domingo, 19 de julho de 2015

Projeto Memória Homenageia pela Primeira Vez uma Mulher Negra : Lélia Gonzalez

tributo-lelia-SueliCarneiro_LucianaAraujo O projeto conta ainda com duas caixas biográficas. Uma delas traz um documentário em DVD e o livro escrito por outro ícone do feminismo negro brasileiro, a historiadora Sueli Carneiro, fundadora do Geledés – Instituto da Mulher Negra. A outra guarda dois almanaques históricos impressos contando a vida e obra de Lélia

O Centro Cultural Banco do Brasil na capital paulista foi palco da 13ª edição do Projeto Memória, desenvolvido pela Fundação educacional da empresa. Esta foi a segunda vez que o projeto homenageia uma mulher, sendo a primeira negra. Lélia Gonzalez: o feminismo negro no palco da história resgata e difunde o legado de uma figura extraordinária, que foi uma pioneira da organização feminista e internacional das mulheres negras no século 20.
No tributo realizado na última quarta-feira, o público – bastante diverso em termos políticos, geracional e racial – confirmava a importância da filósofa, historiadora, geógrafa e militante. Foi necessário abrir, além do cinema do CCBB, para onde estava programado o evento, o auditório do local, e uma grande fila ainda se formou durante as duas horas da homenagem aguardando autorização para visitar a exposição preparada em homenagem a Lélia.
Produzida em vinte réplicas, a mostra itinerante percorrerá as capitais brasileiras e poderá ser também levada a outros espaços, em parceria com organizações da sociedade civil e do movimento negro. O projeto conta ainda com duas caixas biográficas. Uma delas traz um documentário em DVD e o livro escrito por outro ícone do feminismo negro brasileiro, a historiadora Sueli Carneiro, fundadora do Geledés – Instituto da Mulher Negra. A outra guarda dois almanaques históricos impressos contando a vida e obra de Lélia.

A exposição ficou em exibição no CCBB apenas no dia 15, mas será remontada na cidade de São Paulo, ainda sem data marcada.

Sueli Carneiro mencionou o papel singular de Lélia, “ao introduzir em todas as dimensões da temática da mulher a questão das mulheres negras como uma condição existencial agravada, do ponto de vista das relações de gênero, pelo racismo, e que também seria determinante para a posição de classe das mulheres negras na sociedade brasileira”, contrariando o mito da democracia racial.
Em sua fala durante a homenagem, Sueli Carneiro destacou a expressão e força do pensamento de Lélia Gonzalez para a luta antirracista no Brasil e no mundo, o estabelecimento das bases que estruturam o movimento de mulheres negras contemporâneo e a introdução das formas de ação política e concepção do feminismo negro. Ideias que confrontaram o próprio movimento negro, a cujos militantes Lélia apontava a contradição de reproduzirem as práticas sexistas da sociedade que impõe uma masculinidade agressiva, mesmo tendo uma avançada consciência em relação às questões de raça e classe.
Suely Carneiro 
O legado da noção de pertencimento e percepção social
“O compromisso das mulheres negras com a transformação social era visto por Lélia como prioritário, pois como ‘amefricanas’, como ela dizia, sabemos bem o quanto trazemos em nós a marca da opressão econômica e da subordinação racial e sexual”, lembrou Sueli. Para acrescentar ainda que, “assim, Lélia ensinou mulheres negras e brancas, homens e a sociedade em geral a perceberem os efeitos deletérios do patriarcalismo associado ao racismo, e como isso se consubstancia nas formas agravadas de marginalização social das mulheres negras”.
“Desde Lélia Gonzalez, compreende-se que ser mulher negra é ocupar um lugar na sociedade brasileira marcado por múltiplas injunções que se potencializam para sua difícil inserção social. Embora ela nos aponte que esse lugar peculiar pode gestar uma ótica original capaz de apreender ângulos, nuances e especificidades da sociedade que apenas o pertencimento a um determinado gênero, a uma racialidade e a uma classe social permite”, disse a filósofa.


Fonte: AG. Patrícia Galvão 

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