inevitável perguntar. Como vê o futebol? 
Isabel Major – Penso que este ano o futebol fez duas coisas muito importantes. Fez um curso de treinadores e um seminário. A formação é outro desafio para o futebol. No fundo, é o desafio para o desporto em geral. O futebol é festa, quando se fala do futebol todas as pessoas mostram-se interessadas. Mas temos que ser mais realistas quando falamos de futebol e neste realismo também englobo a imprensa que coloca a selecção nos píncaros, porque ganhou e quando perde a coloca a baixo do zero! Isto não é bom.
Nós temos muitos problemas no futebol, temos muitos problemas na formação dos atletas, não temos os melhores treinadores. Isto não só no futebol, como também nas outras modalidades. Embora estejamos a construir várias infra-estruturas desportivas, não temos ainda um quadro de instalações que satisfaça as necessidades que temos para o nosso desporto. Tudo isso cria dificuldades para termos um futebol melhor. O desporto, se por um lado é festa, por outro é ciência e, se é ciência, temos que começar a trabalhar o nosso futebol como ciência.
Angop:  Qual é a sua opinião em relação ao jovem angolano?
Isabel Major -  As pessoas dizem que o jovem angolano está perdido – não! Neste momento, temos alguns problemas sociais. O jovem angolano não aceita a velha frase “faça o que eu digo e não faças o que eu faço” . Ele quer exemplos e o exemplo não vem da boca, vem das atitudes, vem dos actos e nós estamos com uma sociedade ainda desestruturada em termos de educação.
Saímos há pouco tempo da guerra e gozamos já alguns anos de paz, mas em momento de guerra perdem-se valores e estes só são retomados com exemplos e não com palavras. São as nossas atitudes que fazem a mudança, podemos falar muito, mas o que os nossos filhos aprendem é aquilo que praticamos. Nós falamos muito dos jovens, mas quem educa estes jovens somos nós. Então algum exemplo nós não estamos a dar. Temos de ser mais verdadeiros e íntegros nas nossas atitudes e isso é que vai fazer com que os nossos jovens mudem.
Angop: Diante deste quadro, qual é a sua expectativa em relação ao futuro?
Isabel Major – Esta frase não é minha “Que cada um de nós seja a mudança que quer ver na nossa sociedade”.
Angop: Qual é o seu ideal para o futuro?
Isabel Major - Que haja paz, mas que venha de dentro e não uma paz exterior, porque é preciso pacificar os nossos corações e nós só pacificamos os nossos corações quando considerarmos todos a nossa volta como irmãos.
Angop: Qual a análise que faz do país em geral nos 40 anos?
Isabel Major – Eu costumo dizer que herdamos um país que não soubemos gerir, não soubemos e estou a falar no passado. Estamos a aprender, vamos aprendendo à medida que ocupamos cargos, à medida que temos de desempenhar funções. É como um pai e uma mãe. Tudo bem que aprendemos com os nossos pais, mas só aprendemos de facto a ser pais quando temos que educar uma criança e é isto que temos feito ao longo dos 40 anos. Vamos dando passos, vamos cometendo alguns erros, vamos aprendendo com estes erros e vamos corrigindo.
Somos independentes, construímos muitas coisas, não só em termos de estruturas físicas, Angola hoje é respeitada a nível internacional por causa das posições que tem tomado, mas eu nunca me comparo a quem está pior que nós. Eu me comparo sempre a quem está melhor, porque é este desafio que nos permite construir mais e construir melhor.
Paris continua a ser a cidade de sonho para muita gente, mas a minha cidade de sonho é Luanda, porque quero que seja também uma cidade de sonho para muita gente, onde as pessoas digam: “Eu quero ir visitar Luanda”.
Angop: Qual a importância que dá à construção e reabilitação de estradas que se assiste por todo o país?
Isabel Major – A construção de estradas é importante porque permite que hoje as pessoas se desloquem de um ponto a outro do país. Estrada significa comunicação, então é um grande ganho, mas eu também quero o comboio a funcionar com a mesma velocidade que as estradas. Já deram alguns passos relativamente ao comboio, mas quero um comboio mais rápido, porque o comboio implica poupança. O comboio já começou a funcionar, mas quero mais. Já temos estradas, mas quero mais. Temos uma cidade de Luanda cheia de prédios, mas eu quero mais. Quero cada pessoa no sítio onde se sinta bem. Hoje já temos alguma habitação social, mas quero mais. Temos os nossos ministérios a funcionar, mas eu quero mais. Eu quero sempre mais, não importa de onde eu vim, o importante é aonde vou. 
Angop: Se tivesse de enviar uma mensagem a alguém, qual seria e para quem?
Isabel Major – A minha mensagem é mesmo para o povo angolano. Quero um povo mais ambicioso – o nosso povo é muito generoso. Eu quero que seja mais ambicioso, mais exigente consigo próprio e com os outros também. Eu quero que o meu povo (eu digo mesmo, meu povo, porque é assim como me sinto) exija mais dos professores, exija mais das instituições, reclame os seus direitos de forma correcta. Em Angola, nós temos boas leis e quero que exija que sejam aplicadas e que cumpra com os seus deveres e seus direitos, que seja cidadão.
Angop: Qual é o seu sonho enquanto angolana?
Isabel Major – É ver uma Angola cada vez mais em paz e cada vez mais desenvolvida e que esse desenvolvimento envolva, de facto, o povo angolano.
PERFIL
Nome: Isabel Generosa da Silva Major Neto
Data de Nascimento: 12 de Dezembro de 1962
Estado Civil: Solteira
Naturalidade: Luanda
Nacionalidade: Angolana
Língua – Português, Francês, Alemão, Inglês (em estudo)
Formação académica e profissional
Frequência do 4º ano do curso de Desporto e Educação Física, opção Desporto de Rendimento - Basquetebol (Faculdade de Desporto da Universidade do Porto, FADE-UP – Portugal);
Mestrado em Psicologia do Desporto - Escola Superior Alemã de Cultura Física (Deutsch Hochschule für Körperkultur - DHfK), em Leipzig - Alemanha.
 Curso Médio de Educação Física - Instituto Normal de Educação Física (INEF)
EDUCAÇÃO PROFISSIONAL
Curso para Dirigentes Desportivos da Solidariedade Olímpica 
Curso de Treinadores Estagiários de Basquetebol 
EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL
2010 - Coordenadora do Secretariado da Comissão Executiva Preparatória da Participação de Angola nas Competições Internacionais; 
2008 - Vice-Presidente para o Futebol Feminino da Associação Provincial de Futebol de Luanda;
2012-2014 – Secretária geral da FAB
2010 - Coordenadora de Transportes da Missão Desportiva Angolana aos IV Jogos da Zona VI (S.A.D.C.) Swazilândia
2010 - Chefe de Delegação do Ténis aos Jogos da CPLP Maputo-Moçambique
2009/10 - Coordenadora Adjunta da Comissão de Gestão da Federação Angolana de Ténis, em Luanda
2004/05 - Treinadora Adjunta de Basquetebol de Juniores Masculinos do Académico Futebol Clube  Porto-Portugal
 2004 - Agente Informativa durante o Campeonato Europeu 2004, no Metro do Porto -Portugal
2003/04 - Treinadora Adjunta de Basquetebol de Cadetes Masculinos do Académico Futebol Clube Porto-Portugal
2000 - Professora de Educação Física de Base, na Escola Primária da Câmara Municipal da Maia-Portugal
1999/01 - Presidente do Conselho Fiscal da Associação de Estudantes Angolanos em Portugal
1997/01 - Vice-Presidente da Associação de Estudantes Angolanos em Portugal, da Região do Porto
1992/93 -Vice-Presidente para o Basquetebol Feminino da Federação Angolana de Basquetebol
1990/93 - Directora do Gabinete Técnico do Ministério da Juventude e Desportos
1989 - Coordenadora Adjunta da Comissão Técnica do Campeonato Africano de Basquetebol em Seniores Masculinos (AFROBASKET 89)
1984/87 - Chefe de Sector de Formação Desportiva Especializada, do Departamento de Alta Competição da Secretaria de Estado de Educação Física e Desporto
1983/84 - Secretária da Comissão Técnica Nacional da Federação Angolana de Basquetebol
1981 - Professora de Educação Física da Escola do II Nível Ngola Kanini
COMO JOGADORA
1989/90 - Atlético Petróleos de Luanda
1987/89 - Jogadora de Basquetebol Profissional pela Deutsch Hochschule für Körperkultur (DHfK) Leipzig-Alemanha
 1978/79 - Clube INEF de Luanda
 HONRAS PESSOAIS
 - Campeã Nacional de Basquetebol de Seniores Femininos oito vezes (1978, 1979, 1980, 1981, 1982, 1983, 1985, 1986)
 - Representante dos atletas no 1º Encontro Nacional do Desporto de Angola;
 - Jogadora Internacional pela Selecção de Basqutebol de Angola em Seniores Femininos (1981/1986, 1990);
Capitã da Selecção Sénior Feminina de Basquetebol de Angola no Campeonato Africano - Tunis 1990 e nos Jogos da SADC - Lusaka 1990
 - Bronze nos II Jogos da África Central, Luanda 1981;
 - Bronze no Campeonato Africano de Seniores Femininos, Dakar 1981;
 - Bronze no Campeonato Africano de Seniores Femininos, Maputo 1986.