segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Alto índice de assédio sexual no transporte público tem feito mulheres a se tornarem taxistas

Na Índia, projeto "Women on Wheels" ("Mulheres sobre rodas") treina mulheres a se tornarem taxistas (Foto: Reprodução Azad Foundation)
Em um país onde 40 crimes contra mulheres são registrados diariamente, um esquema simples, mas radical, tenta tornar o transporte mais seguro nas cidades de Nova Deli, Jaipur e Kolkata. Cada vez mais interessadas treinam para motoristas de táxi e visam baixar o número de assédios e estupros


As chances de encontrar um motorista homem ao solicitar um táxi nas maiores capitais do mundo são altíssimas. Mas em algumas cidades da Índia, esse cenário vem mudando pouco a pouco devido ao alto índice de assédio sexual sofrido pelas mulheres nos transportes públicos.

Para uma ONG pioneira do país, que foi considerado em 2014 o mais perigoso do mundo para uma mulher, a melhor solução para tentar reduzir essa trágica estatística tem sido colocar mais mulheres no assento do motorista.

Batizado de “Women on Wheels” (“Mulheres sobre rodas”), o projeto baseado em Nova Deli, mas que já está presente também em Jaipur e Kolkata, tem treinado dezenas de mulheres para se tornarem motoristas de táxi. Para isso, é oferecido um curso de oito meses onde as alunas, em sua maioria moradoras da periferia, aprendem inglês, autodefesa, mecânica, desenvolvem habilidades de comunicação e obtêm sua primeira habilitação.
Além da aulas práticas de direção, o projeto inclui treinamento de mecânica (Foto: Reprodução Azad Foundation)
ALÉM DA AULAS PRÁTICAS DE DIREÇÃO, O PROJETO INCLUI TREINAMENTO DE MECÂNICA (FOTO: REPRODUÇÃO AZAD FOUNDATION)


Depois de passar um ano como motorista em tempo integral de uma família que deve solicitar uma licença comercial, cada aluna passa a trabalhar para uma empresa de táxi que emprega apenas mulheres.

Segundo reportagem do jornal britânico The Guardian, muitas tomam a decisão escondida dos conhecidos por medo de serem recriminadas. Já que a profissão é vista por lá como uma ocupação exclusivamente masculina. Mas o projeto se faz necessário visto que a violência contra mulher tem crescido em proporções endêmicas no país. Em média, 40 crimes são registrados diariamente pela polícia, incluindo pelo menos quatro casos de estupro.

No início deste ano, um motorista de Uber foi condenado por estuprar uma passageira em Nova Deli. Na mesma cidade, em 2012, uma jovem de 23 anos foi estuprada por um grupo de homens dentro de um ônibus e não resistiu. O caso provocou clamor internacional e protestos por toda a Índia.

De acordo com idealizadores do projeto, visto que mais da metade dos 5,5 milhões de mulheres que entram no mercado de trabalho expressam, a cada ano, grande preocupação em relação à segurança de seu trajeto, o treinamento não só beneficia e capacita quem está dirigindo, como também faz a mulher no banco do passageiro se sentir mais segura.

Fonte: marieclaire

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