terça-feira, 30 de junho de 2015

Mulheres Serão Tema de Desfile do Dois de Julho


Maria Quitéria, Joana Angélica, Maria Felipa e demais mulheres que lutaram pela emancipação do povo brasileiro serão tema do desfile comemorativo dos 192 anos da Independência do Brasil na Bahia, celebrado no próximo dia 2 de julho.

Com o tema Guerreiras da Independência, o evento, promovido pela Fundação Gregório de Matos (FGM) que terá início às 6h da próxima quinta-feira, contará com decoração especial em todo o percurso e programação cultural.
O cortejo fará, também, uma homenagem à historiadora Consuelo Pondé de Sena, ex-dirigente do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHBA), que faleceu em maio deste ano.

Uma mulher também será responsável por acender a pira que vai abrigar o Fogo Simbólico da Independência, instalada no Campo Grande. A função ficará a cargo da maratonista Marily dos Santos, que é alagoana radicada na Bahia e foi representante do Brasil nos Jogos Olímpicos de 2008.

Até mesmo o processo de restauração e limpeza das imagens do Caboclo e da Cabocla ganharam um toque feminino este ano. A restauradora Marley Serravale foi quem recebeu a atribuição de preparar as peças para a festa da Independência.

Este ano, 46 fanfarras irão participar do desfile. O evento contará com a participação do Afoxé Filhas de Gandhy. As comemorações pela Independência terão prosseguimento amanhã, com a saída do Fogo Simbólico de Cachoeira em direção a Salvador.

No dia seguinte, às 9h, será realizado o Te Deum na Igreja de São Pedro dos Clérigos, no Terreiro de Jesus. No mesmo dia, às 16h, está prevista a chegada do Fogo Simbólico ao Panteão de Pirajá.
Já na quinta-feira, a programação do desfile começará às 6h, com uma alvorada de queima de fogos na Lapinha. Às 9h30, o cortejo cívico será iniciado.
A chegada dos carros com a Cabocla e o Caboclo ao Campo Grande está prevista para 17h.



Atrações



A Fundação Pedro Calmon, vinculada à Secretaria de Cultura do Estado (Secult), preparou uma série de atividades especiais que vão acontecer durante todo o mês de julho.
Independência da Bahia; 2 de Julho (Foto: Egi Santana/G1 BA)
Batizada de Rota da Independência, a programação vai contemplar os municípios de Cachoeira, São Félix, Santo Amaro, Maragojipe e São Francisco do Conde, cidades baianas que integram o percurso das lutas pela independência.
Ao todo, a Rota inclui cursos, aulas públicas itinerantes, palestras, distribuição de publicações e visitas guiadas. Todas as atividades serão abertas ao público e são voltadas para estudantes, pesquisadores, professores e todos os interessados pela memória e história da Bahia.
Em Salvador, será realizada, amanhã e 5 de julho, as aulas públicas De Pirajá ao Campo Grande, ministradas pelos historiadores Sérgio Guerra Filho e Marcelo Siquara.
A partir do dia 6, a Biblioteca Pública do Estado (Barris), vai receber o curso Conversando com sua História, promovido pelo Centro de Memória da Bahia. O curso, que vai acontecer durante todas as segundas-feiras do mês, vai tratar de temas relacionados ao Dois de Julho.
Às terças-feiras, é a vez do Curso Ensino de História da Bahia, para professores, com o tema Movimentos de Independência e Formação do Estado Nacional. Entre os dias 8 a 22 de julho, o curso chegará aos professores dos colégios militares, públicos e estaduais, da capital.



No dia 2 de julho, após o desfile, às 11h, a Fundação Pedro Calmon lançará o novo site da Biblioteca Virtual 2 de Julho, unidade que será especializada em História da Bahia.

Fontes : Mulheres BA/ A Tarde 
Foto: A Tarde

domingo, 28 de junho de 2015

Mulheres em Espaços de Poder e Decisão : Mulheres Negras não têm acesso aos espaços de poder e decisão !

As mulheres, mesmo diante de avanços no que diz respeito à igualdade entre os gêneros, ocupam cargos de menor peso nas grandes decisões políticas de menor prestígio no mercado de trabalho. As posições de poder ainda são ocupadas em sua maioria por homens. Os estereótipos de gênero reforçam os papéis diferenciados, destinando aos homens as atividades do espaço público e às mulheres, as do espaço privado.
As mulheres são maioria na base da organização de movimentos sociais, mas ainda são minoria nos cargos políticos e também na participação de partidos políticos. Nos espaços de direção de empresas privadas e de organizações como sindicatos e associações de classe, o mesmo quadro é verificado. As diferenças se acentuam quando investigamos a interseccionalidade da dimensão de gênero com classe, raça / etnia, orientação sexual. Frente a diversos tipos de preconceito e discriminação, as mulheres negras têm ainda menos acesso aos espaços de poder e decisão que as mulheres brancas.
Os avanços do movimento feminista no Brasil, principalmente a partir da década de 1970, contribuíram para afirmar a presença das mulheres na esfera pública, afirmando seu protagonismo político e denunciando as desigualdades e violências vividas por elas. As mulheres também têm se destacado como lideranças na organização de movimentos para a luta por seus próprios direitos. São diversos os tipos de movimentos de mulheres na nossa sociedade, como: os movimentos feministas, de trabalhadoras rurais e domésticas, de mulheres bissexuais, transexuais e lésbicas, de mulheres negras, de mulheres do campo e da floresta, dentre uma imensa variedade de grupos que lutam por condições menos desiguais de vida.
A participação ativa das mulheres é indispensável à construção da democracia e da cidadania e assume um caráter crítico e propositivo na construção das plataformas feministas dirigidas ao poder público. Essa atuação contribui para a elaboração de leis e para a administração pública, e para as candidaturas político-partidárias, no sentido de sensibilização e estabelecimento de compromissos das/os candidatas/os. Muitas de suas ações têm produzido desdobramentos concretos em termos de inovações e conquistas legislativas e de políticas públicas.
Cabe ao Estado e aos governos, nas suas diferentes esferas, atuarem na transformação das estruturas institucionais que ainda reproduzem e reafirmam a desigualdade. Medidas legislativas, como cotas de participação nos processos eleitorais, são fundamentais para garantir o acesso das mulheres aos postos de decisão. Também é necessário fortalecer Secretarias Estaduais e Municipais de Políticas para as Mulheres, que contribuem para um novo modelo de gestão e que trazem na sua concepção a defesa da autonomia das mulheres e igualdade como pressupostos e princípios de suas ações e políticas.

Texto : Obs. Brasil de Gênero 
Foto : Mônica Aguiar 

Mulheres negras buscam combater racismo na América Latina

Lideranças femininas negras da América Latina analisam na capital nicaraguense um plano para combater nos próximos 10 anos o racismo e a marginalização - disseram nesta sexta-feira representantes do movimento.
"Queremos tornar visível a população de mulheres negras e criar políticas diferenciadas" de acordo com a realidade de cada país, disse à AFP a coordenadora da Rede de Mulheres Afrolatinoamericanas, Afrodescendentes e da Diáspora, a nicaraguense Dorotea Wilson.
Cerca de 270 representantes de 22 países do continente participarão do encontro de três dias no contexto do decênio internacional para os povos afrodescendentes declarado pela Organização das Nações Unidas (ONU) .
O programa em discussão contém 17 eixos de ação e 71 demandas relacionadas a saúde, educação, não-violência, segurança, redução da pobreza, acesso à justiça e ao trabalho e proteção ao meio ambiente.
O encontro tem como  perspectiva que  as ativistas trabalharão com seus respectivos países pleiteando dotações orçamentárias e compromissos dos governos com pessoas afrodescendentes - cerca de 200 mil em todo o continente -, das quais mais de 50% são mulheres.
 Essa população geralmente vive em zonas marginais das cidades latino-americanas sem serviços básicos de água, energia, esgoto, ruas pavimentadas, em condições de pobreza e sem acesso a trabalho. A militante reconheceu que em alguns países da região houve avanços importantes nos últimos dez anos, como mulheres em cargos públicos - embora em alguns casos as mulheres não passem de 10%.
"Nós, mulheres negras, temos e sofremos discriminação múltipla por sermos mulheres, jovens e negras", afirmou a líder do movimento "Vozes Caribenhas", Lidide Gammie.
Fonte: Yahoo

sábado, 27 de junho de 2015

Historiador Destaca Ação de Mulheres na Independência do Brasil na Bahia !

Maria Felipa comandou mulheres que conseguiram expulsar tropas portuguesas da Ilha de Itaparica (Foto: Filomena Modesto Orge/Arquivo Público do Estado da Bahia)
Maria Felipa comandou mulheres que conseguiram
expulsar tropas portuguesas da Ilha de Itaparica
(Imagem: Filomena Modesto Orge/Arquivo Público
do Estado da Bahia)
As batalhas pela independência do Brasil na Bahia duraram um ano e sete dias, entre 25 de junho de 1822 e 2 de julho de 1823. As mulheres desempenharam um papel importantíssimo no processo, e muitas se destacaram nas batalhas e na ajuda aos soldados. Entre elas está Maria Felipa. Segundo Eduardo Borges, historiador e professor da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), Maria Felipa não é muito conhecida, mas possui muita importância na luta pela independência. "Maria Felipa era uma negra que liderou uma série de mulheres que seduziram os portugueses, fizeram com que eles ficassem embriagados e depois deram uma surra de cansanção [vegetal que provoca urtiga e sensação de queimadura ao toque com a pele] neles. Depois ela queimou as embarcações deles. Foi uma pequena batalha pontual no dia 7 de janeiro de 1823, na Ilha de Itaparica, mas que resultou em uma queda no número de soldados da tropa portuguesa", relatou Borges. O historiador ainda conta que em outubro de 1822, um grupo liderado por Maria Felipa, formado por homens e mulheres, queimou embarcações dos portugueses, também na região de Itaparica. Em outra região da Bahia, foram as esposas de fugitivos das tropas portuguesas que usaram a criatividade para ajudar a salvar seus maridos. As moradoras de Saubara, região que na época pertencia à Santo Amaro da Purificação, se fantasiavam para assustar os soldados e assim poder levar comida para os maridos, nos esconderijos onde se alojaram. "Os portugueses invadiram a região. Os homens tiveram que fugir, então à noite elas se vestiam de 'careta', se fantasiavam de almas, com lençóis, e assustavam os portugueses que fugiam. Assim, elas conseguiam chegar nos esconderijos onde estavam os maridos e levavam medicamentos, comida e roupas. Elas ficaram conhecidas como caretas do mingau. No caso delas, o papel foi burlar a viliância portuguesa", conta o historiador. "O que é interessante é a esperteza e estratégia para assutar os portugueses. Pelo fato delas terem conseguido chegar aos maridos, isso ajudou a eles sobreviverem", acrescentou Borges.
Maria Quitéria (Foto: Reprodução/TV Bahia)
Maria Quitéria se vestiu de homem e lutou em
batalhas (Foto: Reprodução/TV Bahia)
Outras duas mulheres que se destacaram na luta da independência foram Joana Angélica e Maria Quitéria, que acabaram ficando bastante conhecidas. A freira Joana Angélica se destacou pela coragem ao enfrentar os portugueses. Ela foi morta ao tentar evitar a entrada deles no Convento da Lapa. Os soldados portugueses estavam em busca dos rebelados, que teriam se escondido no local. "Já Maria Quitéria se passou por homem para participar da luta da independência. Ela vestiu a roupa do cunhado e apresentou-se ao Regimento de Artilharia com a ajuda da irmã. Maria Quitéria fugiu de casa e foi para o campo de batalha em uma época em que a mulher não tinha autonomia em qualquer campo de atuação" - diz historiador 
 Dois de Julho
A história da Independência do Brasil na Bahia começou a ganhar força no início de 1822, com o desejo da Bahia de romper com a coroa, quando o rei de Portugal, D. João VI, tirou o brasileiro Manoel Guimarães do comando de Salvador, colocando em seu lugar o general português Madeira de Melo no cargo. Com isso, ele queria reforçar o poder da Coroa sobre os baianos, mas a população não aceitou pacificamente. Os baianos foram às ruas para protestar e entraram em confronto com os soldados portugueses. Meses depois, em 12 de junho, a Câmara de Salvador tenta romper com a coroa portuguesa. O general Madeira de Melo coloca as tropas nas ruas e impede a sessão. Dois dias depois, em Santo Amaro, os vereadores declaram D. Pedro o defensor perpétuo do Brasil independente, o que significa não obedecer mais ao rei de Portugal. No dia 25 de junho é a vez da Vila de Cachoeira romper com a Coroa portuguesa. Outras vilas seguem o exemplo. Cachoeira se torna quartel general das tropas libertadoras. Canhões de fortes da Baía de Todos-os-Santos foram roubados para armar a improvisada frota de saveiros, que enfrentaram a esquadra de Portugal. Cercados por terra e mar, os portugueses ficam acuados em Salvador. Decidem então abandonar a cidade e fogem por mar, na madrugada do dia 2 de julho de 1823. Pela manhã, o exército brasileiro entra vitorioso na cidade, marcando a independência do Brasil na Bahia.lquer campo de atuação", diz o historiador.
Fonte e foto : G1

quarta-feira, 24 de junho de 2015

GENOCÍDIO DA MULHER NEGRA

por STEPHANIE RIBEIRO
Existe uma coisa chamada Google, e quando vocês forem falar sobre Genocídio do Homem Negro, digitem >>> Genocídio da Mulher Negra!
Somos mulheres negras mortas pela policia, somos mulheres negras mortas por conta de abortos, somos mulheres negras mortas por conta das condições precárias e falta de acesso à saúde, somos mulheres negras mortas em deslizamentos em favelas, porque mulheres negras ocupam as piores áreas nas periféricas/favelas, somos as mais estupradas no Brasil. E existem PESQUISAS que dizem que mulheres negras sofrem mais violência domestica de parceiros porque são NEGRAS.
Vamos aos DADOS:
- As mulheres negras entre 16 e 24 anos têm três vezes mais probabilidade de serem estupradas que as mulheres brancas;
- Mais de 60% das mulheres assassinadas no Brasil entre 2001 e 2011 eram negras, que foram as principais vítimas em todas as regiões, com exceção da Sul. Destacando as regiões Nordeste (87%), Norte (83%) e Centro-Oeste (68%), com os mais altos índices;
- A relação mortalidade materna/nascidos entre as mulheres negras é : 75 para cada 100 mil. Porém, em números absolutos é, em disparada, maior: 1.076 óbitos. Portanto, 57% do total de um total de 1.872 óbitos em 2009;
- As mulheres negras são as maiores vítimas da violência doméstica. Segundo os dados apresentados no Mapa da Violência, em 2010, morreram 48% mais mulheres negras do que brancas vítimas de homicídio, diferença que vem se mantendo ao longo dos anos;
- Mulheres pretas, pardas e indígenas são a maioria entre os 5,3 milhões de jovens de 18 a 25 anos que não trabalham nem estudam no país, a chamada “geração nem nem”. Cruzamento de dados inédito feito pelo Instituto de Estudos Sociais e Políticos (Iesp) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), a pedido da Agência Brasil, revela que elas somam 2,2 milhões, ou seja, 41,5% desse grupo. Do total de jovens brasileiros nessa faixa etária (27,3 milhões), as negras e indígenas representam 8% - enquanto as brancas na mesma situação chegam a 5% (1,3 milhão).

Institutos Buzios 

terça-feira, 23 de junho de 2015

Centro de Referência em homenagem à Mãe Stella será implantado pelo Ipac


Centro de Referência em homenagem à Mãe Stella será implantado pelo Ipac
Uma pequena casa, localizada na Ladeira do Ferrão, nº 6, que dá acesso do Pelourinho para a Baixa dos Sapateiros, no Centro Histórico de Salvador, será transformada no Centro de Referência Odé Kayodê, pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac), órgão vinculado à Secretaria de Cultura do Estado (Secult), em homenagem à Mãe Stella de Oxossi – Yalorixá do Terreiro Ilê Axé Opó Afonjá.
"A ideia é comemorar os 90 anos de Mãe Stella, completados em maio deste ano, celebrar a história do candomblé na Bahia e suas raízes africanas", explicou o diretor geral do Ipac, João Carlos de Oliveira. Ele informou que Mãe Stella nasceu nesta casa em 2 de maio de 1925 e que o centro a ser implantado nesse imóvel vai reverenciar a memória das principais yalorixás baianas. "A proposta é que o Centro de Referência tenha caráter multidisciplinar e multimídia, abrigando produções científicas, acadêmicas, audiovisuais e sonoras", relatou o diretor. 
A equipe técnica do Instituto já está realizando vistoria na casa, levantando suas condições físicas e possibilidades para a implantação do Centro. "Estivemos no imóvel com a diretora de Preservação do Patrimônio do Ipac, arquiteta Etelvina Rebouças, os técnicos Nonato e Antônio Luiz e o fotógrafo Lázaro Menezes. O próximo passo são levantamentos prediais, projetos arquitetônicos, elétrico e hidráulico", disse o gerente de Patrimônio Imaterial do Instituto, Roberto Pellegrino. 
O Centro de Referência Odé Kayodê poderá mostrar a história de vida, lutas, conquistas e dedicação ao candomblé de Yalorixás baianas, como Mãe Aninha do Afonjá, Mãe Menininha do Gantois, Mãe Senhora também do Afonjá, Mãe Olga do Alaketu, Mãe Mirinha do Portão, dentre outras. O acervo bibliográfico e imagético do novo espaço contará com o Centro de Documentação e Memória (Cedom) do Ipac, localizado em uma grande casa colonial próxima, na Rua Gregório de Mattos, nº 29, também no Pelourinho.

Museu
O Ipac já tinha participado de outra ação com o Ilê Axé Opô Afonjá na criação do museu Ilê Ohum Lalai, que traduzido do yorubá para o português significa 'casa das coisas antigas'. Formado por 750 peças e criado em 1981, após visita de Mãe Stella à Nigéria, o museu do Afonjá venceu um Edital do Ipac em 2013, sendo totalmente reformado.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Exposição na Pinacoteca apresenta obras de mulheres que foram pioneiras na arte

Brasileiras que desafiaram o seu tempo e as convenções e passaram a produzir obras de arte e a se profissionalizar no ramo são o tema de uma exposição na Pinacoteca de São Paulo. A exposição Mulheres Artistas: As Pioneiras (1880-1930)fica em cartaz até o dia 6 de setembro e apresenta cerca de 50 obras entre pinturas, desenhos e esculturas, muitas delas inéditas ao público.
Embora não fosse proibido, criar e produzir obras de arte, nesse período, ainda era uma dificuldade para as mulheres. Segundo uma das curadoras Ana Paula Cavalcanti Simioni, a exposição ajuda a contar a história da arte e das mulheres, enfatizando os processos de formação a que essas pioneiras tiveram acesso.
“O sistema artístico acadêmico no Brasil foi implantado com base no modelo francês, que chegou ao Brasil em 1816, mas só foi implantado em 1826. Esse sistema não previa as mulheres como parte do corpo discente porque era considerado completamente inapropriado para o sexo feminino o acesso ao estudo do modelo vivo – uma etapa central da formação dos artistas”, disse Ana Paula. “As mulheres vão acessar esse tipo de formação muito tardiamente. No Brasil, a academia passa a aceitar as mulheres como membros a partir de 1892. Na França, só em 1897, ou seja, muito tardiamente”, completou a curadora em entrevista àAgência Brasil“Não bastava ter a lei que permitia que elas pudessem frequentar a instituição. Imagine o que era, em 1900, uma mulher acessar um modelo vivo. Tem cartas da época em que [elas relatam que] os pais não permitiam que elas frequentassem essas aulas até porque muitas eram ministradas no [período] noturno e isso era considerado inapropriado principalmente para mulheres de elite ou das classes mais altas”, explicou Ana Paula. Outro problema enfrentado pelas mulheres, disse a curadora, era que o Código Civil não permitia que elas circulassem sem a permissão dos pais ou de seus maridos. “Uma coisa era a mulher aprender a recitar poesia, mas ficar dentro de casa. Outra coisa era transcender o espaço doméstico, que era visto como o espaço das mulheres por excelência, e mandar [suas obras] para uma exposição pública e se mostrar de forma pública. Sair do espaço privado e se profissionalizar era quebrar um tabu naquela época”, acrescentou a curadora. A mostra ocupa duas salas do museu. Na primeira delas ressaltam-se as práticas acadêmicas, com estudos do corpo feminino e masculino, por exemplo. Na segunda sala estão variedades de gêneros artísticos a que elas se dedicaram no período. Segundo a curadora, esse primeiro grupo de mulheres artistas não tinha a intenção de criar uma formação feminina específica que fosse diferente da masculina – bandeira que só vai surgir na década de 60. “Nessa primeira geração de artistas profissionais o que se almeja é justamente ingressar no sistema e dominar aquele vocabulário ou conjunto de regras que só era acessível para os homens. Essa é a grande conquista: aprender uma linguagem em um sistema que até então as excluía”, explicou Ana Paula. Entre as artistas que terão suas obras expostas estão Tarsila do Amaral, Anita Malfatti, Beatriz Pompeu de Camargo, Abigail de Andrade [que ganhou a primeira medalha de ouro na 26a Exposição Geral de Belas-Artes, em 1884] e a escultora Julieta de França [a primeira artista brasileira a ganhar um prêmio de viagem ao exterior, em 1900].
Fonte: EBC

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Deputados Votam Contra Método que Garante Cotas para Mulheres na Vida Politica !

Por Mônica Aguiar

Realmente alguns deputados ainda acreditam que  o direito de votar e serem votados é uma coisa só.  São 83 anos da conquista do voto feminino e mesmo assim, somente às mulheres casadas, viúvas e as solteiras que tivessem renda própria podiam votar no inicio.  Tudo foi um processo muito árduo e de muitas lutas até a garantia do pleno direito ao voto feminino.
O Brasil ocupa hoje a 158ª posição no ranking mundial de presença de mulheres nos parlamentos, e de acordo com a interpretação de alguns parlamentares esta posição é um problema das mulheres.  
Lendo várias matérias e conversando com alguns parlamentares, ouvi as mais diversas justificativas de como as mulheres são responsáveis em mudar esta realidade de baixa representação eleitoral. Realmente eu concordaria se não vivêssemos em um mundo de homens e, os homens, não criassem mecanismos para ser o tempo todo centro do poder, os únicos com capacidade de fazer politica. E as poucas mulheres que conseguimos eleger, dispondo a estar nos representado nos parlamentos e no executivo, não fossem agredidas e tivesse sua politica desqualificada o tempo todo como acontece.  Não usamos da mesma agressividade a quem somos submetidas, não fazemos negociatas, não jogamos com a vida das pessoas, não gritamos e nem batemos em mesas, não vamos contra direitos conquistados que não avançam para as oportunidades igualitárias, não temos dinheiro e visibilidade partidária.
Somos apenas 10% na Câmara dos Deputados e a bancada feminina no Congresso é formada por 13 senadoras e 51 deputadas federais. Do total de eleitos em 2012, 8.287 foram mulheres, representando 13,19%. Ao todo, foram eleitas 657 prefeitas, que correspondem a 11,84% do total das 5.568 vagas, e 7.630 vereadoras, o que equivale a 13,32% dos eleitos. Realmente, em face de tais dados, se houvesse igualdade não precisaríamos de cotas nenhuma.
O  contingente feminino ainda tem sido sujeito de limitações e tem sofrido dificuldades quanto ao seu acesso a cargos que exigem maior qualificação ou que oferecem maiores possibilidades de ascensão na carreira, especialmente no que se refere à dinâmica de conciliação das demandas familiar, profissional e politica.
Muitos homens acreditam e fazem valer através de medidas legais que lugar de mulher é cuidando de tarefas domésticas ou em trabalhos servis. Acreditam que é problema das mulheres o fato de não conseguir acessão em sua carreira politica. 
E neste momento, devido a proposta inovadora de  método eleitoral que seria aplicado para preenchimento das vagas já reservadas,   onde asseguraria  que as vagas que não fossem atingidas em um determinado estado, seriam preenchidas pelo sistema majoritário, ou seja permaneceria a vaga e seria destinada a mulher mais votada.  Os homens deputados que votaram contra ou abstiveram-se,  não aceitaram justificando também que seria criação de modelo eleitoral distinto.
 Na verdade se sentiram ameaçados, com medo de perder suas lideranças, mulheres que os apoiam e os elegem, medo de oportunizar centenas de mulheres que tem potencial de voto trazendo  mudanças significativas na representação regional .  Em um ano que é véspera das eleições  municipais no país,  eles têm a coragem de votar contra a inclusão das mulheres na vida politica.
Realmente, temos que mudar este quadro, somos realmente a maioria do eleitorado. A participação da mulher nos parlamentos é pequena, não por causa das regras e cultura eleitoral. Isto não é cultura. É Padrão dos Deputados, padrão patriarcal, machista, preconceituoso e discriminatório.  E ainda chamam  isto de cultura ?
A falta de mulheres no parlamento federal, estadual e municipal afeta  diretamente a população , pois as mulheres sabem e  realmente se preocupam com o sofrimento histórico do ser humano diante  tantas  desigualdades .

Lembrando que :
A Lei nº 9.100/1995, que regeu as eleições de 2006, trouxe uma grande conquista feminina ao determinar que pelo menos 20% das vagas de cada partido ou coligação deveriam ser preenchidas por candidatas mulheres. A Lei nº 9.504/1997 (Lei das Eleições) determinou que no pleito geral de 1998 o percentual mínimo de cada sexo fosse de 25%. Já para as eleições posteriores, a lei fixou em 30%, no mínimo, a candidatura de cada sexo.
Em 2009, a reforma eleitoral introduzida pela Lei n° 12.034 instituiu novas disposições na Lei dos Partidos Políticos (Lei n° 9.096/1995) de forma a privilegiar a promoção e difusão da participação feminina na política.
Entre estas disposições, está a determinação de que os recursos do Fundo Partidário devem ser aplicados na criação e manutenção de programas de promoção e difusão da participação política das mulheres, conforme percentual a ser fixado pelo órgão nacional de direção partidária, observado o mínimo de 5% do total repassado ao partido.

A reforma eleitoral exige ainda que a propaganda partidária gratuita promova e difunda a participação política feminina, dedicando às mulheres o tempo que será fixado pelo órgão nacional de direção partidária, observado o mínimo de 10%.  

Câmara rejeita criação de cotas para as mulheres nos legislativos

Sessão para análise e discussão da Reforma Política
A Câmara dos Deputados rejeitou há pouco a criação de cotas para mulheres nos legislativos federal, estaduais e municipais. Faltaram 15 votos para aprovação da emenda aglutinativa à proposta de emenda à Constituição (PEC 182/07) da reforma política. Eram necessários 308 votos para a aprovação da matéria. Votaram a favor 293 deputados, 101 manifestaram-se contra e 53 se abstiveram. Com isso, a proposta de cotas para mulheres nos legislativos foi rejeitada.

A proposta pretendia criar um sistema progressivo de cotas para representação feminina nas próximas três legislaturas. O texto previa uma espécie de reserva de vagas para mulheres.

Na primeira legislatura, 10% das cadeiras seriam ocupadas por mulheres. Na segunda, esse percentual subiria para 12 e para 15% na terceira. De acordo com a emenda rejeitada, seria adotada uma espécie de sistema distritão para definir quais mulheres seriam deputadas federais, estaduais e vereadoras.

No encaminhamento de votação, a maioria dos partidos liberou seus deputados para votarem de acordo com suas convicções. Embora as deputadas pedissem votos pela aprovação da emenda, os deputados argumentaram que, aprovada a cota para mulheres, em pouco tempo haveria pedidos para cotas de outros segmentos da sociedade.
Atualmente, as mulheres, que são mais de 51% da população, têm uma representação de 10% na Câmara dos Deputados.




Fonte: Camara 
Foto : Luis Macedo 

sexta-feira, 12 de junho de 2015

ONU Mulheres repudia estupro coletivo e feminicídio em Castelo do Piauí

A ONU Mulheres Brasil publicou nota hoje (10) em que se solidariza com as quatro vítimas de estupro coletivo, ocorrido na cidade de Castelo do Piauí (PI) no dia 27 de maio. As meninas, com idades entre 15 anos e 17 anos, foram encontradas violentadas e inconscientes. Uma delas, Danielly Rodrigues Feitosa, morreu no domingo (7).
Na carta, a representante da ONU Mulheres Brasil, Nadine Gasman, elogia a Lei nº 13.104, aprovada em março de 2015, que assegurou o feminícidio como crime hediondo no Código Penal. Ela destacou o fato de o Brasil ter sido escolhido como o primeiro país piloto a adaptar o Modelo de Protocolo Latino-americano para Investigação de Mortes Violentas de Mulheres por Razões de Gênero, elaborado pela ONU Mulheres e pelo Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU. A escolha foi feita devido às políticas e à rede de serviços públicos de enfrentamento à violência. Nadine lamenta, no entanto, que o país tenha cerca de 50 mil estupros e 5 mil assassinatos por ano.
“Além da responsabilização do poder público aos agressores, justiça e reparação às vítimas, são necessárias transformações de comportamento e atitude na sociedade, e consciência pública sobre a gravidade e os altos índices de violência contra as mulheres e meninas”, diz a carta.
“Isso implica em mudanças diárias e mobilizações, em todos os níveis, sobre a maneira com que mulheres e homens, meninas e meninos, se relacionam, adotando valores e práticas firmados na igualdade e livres de quaisquer formas de violência”, completa.  Quatro menores foram apreendidos e um adulto foi preso, suspeitos de cometer os crimes. De acordo com a Polícia Civil, as meninas foram amarradas e amordaçadas, e durante duas horas sofreram violência sexual. Após os estupros, o maior de idade jogou as meninas ainda amarradas de uma altura de mais de 6 metros, segundo informou o delegado responsável pelo caso. Dois menores, a mando do maior, desceram até onde elas estavam e apedrejaram-nas na cabeça, com o intuito de matá-las. Os suspeitos responderão pelos crimes de estupro, homicídio, tentativa de homicídio, corrupção de menores e associação criminosa, com agravantes como feminicídio. Se julgados culpados, os menores poderão ficar detidos até no máximo três anos, como previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente. O julgamento dos menores está previsto para ocorrer amanhã (11) no Fórum da Cidade. O inquérito do maior de idade ainda não foi entregue à Justiça.
Fonte:Agencia Brasil 

Mulheres Negras e Pobres Não se Sentem Representadas na Mídia .Afirma Pesquisa

 “O que mais incomoda são as propagandas que usam o corpo da mulher pra vender um produto. Um clássico, claro, são as de cerveja”, afirma uma universitária de São Paulo.
Uma pesquisa realizada pela pela Énois | Inteligência Jovem, em parceria com os institutos Vladimir Herzog e Patrícia Galvão, com mais de 2.300 mulheres de 14 a 24 anos, das classes C, D e E buscou entender como a violência contra a mulher e o machismo atingem.
Os números mostram que 74% das entrevistadas afirmam ter recebido um tratamento diferente em sua criação, por serem mulheres; 90% dizem que deixaram de fazer alguma coisa por medo da violência, como usar determinadas roupas e frequentar espaços públicos; e 77% acham que o machismo afetou seu desenvolvimento.
Além da educação familiar, outro fator importante na criação e reprodução de estereótipos femininos é a mídia. Se no dia a dia a mulher ideal é “casta”, tem poucos parceiros ao longo da vida e “se dá o respeito”, na mídia seu corpo é objetificado e hiperssexualizado. 86% das entrevistadas afirmam não se sentirem representadas na mídia e os motivos são os mais diversos. “O que mais incomoda são as propagandas que usam o corpo da mulher pra vender um produto. Um clássico, claro, são as de cerveja”, afirma uma universitária de São Paulo.
A estereotipação não se limita ao corpo: “[Na mídia,] a mulher está sempre como a que gosta de casar, ter filhos, cuidar da casa, faz ‘coisas de mulher’. É a que não entende de ciências exatas e não sabe trocar uma lâmpada”, afirma jovem de São Paulo. “Todas brancas são ricas. Pobre e/ou negra é a empregada”, comenta uma jovem de 21 anos, sobre o racismo na dramaturgia televisiva. Alimenta-se, então, um ideal de cor, cabelo e corpo que implicam um enorme sacrifício por parte das mulheres e problemas de autoestima.

Meu feminismo está cansado

Por: Larissa Santiago

Sabe quando você olha para o lado, olha para o outro e não vê saída? É assim que o meu feminismo está se sentindo hoje.
E falo do meu feminismo, porque não estou aqui denominando correntes teóricas, vertentes liberais ou conservadoras, anarquistas ou estatais: o MEU feminismo, individual e particular está cansado! Exausto de perceber como diariamente ele é bombardeado por atos minuciosamente racistas e machistas, por piadinhas infames e assédios escancarados. Sendo minado cotidianamente por comportamentos de amigos e companheiros de luta escrotos que se acham no direito de me dizer como lutar, o que dizer, como reagir. Debilitado com a enxurrada de assassinato de mulheres, com o genocídio de crianças e jovens negras e negros, com o cinismo estampado e orgulhoso dos transfóbicos e lesbofóbicos de plantão.
Meu feminismo está cansado de paz. De ter pedidos implorados, quase rezados de calma, paciência e sororidade – essa, usada apenas em momentos convenientes, covardes e violentos. De não ser ouvido quando reage e de ser solenemente ignorado quando tenta explicar paciente que não é bem assim.
 “(…) ARMADAS DE SUA NOVA CONSCIÊNCIA DA QUESTÃO DE RAÇA, DA DISPOSIÇÃO DE CONFESSAR QUE SUA OBRA NASCE DE UMA PERSPECTIVA BRANCA (GERALMENTE SEM EXPLICAR O QUE ISSO SIGNIFICA), ELAS ESQUECEM QUE O PRÓPRIO ESTUDO DE RAÇA E DO RACISMO NASCEU DO ESFORÇO POLÍTICO CONCRETO DE FORJAR LAÇOS SIGNIFICATIVOS ENTRE MULHERES DE DIFERENTES RAÇAS E CLASSES SOCIAIS. MUITAS VEZES, ESSA LUTA É COMPLETAMENTE IGNORADA. (…) AS BRANCAS IGNORAM A RELATIVA AUSÊNCIA DAS VOZES DE MULHERES NEGRAS, QUER NA CONSTRUÇÃO DE UMA NOVA TEORIA FEMINISTA, QUER NAS REUNIÕES E ENCONTROS FEMINISTAS.”*
Cansado de tentar entender o outro lado, o lado daquele que tem o privilégio, que não sente na pele, que não tinha parado pra pensar nisso. Cansado de ser pedagógico e dócil, de ser educado e polido.
De ser chacoteado e humilhado, risível e caricato: Meu feminismo está cansado!
De andar do lado de quem não me considera, de quem fala por trás dos meus, de quem pouco se importa se quando a polícia chegar vai prender os pretos. De criminalizar as ocupações de mulheres negras e pobres e bater palma para as resistências limpas e brancas. Ele tá cansado de ser ombro amigo das crises pessoais, mas ser pouco acolhido. Cansado de ocupar espaços festivos, mas ser pouco festejado. Cansado de ser pouco praticado. É assim que tem estado meu feminismo, de uns tempos pra cá.
Cansado de ser cobrado, de ter que estar presente em todos os manifestos, palestras, ocupações e festas. Sempre sendo solicitado, chamado, precisado. Imerso em conflitos de todos os lados: do lado do opressor e do lado de cá, das oprimidas! Afundado num lamaçal de falsidade, tristeza, mágoa e pouca solidariedade. Queria poder dizer diferente, mas hoje, o meu feminismo queria descansar.
Ele queria poder ser abraçado e ouvido por um momento e assim, quem sabe, ressurgisse mais forte e revigorado. Meu feminismo queria um banho quente e uma massagem nos pés, e por um tempo, pensar nas conquistas e avanços, nas vitórias e alegrias. Rir um sorriso sincero e bem dado, comemorando as felicidades todas.
Mas esse dia ainda não chegou. Não sei se ele estará aqui quando chegar, confesso. Enquanto isso, ele se mantem sonhando… Se recuperando dos ferimentos e fraturas das porradas do dia-a-dia, com pequenos balsamos diários de afeto das poucas mulheres. Por enquanto o meu feminismo despedaçado vai sendo colado com uma cola bem fininha de solidariedade e carinho.
Mas o que ele queria mesmo era descançar.
*bell hooks, 1ª edição 2013. De mãos dadas com minha irmã: Solidariedade feminista. Ensinando a transgredir – A educação como prática para a liberdade.
Imagem destacada: Black Beautiful Page.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Negros e Negras Estão Apenas em 18% de Cargos de Destaque no Brasil

Negros são 50,7% da população, mas ainda são pouco presentes na elite brasileira. O que se constata nos passeios pelos redutos da elite paulistana bate com o levantamento feito pela Folha com 1.138 profissionais em postos de destaque na política, saúde, artes, Judiciário, universidade e política.
A pesquisa foi feita de acordo com os critérios do IBGE, que pede uma autodeclaração de cor aos entrevistados no Censo. O órgão divide a pele da população brasileira em cinco categorias: branca, preta, amarela, parda e indígena. Foram consideradas negras as pessoas de pele preta e parda. Quem não respondeu ao levantamento da Folha foi classificado com base em fotos.
EXCEÇÃO
Nas 20 maiores empresas do país, apenas um presidente se considera pardo, Marcelo Odebrecht. "Mais que preconceito, [o fato de haver poucos empresários negros] reflete nossa realidade socioeconômica e o acesso à educação", afirma o diretor-presidente do conglomerado de empresas de construção. No setor de micro e pequenas empresas, o cenário é diferente. Negros são proprietários de metade dos negócios no Brasil, segundo estudo do Sebrae divulgado em abril. Contudo, o rendimento médio dos empreendedores brancos é 116% maior que o de negros, que se concentram em ramos de menor lucratividade, como os setores agrícola e de construção. Segundo Marcelo Paixão, negro, professor de economia da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), a situação é mais complexa. "É importante analisar a relação entre raça e renda também pelo ângulo das outras dimensões que a pobreza pode assumir, principalmente a pobreza da representação. Na política, nas artes, na mídia", diz.
REPRESENTATIVIDADE
Dos 513 deputados federais eleitos em 2014, 80% são brancos. Na Justiça, a prevalência dos brancos é ainda maior: 25 dos 29 ministros do Superior Tribunal de Justiça são brancos, três são pardos e um, preto. Todos os 11 ministros do Supremo Tribunal Federal, a corte máxima do país, são brancos, desde que Joaquim Barbosa se aposentou. 
O ministro aposentado Carlos Alberto Reis de Paula, 71, que foi o primeiro presidente negro do Tribunal Superior do Trabalho, afirma que os casos de racismo se repetiram ao longo de sua vida. Ele lembra, em especial, quando foi impedido de entrar em um clube em 1967. "As coisas para nós, negros, eram mais difíceis. A gente tinha que lutar mais, tinha que se empenhar mais, tinha que provar para os outros que éramos capazes." Na música erudita, a situação é parecida. 
A Osesp (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo), considerada uma das mais importantes da América, tem entre os brasileiros de seu coral 29 brancos (63%), 15 cantores negros (33%), um amarelo e um indígena. A televisão também conta com uma representação baixa da população negra. As cinco novelas inéditas em exibição na rede aberta têm apenas 15% de atores negros, contra 85% de brancos. 
Ailton Graça, 50, negro e ator da TV Globo, diz que se considera um sobrevivente em um país racista. "Quando eu estava no ginásio, conseguia contabilizar que 60% eram negros. No colegial já diminuía, eram 10%. Na faculdade, talvez eu fosse o único negro. Você começa a perceber que alguma coisa está estranha."
REPRESENTATIVIDADE
Dos 513 deputados federais eleitos em 2014, 80% são brancos. Na Justiça, a prevalência dos brancos é ainda maior: 25 dos 29 ministros do Superior Tribunal de Justiça são brancos, três são pardos e um, preto. Todos os 11 ministros do Supremo Tribunal Federal, a corte máxima do país, são brancos, desde que Joaquim Barbosa se aposentou. 
O ministro aposentado Carlos Alberto Reis de Paula, 71, que foi o primeiro presidente negro do Tribunal Superior do Trabalho, afirma que os casos de racismo se repetiram ao longo de sua vida. Ele lembra, em especial, quando foi impedido de entrar em um clube em 1967. "As coisas para nós, negros, eram mais difíceis. A gente tinha que lutar mais, tinha que se empenhar mais, tinha que provar para os outros que éramos capazes." Na música erudita, a situação é parecida. 
A Osesp (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo), considerada uma das mais importantes da América, tem entre os brasileiros de seu coral 29 brancos (63%), 15 cantores negros (33%), um amarelo e um indígena. A televisão também conta com uma representação baixa da população negra. As cinco novelas inéditas em exibição na rede aberta têm apenas 15% de atores negros, contra 85% de brancos.
Ailton Graça, 50, negro e ator da TV Globo, diz que se considera um sobrevivente em um país racista. "Quando eu estava no ginásio, conseguia contabilizar que 60% eram negros. No colegial já diminuía, eram 10%. Na faculdade, talvez eu fosse o único negro. Você começa a perceber que alguma coisa está estranha."
Fonte: Folha

Pesquisa Aponta que Milhares de Mulheres são Vítimas de Agressões de Homens Conhecidos

Resultado de imagem para fim da violencia contra mulherQuando uma mulher sofre violência no Brasil, é mais comum que o agressor seja um conhecido do que um desconhecido. A constatação foi feita pela Pesquisa Nacional de Saúde, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O estudo mostra que 2,7% das mulheres maiores de 18 anos foram agredidas por desconhecidos nos 12 meses anteriores ao questionário, realizado em 2013. Quando o agressor é alguém conhecido da vítima, o índice sobe para 3,1%. O oposto ocorre com o sexo masculino. Agressores desconhecidos vitimaram 3,7% dos homens brasileiros maiores de idade, enquanto os conhecidos foram responsáveis por 1,8%. Em números absolutos, agressores conhecidos atacaram 2,4 milhões de mulheres e 1,2 milhão de homens nos 12 meses da pesquisa. Já os desconhecidos agrediram 2,5 milhões de homens e 2 milhões de mulheres. Os números são projetados para toda a população com base nos resultados do questionário e têm um intervalo de confiança de 95%. Os números variam de acordo com as regiões e estados. A violência contra mulheres por parte de conhecidos é maior no Norte (3,9%) e no Sul (3,7%). O Rio Grande do Norte é o estado que registra o maior índice de agressões, com 6,2%. O Mato Grosso do Sul tem o menor percentual, 1,7%. Já a violência contra os homens por parte de desconhecidos chega a 5,9% no Norte. O Pará apresenta o maior índice (6,7%) e o Amazonas, 6,6%. No caso das mulheres, o maior percentual de agressões é registrado no Amapá, com 5,7%. O total de brasileiros com mais de 18 anos agredidos por desconhecidos, no período de 12 meses, apurado pela pesquisa foi 3,1%. No caso dos conhecidos, o índice ficou em 2,5%. As regiões Norte, Nordeste e Sul têm as maiores proporções de agressões por conhecidos, 3,2% para a primeira e 3% para as demais. No Sudeste, o percentual é 2%, e no Centro-Oeste 2,6%. Quando analisadas as agressões promovidas por desconhecidos, o Norte mantém o primeiro lugar, com 5%. O Centro-Oeste aparece em segundo, com 3,4%, e o Nordeste, em terceiro, com 3,2%.
Segundo a pesquisa, 1,9% dos brasileiros foram agredidos por bandido, ladrão ou assaltante nos 12 meses anteriores à pesquisa. O índice de homens (2,1%) supera o das mulheres nesse tipo de violência (1,8%). As agressões desse tipo foram mais comuns no Norte, com 3,8%. Em segundo lugar aparece Nordeste, com 2%.
Fonte: EBC/ IBGE