quarta-feira, 29 de abril de 2015

Entrevista com Filomena Delgado - Ministra da Familia e Promoção da Mulher de Angola

Resultado de imagem para Angola: Ministra diz que Executivo promove e protege a mulher e a famíliaLuanda - O Ministério da Família e Promoção da Mulher regista "grande avanço", pelo fato de as questões ligadas às mulheres terem enquadramento nas políticas e programas do Executivo, admitiu a titular da pasta, Filomena Delgado, em entrevista exclusiva à Angop a propósito dos 40 anos da independência nacional, a comemorar-se a 11 de Novembro. 


ANGOP: Qual o ponto de situação do sector ao longo dos 40 anos da independência nacional?

Filomena Delgado (FD) - Se formos a fazer uma análise do que é que as mulheres, famílias, ganharam com a independência, levaríamos a uma incursão histórica muito longa, mas podemos resumir em poucas palavras. Em primeiro lugar, foi o reconhecimento do papel que as mulheres desempenharam ao longo de todo processo. Muitas mulheres participaram naquele movimento nacionalista, muitas como vítimas das prisões e das cevícias que os seus companheiros sofreram e muitas delas também começaram a desempenhar acções para contrapôr o poder político.

Numa segunda fase, podemos ver mulheres a participar no processo de luta de libertação nacional, como administrativas, professoras, enfermeiras e, mais tarde, como guerrilheiras. Isto, após a independência, consumou-se neste reconhecimento que já referi e a partir daí a luta tomou outro  caminho no sentido de se afirmar em emancipação da mulher,  respeitar os directos humanos das mulheres e depois toda a luta também enquadrada no movimento internacional que ganhou corpo a partir de 1975. Foi aí que todo mundo e o nosso país não fugiu à regra criamos condições para que se pudessem inserir as mulheres no processo. Primeiro da reconstrução nacional e agora na fase do desenvolvimento.  É assim que surge o que nós chamamos mecanismos nacionais para o avanço da mulher.  
Resultado de imagem para Angola: Ministra diz que Executivo promove e protege a mulher e a famíliaComeçamos com uma Secretaria de Estado, hoje temos um Ministério, com assento no Conselho de Ministros.

É um grande avanço no sentido das questões ligadas às mulheres no enquadramento em política e programas do nosso Executivo. Em termos de participação pública e política das mulheres, temos ainda algumas. Não digo deficiências, mas em termos de género a participação na Administração Pública favorece mais os homens do que as mulheres. Daí que temos índice muito elevado de mulheres no sector informal.

Na participação política, estamos bem no parlamento. Mas no Executivo central e local ainda não atingimos os 30%, o que implica dizer que é uma área também que merece muito trabalho. Em relação às condições sócio-económicas, há algumas dificuldades, mas estas questões são transversais. Para a realização das necessidades das famílias intervêm muitos ministérios, muitos programas, muitas políticas. Todas elas para o bem estar das famílias.

Em resumo, temos uma legislação promotora e protectora dos direitos da mulher e das famílias. Estão criadas as premissas para que realmente continuemos a trabalhar no sentido de cada vez mais inserir as mulheres e beneficiar as famílias e principalmente as jovens que estão em mandato.


ANGOP:  Como está a decorrer a execução das recomendações do Fórum Nacional da Mulher Rural?

FD - A auscultação foi um processo ímpar na vida das mulheres rurais. Conseguimos auscultar, em todo o país de forma direita, 44 mil  mulheres. Depois, fizemos um fórum, uma mesa redonda com os especialistas, sobretudo académicos da sociedade civil para nos ajudar a encontrar modelo de desenvolvimento para as mulheres rurais e fruto destas iniciativas temos hoje um Plano Nacional de Desenvolvimento da Mulher Rural, já aprovado, numa primeira instância na Comissão para a Política Social. Estamos agora a trabalhar num programa executivo para 2015 e vai ser submetido ao Conselho de Ministros para aprovação.

Mais tendo em conta que muitas das questões que elas levantaram já estão contempladas no Plano Nacional de Desenvolvimento, há muitas acções em curso, porque as de forma dispersa o programa vem fazer novidade da harmonização de todas as políticas existentes nos programas para que tenhamos maior eficiência na realização de todos estes processos.


ANGOP: Durante a realização do XII Conselho Consultivo frisou que há aumento no número de casos de violência doméstica. Pode avançar números de 2014 e o primeiro trimestre de 2015?

FD – Em 2014, recebemos cerca de oito mil casos. No primeiro trimestre, estamos agora a consolidar os dados. Hoje não é só o Ministério da Família que lida com as questões da violência. Já temos uma Comissão Inter-Ministerial, onde também participam algumas associações como a Ordem dos Advogados e outras organizações femininas. Então, estamos a compilar os dados, porque a violência continua a preocupar-nos, sobretudo, aqueles casos que têm a ver com a fuga à paternidade, a prestação de alimentos e a expropriação das propriedades das famílias. São casos que realmente interferem muito de forma negativa no gozo do exercício dos direitos das vítimas, quer mulheres, quer homens. Na perspectiva do género, as mulheres são ainda as maiores vítimas. Agora acabei de intervir num caso bastante chocante, onde as pessoas ainda recorrem à justiça por mãos próprias. É uma das áreas que realmente já se fez muito em termos de sensibilização, de divulgação das políticas existentes para elaboração da política contra a violência. Mas, em termos práticos, é matéria que nos dá, desculpem pela expressão, “muita dôr de cabeça”, porque são casos práticos diários, pelos quais ainda temos muito que fazer. Esta é a parte mais delicada que registamos.


ANGOP: Quando se referiu à participação na Administração Pública, disse que a mulher continua a ser a menos favorecida do que os homens. O que se deve fazer para mudar este quadro?

FD – É continuar a trabalhar. Já temos uma política para igualdade do género, que é um instrumento que vai ajudar a harmonizar a sociedade, garantir a igualdade e oportunidades. Temos ainda outros factores, como culturais e alguns comportamentos que interferem. Há pessoas que se queixam que os maridos não deixam trabalhar. Vivi essa experiência a semana passada no Huambo. Há mulheres que se inibem em desenvolver qualquer actividade extra-doméstica. Muitas das vezes porque tem o peso doméstico na criação e educação dos filhos.

Outras das vezes, elas preferem apoiar mais os esforços da família e prejudicam-se a si próprias ou deixam de estudar. No trabalho então muitas vezes isso intervem. O nosso esforço é no sentido de que as mulheres conheçam realmente os seus direitos, as oportunidades que têm e serem elas próprias a decidir o que devem fazer da sua vida. Mas se nós estivermos a fazer advocacia no sentido de termos uma sociedade harmoniosa, é justo que as mulheres tenham as mesmas oportunidades que os homens.


ANGOP:  Há pouco disse que a mulher é a mais vítima na violência doméstica. Os homens também são vítimas?

FD – Sim, há também muitos homens vítimas da violência doméstica e, se quiserem ter um exemplo prático, aconselho-vos a visitarem a cadeia de Viana para verem quantas mulheres estão detidas por terem morto os seus esposos. Nesta camada, nós também estivemos a fazer uma análise. O factor educação intervem muito no comportamento delas. A falta de emprego, a tolerância chega ao limite e às vezes a emoção fala mais alto que a razão, daí termos muitos casos que estamos a encontrar.

Devemos ver os casos, sabemos que a violência gera violência, mas o nosso papel enquanto executivo, enquanto profissionais nesta matéria, é no sentido de chamar sempre atenção para em situações como estas recorrer sempre à justiça.


ANGOP: Senhora ministra referiu que um dos factores que tem levado à violência é a falta de educação. O que é que o sector tem feito para ajudar na alfabetização dessas pessoas?

FD - Nós fazemos parte de algumas campanhas de alfabetização. Temos alguns parceiros no terreno e a nível só do Ministério da Família e Promoção da Mulher já alfabetizamos mais de 20 mil mulheres e algumas jovens, porque há zonas em que há muitos jovens (do sexo feminino e masculino) que não vão à escola por vários condicionalismos. Estes também são enquadrados. De resto, essa é uma matéria que tem mais a ver com o Ministério da Educação. Fizemos parte de uma comissão para aceleração da alfabetização e é neste âmbito que trabalhamos. Temos alguns programas de formação, não tanto de formação académica, mas profissional de base para garantir os pressupostos mínimos para que as pessoas recorram ao auto-emprego.

Temos um Centro de Formação no Rangel. Estamos a fazer uma formação com jovens e a nível sócio-económico estamos a aproveitar da micro-indústria alguns conhecimentos tradicionais para o fabrico de sabão, mel, processamento alimentar, sobretudo, frutas e compotas com parceria do Fundo das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação e do Brasil. É um projecto que vai decorrer no país num esforço para depois as pessoas criarem os seus pequenos negócios e também fazerem outras coisas práticas, como o fabrico de bijuterias para fomentar o micro-empreendedorismo e depois as pessoas irem ao encontro do emprego.


ANGOP: E quanto à equidade e igualdade no género?

FD – A participação da mulher não se cinge apenas a números.  Falamos da participação em termos quantitativos, mas em termos qualitativos, mas também há outras questões de índole social e económica que fomos referindo aqui que têm a ver com a questão da igualdade, por exemplo, no emprego e acesso aos inputs agrícolas, o acesso à terra. Enfim, tudo aquilo que realmente é necessário para desenvolver projectos para a melhoria da qualidade de vida das populações. Portanto, género não significa apenas números, não significa apenas o aspecto político.

Ao nível de todos os países do mundo, viu-se que houve mais atenção às questões políticas e menos atenção aos aspectos sociais e económicos. Por isso é que agora na agenda do desenvolvimento sustentável, após 2015, vai se reverter um bocadinho, razão porque se chama Agenda de Desenvolvimento Sustentável, no sentido de se dar mais atenção aos aspectos económicos e sociais. Os aspectos políticos e sociais têm de estar de “mãos dadas”, pelo que quanto menor for o empoderamento das mulheres em questões sócio-economicas mais dificuldades nós temos de colocá-las nos órgãos de decisão. Portanto, são questões que têm de estar trabalhadas em paralelo.


ANGOP: Em que domínios mantêm parceria com a União Europeia?

FD - Nós ministério não beneficiamos directamente do apoio da União Europeia. A União Europeia está a trabalhar num programa, acho através do Banco Mundial, em projectos que têm a ver ao acesso das populações à Água e Energia. Há um outro projecto que tem a ver com o apoio às associações não governamentais.

A União Europeia está a apoiar o programa “Mosapo” que tem a ver com o desenvolvimento da agricultura familiar voltada para o mercado. Esse novo desenho que foi feito, próprio de 2015/2017,  se não me engano, tem uma componente de género muito acentuada. Também estamos a acompanhar e fizemos parte da elaboração deste documento, porque quando estamos a falar da agricultura familiar, obrigatoriamente estamos a falar das mulheres. São elas que mais produzem no meio rural. Há outro projecto da União Europeia que tem a ver com o emprego e a juventude, mas isto tem mais a ver com o Ministério da Juventude e Desportos.


ANGOP: Como encara a situação da mulher no meio rural?

FD - Ainda é penosa. Por isso é que houve a preocupação de sua Excelência Presidente da República, em orientar a auscultação da mulher rural para ouvirmos, de voz viva, por elas próprias, as suas dificuldades. Esta auscultação resultou em 50 recomendações, das quais a pesquisa feita à volta do Programa Nacional de Desenvolvimento. Conseguimos identificar 226 acções para mulheres rurais, muitas das quais já em curso e vamos dar continuidade quando for aprovado esse programa de desenvolvimento da mulher rural.

Mas as mulheres trabalham ainda de forma penosa, com uma sobrecarga muito grande para a sua saúde, com muitos limites para a formação sócio-profissional. Tem um desgaste muito grande à procura de bens necessários para a sua gestão doméstica.

Refiro-me ao acesso aos combustíveis, sobretudo carvão, lenha, ir buscar água. Enfim procurar os mantimentos. Muitas delas vão à lavra e têm que deixar as meninas de tenra idade aos irmãos mais novos a tomar conta dos outros, dos lares. É preciso realmente reconhecer que o trabalho é árduo. É preciso acompanhar a situação, para que elas, numa perspectiva de igualdade, tenham também uma perspectiva de condições de vida.


ANGOP: A formação de activistas tem como meta em 2015 cinco mil activistas. Em 2014 foram formados 601. Como é que estão agora os números? Cresceram?

FD – Não. Neste primeiro trimestre, ainda não fizemos nenhuma formação de destaque, próprio da conjuntura em que estamos a viver em termos orçamentais. Mas tivemos de rever as nossas metas para reajustarmos ao momento actual.


ANGOP: Ainda da violência doméstica. Disse que a situação é bastante preocupante... e os programas de aconselhamento jurídico?

FD – É uma das áreas mais dinâmicas. Por isso é que muitas vezes o Ministério é conotado como um órgão muito voltado para as questões da violência doméstica. Essa é uma matéria que inspira mais cuidados. No país, temos salas de atendimento, muitas delas não trabalham em condições desejáveis.

O que estamos a primar é que tenhamos, de acordo com a recomendação do PND (Plano Nacional de Desenvolvimento), dois centros de aconselhamento de referência e nas províncias cada município, em princípio, deverá ter um centro de aconselhamento, para podermos atender as pessoas com mais dignidade.

Não trabalhamos só com juristas, trabalhamos também com outras sensibilidades, profissões como psicólogos e sociólogos. Assinamos agora um protocolo com a ordem dos psicólogos. Trabalhamos com a Ordem dos Médicos e o nosso grande parceiro tem sido o Ministério do Interior, através da DNIC, por causa dos casos de crimes que chegam ao nosso conhecimento.

Há outros que vão directamente para a DNIC, porque há uma sala de atendimento às vítimas de violência doméstica. Portanto, é uma das áreas que tem mais apoios, mesmo em termos orçamentais, para podermos dignificar as vítimas e tentar inserí-las no mercado de trabalho.

Por isso é que agora a abordagem e o atendimento à violência não fica pelo atendimento e o encaminhamento, se calhar para dar solução aos casos. Fazemos um alinhamento sobre políticas públicas, principalmente naqueles casos em que a base tem a ver com a violência e com a pobreza.

Estamos a ver, para junto de políticas públicas, como enquadrar quer o agente naqueles casos em que comete crimes. Essa também é uma área nova que prevê o atendimento ao agressor. Se for uma questão de crime, claro que ele tem de pagar pelo crime. Se for uma questão meramente de conduta ou atitude é reabilitar essa pessoa para reinserí-la na sociedade.


ANGOP: Citou números de casos em 2014. Desses números, tem alguns casos com autores punidos?

Resultado de imagem para Angola: Ministra diz que Executivo promove e protege a mulher e a famíliaFD - Tem sim. Posso avançar, mas assim de memória não tenho.  Foram punidos já acima de 500. Uns têm a ver com as violações sexuais. Estamos a ter muitos casos de incestos, depois temos casos de homicídios. Nas questões cíveis temos fuga à paternidade, que lidera os índices de violência.


ANGOP: Nos casos de incesto, o que é que o ministério está a fazer para diminuir o índice?

FD - Isso é mesmo caso de Polícia. Quando temos conhecimento encaminhamos para o Departamento contra a Violência da DNIC, para o tratamento devido. Isso é mesmo crime, sobretudo, naqueles casos em que são os próprios pais a violar suas filhas. Muitas vezes resultam no nascimento de uma criança, mas há meninas por desespero, vergonha, às vezes recorrem aos abortos. Há muitas implicações e o tratamento tem de ser mesmo com a DNIC.


ANGOP: No país, registam-se casos em que pais deixam de prestar alimentos aos seus progenitores e há outros em que crianças são abandonadas. Que medidas nessa situação?

FD – Seria nosso desejo que realmente essas questões não acontecessem. Temos dito que as crianças não pedem para vir ao mundo e se uma mãe teve a coragem de aguentar os nove meses de gestação, no momento em que dá a vida deve proteger essa vida. Se não há condições de criar a criança, deve recorrer as instituições existentes para que realmente esta criança não seja vista como ser indesejado. Ao contrário, na tradição africana nós vemos que a criança é uma bênção de Deus. Então devemos agradecer independentemente como ela vem ao mundo.

Há casos preocupantes de mães que abandonam os seus filhos ainda na fase de amamentação. Há aqueles casos em que elas também, as mães, abandonam por desespero, porque se o pai não cuida, também ela não cuida. Há muito trabalho de sensibilização, sobretudo, quando os casos são conhecidos os progenitores. Mais complicado é quando não se sabe os progenitores. Mas é um trabalho de sensibilização que o Ministério faz com o Instituto Nacional da Criança (INAC), para que possamos evitar esses casos. Infelizmente, o ser humano às vezes age de acordo com os seus sentimentos, suas emoções, mas são trabalhos que têm de ser feitos diariamente.

 

Tecnologia pretende conectar comunidades sem acesso à internet

Resultado de imagem para Tecnologia pretende conectar comunidades sem acesso à internetUma tecnologia inovadora no Brasil pretende conectar comunidades sem acesso à internet por meio de celulares simples e até mesmo telefones públicos. O sistema chamado VOJO possibilita a transmissão de informações sem precisar acessar a internet ou estar conectado a computadores. Tudo isso, somente por meio de um número 0800. O projeto quer formar líderes comunitários em cinco capitais do país. Salvador vai sediar a primeira oficina, a primeira experiência na América do Sul.

O sistema nasce o anseio de dar voz para a população e, para isto, permite postagem em blogs e redes sociais por meio de celular básicos ou até mesmo de telefones públicos. Essa é uma ferramenta muito útil para comunidades indígenas, quilombolas, assentamentos rurais e outros. Com ela, a comunidade não precisa de mediação para fazer com que sua voz seja ouvida, o projeto vai à base da pirâmide social visando a democratização da comunicação.

Resultado de imagem para Tecnologia pretende conectar comunidades sem acesso à internetO projeto, promovido pelo Instituto de Mídia Étnica (IME), com apoio da Fundação Ford, foi lançado nesta terça (28) na Bahia. Além de Salvador, líderes comunitários de outras quatro capitais brasileiras (São Luís, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo) terão oportunidade de aprender a utilizar o sistema que permite postagem de conteúdo utilizando aparelhos celulares simples mesmo sem acesso à Internet. Essa tecnologia foi criada por pesquisadores vinculados ao Media Lab do Instituto de Tecnologia de Massachussets (MIT), prestigiada universidade dos Estados Unidos.

A primeira oficina-piloto do VOJO aconteceu no final de 2014 na Ilha de Maré, distrito de Salvador, localizada na Bahia de Todos-os-Santos. Jovens, marisqueiros e líderes quilombolas da região tiveram contato com a tecnologia e produziram as primeiras matérias denunciando, inclusive, ameaças de poluição ambiental provocadas por navios petroleiros. 

Depois de ser lançado em Salvador, o IME vai oferecer oficinas do VOJO em São Paulo e em mais três capitais.

Fonte: EBC / Plurale/ expoornews .......

Dermatologista Gaúcha é Única Especialista : A Fada da Beleza Negra

00abfa67“Tudo que as pessoas diziam não fazer por ser pele negra, eu dizia: eu faço”, conta dermatologista conhecida como fada da beleza negra.

Na agenda da dermatologista gaúcha Kathleen da Cruz Conceição, constam nomes como Lázaro Ramos, Taís Araújo, Preta Gil, Cris Vianna, Thiaguinho, Juliana Alves e Érica Januzza. Eles fazem parte de um time de famosos que entrega o rosto e o corpo aos cuidados da médica. O motivo de tanta credibilidade e confiança tem razão de ser: Katleen é a única dermatologista brasileira especializada em tratamentos para a pele negra.

Mas nem tudo foi tão simples. Ela sofreu com o preconceito até alçar voos altos na carreira profissional. Leia o depoimento da dermatologista:
“Fui fazer Medicina por causa do meu pai, João Paulo Conceição, que também é dermatologista. Ele é minha referência e sempre incutiu essa ideia da Medicina na cabeça dos filhos – tenho mais três irmãos -, mas só conseguiu comigo. Eu me preparei e passei para a Universidade de Teresópolis (RJ). Fui fazer pediatria.

Uma vez, num sábado de Carnaval, estava de plantão e nenhum outro médico apareceu. Atendi 300 crianças. Fiquei transtornada. Naquele dia, meu pai me disse: “A partir de hoje você vai parar com a pediatria, vai ser dermatologista”. Eu já tinha uma afinidade com essa coisa de pele.

"Juliana Alves faz tratamento com laser para uniformizar a pele" (Arquivo pessoal)Terminada a faculdade, fiz mais dois anos de pós em dermatologia e fui trabalhar com meu pai – que sempre foi muito exigente comigo. Depois, fui para o Hospital do Exército. Lá fiquei durante sete anos, como tenente, e ganhei um conhecimento importante sobre doenças – tratei desde a pessoa mais humilde à de maior patente. Depois voltei a trabalhar com o meu pai – que, desta vez, me aconselhou a fazer estética. Eu sabia que esta não é uma especialidade muito respeitada na medicina, muita gente faz pensando em ganhar dinheiro. O meu objetivo era me aprofundar na dermatologia. Era tão dedicada, levava tão a sério que em pouco tempo virei professora do curso.

 Mas, quando virei chefe, sofri muito preconceito: era muito jovem, dermatologista e negra. Não gostavam de mim, mas não podiam me tirar porque eu dava credibilidade ao curso. Então, eles me escondiam. Quando apareciam pacientes negros, mandavam para mim com o seguinte raciocínio: ‘Manda pra Katleen porque ela também é negra’. Fiquei lá cinco anos, mesmo sofrendo preconceito, e aprendi muito. Tudo o que as pessoas diziam que não faziam por ser pele negra, eu dizia: ‘Eu faço’. Foi a minha escola.

 Dali em diante comecei a me especializar ainda mais, a fazer muitos cursos lá fora. Naquela época eu já atendia Juliana Alves, Benedita da Silva. Mas a minha vida mudou quando atendi Mercedes Araújo, mãe de Taís Araújo, que sofria com uma patologia do rosto. Fizemos um tratamento com laser e ela ficou curada. A Mercedes me perguntou quem eu queria tratar, e respondi Lázaro Ramos e Isabel Filardis. Exatamente nesta época o Lázaro ia fazer a novela Insensato Coração, vivendo um cara megachique. Ele veio cuidar da pele comigo e começou a me mandar muita gente.
 
"Lázaro Ramos gosta de cremes para a barba. Ele tinha foliculite, que foi tratada e hoje está muito bem controlada" (Arquivo pessoal)Hoje, estou numa das melhores clínicas da América Latina (a Clínica Dermatológica Paula Bellotti, no bairro carioca do Leblon), com os melhores equipamentos e lasers. Uma vez por mês vou a São Paulo, e no Rio atendo de terça a sexta. O que me motiva todos os dias é a coisa da representatividade, é as pessoas chegarem aqui e se sentirem estimuladas quando me veem. Elas dizem: ‘Puxa, doutora Katleen, que legal a gente ver uma negra que conseguiu, que estuda’. Fiz um trabalho voluntário para o Hospital de Bonsucesso, na zona norte do Rio, durante quatro anos, gosto de atender pessoas carentes. Depois fui para a Santa Casa e até hoje estou lá, atendo com preços mais baratos pessoas que não podem estar no meu consultório do Leblon.”


INFÂNCIA
“Minha família veio para o Rio de Janeiro quando eu tinha três anos, meu pai é militar, coronel médico, sempre moramos na Zona Sul. Os meus irmãos estudavam em colégio militar e eu, no colégio alemão. Meu pai sempre me dizia: ‘Você é linda, você é a menina mais linda do colégio’. Mas meus pais sempre me botaram muito nude, cor de unha bege, cabelo arrumadinho, preso. Isso mascarou um pouco a negritude. Transitei no meio dos brancos, mas sempre tive o lado da negritude muito forte, porque meu pai é assim. Ele me preparou para essa guerra. Sempre fui muito impositiva, e a única coisa que fazia com que eu me sentisse um pouco inferior era o cabelo. Claro que isso era um problema pra mim – todo mundo caía na piscina, lavava e o cabelo estava ok. E eu ficava lá secando, fazendo outras coisas para ficar legal. Isso me abalava.”

Fonte e texto : revistadonna


SUPERAÇÃO
“Logo depois de formada eu namorei um cara que tinha um amigo alemão, e este namorava uma negra. Ela usava tranças de mega hair. Eu sempre me senti bonita, mas o cabelo me travava. Aí, resolvi usar as tranças também e – uau! Nossa, eu me descobri, virei outra pessoa! Hoje em dia uso interlace e não tenho problema algum em falar. Quando as minhas pacientes perguntam, eu inclusive dou o endereço da cabeleireira onde faço o cabelo.”

AMOR
“Nós moramos uma época em Manaus, quando eu tinha uns 15, 16 anos, porque meu pai era militar e moramos em algumas cidades. Lá namorei dois caras que eram os mais concorridos, eles eram apaixonados por mim. Já na faculdade, os meninos ficavam comigo na chopada, na night, mas de dia não me assumiam. Hoje sou muito bem casada, meu marido é muito bonito, tipo Diogo Nogueira (risos). Mas meu pai não me educou para casar, então eu não sei fazer nada dentro de casa. Neste sentido sou uma dondoca, não sei cozinhar, fazer nada. Tenho uma filha de oito anos, Maria Eduarda. Ela é o máximo e me acha o máximo.”

terça-feira, 28 de abril de 2015

Lançamento da revista Elas por Elas e homenagens

Na sexta-feira (24/04), foi lançada a 8ª edição da revista Elas por Elas, durante a cerimônia de entrega da Comenda Clara Zetkin, no auditório do sindicato, em Belo Horizonte. O evento, que contou com a expressiva presença de mulheres, teve vários momentos marcantes: a apresentação das principais reportagens da revista pelos jornalistas, uma intervenção teatral sobre as principais lutas e conquistas das mulheres, a entrega da comenda a dezessete mulheres, o pronunciamento de diretoras e do presidente do sindicato, as palavras emocionadas e cheias de verdade das homenageadas, a poesia, teatro, canto e um agradável momento de confraternização entre os presentes.


_ND73598A revista Elas por Elas é uma publicação anual de gênero do Sinpro Minas. Esta edição traz histórias de sindicalistas, professoras, políticas, ciganas, cabeleireiras, circenses, escritoras, presidiárias, quadrinistas, feministas e outras. “Essa revista já é uma das principais publicações de gênero do país. É uma importante ferramenta no caminho de emancipação das mulheres em Minas e no Brasil”, destacou Gilson Reis, presidente do Sinpro Minas. “Estamos muito felizes por ter essa revista como instrumento de luta”, comentou Lavínia Rosa, diretora do Sinpro e representante do Conselho Editorial da revista.

Veja aqui o PDF da Revista ELAS POR ELAS Nº 8

 Comenda Clara Zetkin

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 Durante o lançamento da revista, foi realizada também a entrega da comenda Clara Zetkin. A condecoração homenageia mulheres que contribuem para dar visibilidade, mobilizar e fortalecer a luta pelos direitos, participação política e emancipação das mulheres.
Clara Zektin foi uma feminista que nasceu em 1857, na Alemanha. Ela marcou a história pela sua atuação como feminista, sindicalista, militante política e professora, sempre em defesa da igualdade de oportunidades para as mulheres. Em 1910, durante uma Conferência Internacional de Mulheres Socialistas, em Copenhague, Clara Zetkin lançou a ideia de um dia internacional da mulher, o dia 8 de março. Sua trajetória inspirou a diretoria do Sinpro Minas que escolheu o seu nome para a comenda criada no dia 13 de fevereiro de 2012.

Veja a lista das homenageadas:

Ângela Maria da Silva Gomes - Engenheira florestal, doutora em Etnobotânica negro africana, pelo Departamento de Geografia, da UFMG. Professora do Uni-BH e militante do movimento negro e ecologista. É representante de Relações internacionais da Coordenação Nacional do Movimento Negro Unificado. Em 2013 foi indicada por notório saber para compor o Conselho Nacional de Políticas de Igualdade racial (CNPIR) e representou o Brasil na Rio+20, na mesa “Questão racial e desenvolvimento sustentável”. Em 2014 foi indicada para Comissão de reserva de vagas do MEC

Anne Carolina de Morais - Professora do ensino fundamental e médio  de escola privada de Belo Horizonte. Trabalha há 13 anos na área da educação. Em 2014 foi vítima de violência cibernética cometida por alunos dentro de sala de aula.  

Beatriz Cerqueira- Professora da rede pública e sindicalista. Coordenadora-geral do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG), é a primeira mulher eleita para a presidência da Central Única dos Trabalhadores de Minas Gerais (CUT-MG). É formada em Direito e sua militância política começou em grupos de jovens, dentre eles, a Pastoral da Juventude e o movimento estudantil. Dora Alves
Cabeleireira especializada em beleza afro, é fundadora da  Associação Meninas de Dora, que capacita e prepara jovens e adultos para o mercado de trabalho. Há mais de 40 anos se dedica a trabalhos voluntários. Em 2012, o projeto Meninas de Dora foi eleito a melhor ação social do estado de Minas Gerais e concorreu a melhor do Brasil.
 

Eli Izabel Rodrigues Santana ( Bel) - Funcionária do Sinpro Minas desde 1989. Graduada em História, com especialização em história política do Brasil e em  Desenvolvimento Social. Atuou no movimento estudantil e participou da fundação da União popular de Mulheres \ UBM, entidade que participa como ativista e diretora. É filiada ao PC do B, diretora da Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil – CTB, diretora do Sindicato dos Trabalhadores em Entidades Sindical – SITESEMG e integra o Coletivo de Mulheres de Montes Claros.

Evangelina Castilho Duarte - Desembargadora do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Foi Juíza de Direito, Juíza Corregedora e Juíza do Tribunal de Alçada de Minas Gerais. É membro do Comitê Gestor da Escola Judicial Desembargador Edésio Fernandes e professora de Direito na Faculdade de Direito da Fundação Dr Pedro Leopoldo.

Gracinha Horta - Cantora. Iniciou sua carreira em Belo Horizonte, como crooner de grandes orquestras. Com um repertório eclético interpreta grandes compositores, indo do samba ao jazz, passando pela bossa nova e consagrados nomes do Clube da Esquina como Milton Nascimento, Toninho Horta e Lô Borges. Também já dividiu o palco com grandes nomes consagrados da MPB, Emílio Santiago, Djavan e Alcione, entre outros.

Íris Maria da Costa Amâncio Kamwa - Mestre em Literatura de Língua Portuguesa, doutora em Estudos Literários/ Literatura Comparada e pós-doutora em Ensino de Literaturas Africanas. Professora universitária, pesquisadora e editora, participa de diversas iniciativas socioculturais, políticas, científicas e pedagógicas, no Brasil e no exterior, voltadas para Literaturas e Culturas Africanas e Afro-brasileira, assim como para as relações étnico-raciais. Possui artigos acadêmico-científicos e livros publicados, envolvendo ensaio, literatura infantojuvenil e suporte pedagógico para formação de professores.

Ivone Maria Vieira Santos - Motorista de ônibus. Começou  na função de cobradora e como sempre gostou de dirigir tornou-se motorista mesmo diante de vários obstáculos. Tornou-se a primeira mulher a dirigir um ônibus coletivo em Santa Luzia.

Márcia Mendonça - Professora, jornalista e pesquisadora. Leciona em programas de pós-graduação e cursos de extensão nas áreas de história, cinema e moda em instituições privadas de ensino. É co-autora do livro Binômio – edição histórica, juntamente com José Maria Rabelo, e do livro Pensar Brasil 500 anos.

Maria do Socorro Jô Moraes (Jô Moraes) - Deputada federal eleita para o terceiro mandato pelo Estado de Minas Gerais e membro do Comitê Central do PCdoB. Atualmente integra a Comissão Executiva Nacional da legenda e se destaca pela luta em defesa dos trabalhadores, dos direitos da mulher e pelo compromisso com os interesses nacionais. Em 2013 foi eleita coordenadora da Bancada Feminina da Câmara Federal. Foi vereadora de Belo Horizonte por duas vezes e deputada estadual de Minas Gerais. A militância política teve início no movimento estudantil secundarista, ainda no seu Estado natal, a Paraíba. Durante a Ditadura Militar viveu na clandestinidade. Com a anistia, Jô passou a atuar no movimento de mulheres.

Milta Ferreira de Aguiar - Natural de Carmopólis. Reside há mais de 60 anos no Bairro Nova Cintra. Viúva, matriarca de uma família de 8 Filhos, 12 Netos e 2 Bisnetas. Sua trajetória de vida é marcada por liderança comunitária, sem deixar de lado a Cultura o Esporte e o Social. Atualmente, está à frente do grupo de congado Nossa Senhora Auxiliadora, do grupo 3ª Idade Maria Mãe das Mães e é vice presidente da Creche Madre Mazzarello.

Mônica Aguiar - Blogueira, colunista, feminista e militante do Movimento Negro. É coordenadora  do Centro de Referência de Cultura Negra de Venda Nova e Coordenadora Geral do Centro de Referencia de Cultura da Mulher Negra de Minas Gerais . Também Coordenadora do Fórum Estadual de Mulheres Negras.  Foi executiva do Conselho de Participação e Integração da Comunidade Negra de Minas por dois mandatos. Executiva na Coordenação das  Iª, IIª e IIIª Conferencias de Promoção da Igualdade Racial em Minas Gerais . 

  Pollyana do Amaral Ferreira - Doula. É bacharel em Ciência da Computação pela UFMG. Militante das boas práticas no atendimento ao parto normal e eliminação da Violência Obstétrica, é ativista do Parto do Princípio e coordena o Ishtar – Espaço para Gestantes, onde oferece apoio às mulheres para o resgate e fortalecimento da autonomia feminina na conquista de um parto ativo, protagonizado e saudável.

 Sandra Regina Goulart Almeida- Professora Titular da Faculdade de Letras e Vice-Reitora da Univesidade Federal de Minas Gerais. Formada em Letras pela UFMG, possui mestrado em Literatura pela Universidade da Carolina do Norte, doutorado pela mesma instituição e pós-doutorado em Literatura Comparada pela Universidade Columbia, em Nova Iorque. É pesquisadora em diversos temas como literatura contemporânea, crítica literária feminista, estudos de gênero, literatura pós-colonial, tradução cultural, estudos da diáspora e do espaço na literatura contemporânea.

Sara Aparecida da Costa - Policial Militar/Subtenente. Foi professora da rede pública estadual. Participa das diversas modalidades de policiamento,  da formação de policiais militares femininos, da chefia da Diretoria jurídica da Associação de Praças Policiais e Bombeiros Militares e da subchefia da Seção de Assistência Judiciária da Policia Militar de Minas Gerais.

Sula Kyriacos Mavrudis- Atriz de teatro e circense. Presidente da Rede de Apoio ao Circo (RAC) e autora da obra  Encircopédia – Dicionário Crítico Ilustrado do Circo no Brasil. Desenvolve um trabalho de apoio ao circo e às famílias  circenses que enfretam graves problemas com risco de serem extintos.  O seu  livro tenta resgatar a história do circo, valorizando a arte circense.

Fonte : SIMPRO MG