quarta-feira, 7 de outubro de 2015

SEPPIR AGORA ? TANTO FAZ COMO FEZ ANTES

Por Mônica Aguiar


Não renuncio dos meus anéis , paguei caro por eles,  com o suor do meu rosto, do meu trabalho que é desvalorizado e mais mal pago. Meus ancestrais pagaram com a escravidão. Não darei o direito de perder meus dedos, pois são eles somando a milhares que constrói diuturnamente esta nação.
Tanto errou a Presidenta Dilma, quanto nova Ministra Nilma .
Está na hora de parar de achar que todo negro por ser negro, ou toda negra por ser negra vai agir conforme nossa formação política, ideológica e de luta sem atender prioritariamente seus objetivos profissionais, seus sonhos individuais e sua vaidade.  Achar que por ser negro ou mulher vai construir com quem tem historia forjada na luta da formação da sociedade brasileira em prol da liberdade e da cidadania do povo.
 Estratégico colocar uma mulher  negra no espaço que foi construído com sangue de heroicos militantes  negros e negras e das mulheres independente da etnia.  Tão boa que acendeu o silêncio dos inocentes ou quem sabe evitou o denominado desgaste.
Mas é difícil não perceber o que ouve. Naturalizar tais definições depois de tantas andanças.
Idealizar que parcela da sociedade não perceba a perda desta conquista reparada há tão pouco tempo. Sociedade conscientizada das mazelas do sofrido abandono por todos os poderes por centenas de anos, que iniciou o processo de não permitir se  enxergar como uma insignificante peça na maquina,  mas sim como uma das chaves de ignição para dar continuidade ao processo da suficiência capacidade de sermos de fato  formuladores, formadores mesmo que tendo pouca visibilidade.
 A inércia foi de quem aceitou.  Jogou no lixo quando com sua caneta pessoal assinou e legitimou o retrocesso.  Jogou fora a minha luta, minha conquista somada com milhares. Jogou fora uma das maiores conquistas que mudou o olhar ou quem sabe a opinião do mundo sobre a responsabilidade e principalmente o papel do Estado com o povo negro.
Responsabilidades devem ser cobradas sim. Até por que eu somente vou defender quem tem em sua historia o mínimo de divergência com que eu defendo.  Quem tem responsabilidade de dialogar com todos os setores do movimento negro. Com quem me representa de fato !
E achar que fusões vão resolver os problemas que vivemos hoje. Não vai mesmo . Não foi eu mulher negra que os criei. Estou aqui não para defender apenas, mas para ser defendida no projeto politico que eu ajudei a construir.
Não é afirmar uma coisa ou outra.
Não é pior seria se assim não fosse.
Pois agora como reformou, dai sim, tanto faz como fez antes.


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