quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Vacinação contra HPV iniciará em março !


O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, realizou na noite desta quarta-feira, 29, um pronunciamento em cadeia de rádio e TV nacional para divulgar o início da campanha de vacinação contra o HPV. A vacinação, entretanto, começará apenas no próximo dia 10 de março. O HPV atualmente é um dos principais responsáveis pelo câncer de colo de útero, o terceiro tipo de câncer mais frequente entre as mulheres. O principal público-alvo da vacinação serão meninas entre 11 e 13 anos de idade. Segundo o ministro, a vacina vai estar disponível durante todo o ano em 36 mil postos de saúde da rede pública e também nas escolas públicas e privadas. "Com essa campanha o governo federal vai dar uma contribuição decisiva para a saúde da mulher brasileira que até então tinha poucos meios para prevenir já na infância o câncer do colo do útero", afirmou Padilha.
Conforme revelou o Estado na sua edição de quarta-feira, o pronunciamento um mês antes da campanha custou R$ 55 mil e foi preparado pela agência Propeg. De acordo com o ministério, ao todo R$ 15 milhões serão destinados a ações nas redes sociais, de mobilização em eventos e campanha publicitária. Desse total, metade dos recursos está destinada a divulgação da campanha em televisão. A outra metade está dividida entre rádio (15%), internet (10%), revista (7%), cinema (5%) e demais meios (13%), como outdoors e publicações. Também serão produzidos 213.000 cartazes, ao custo total de R$ 152.699,7, que serão distribuídos a todas as secretarias estaduais de saúde. 
Pré-candidato ao governo do Estado de São Paulo na próxima disputa eleitoral de outubro, Padilha também reservou parte do pronunciamento para fazer um balanço do Programa Mais Médicos, que também deverá ser uma das principais bandeiras da campanha à reeleição da presidente Dilma. "Agora com o Programa Mais Médicos o governo federal está dando outro passo decisivo para levar mais saúde às áreas que durante décadas viveram esquecidas como a periferia das grandes cidades e as regiões mais pobres e isoladas do país", disse antes de apresentar números. Segundo ele, o programa tem mais de 6.500 médicos e beneficia 23 milhões de brasileiros e brasileiras. De acordo com cálculos do ministro, até o mês de março um total 13 mil médicos farão parte do programa, beneficiando 45 milhões de pessoas.

Comunidade Quilombolas do Amapá aderem Programa Nacional de Habitação Rural

A operação é parte do Programa Nacional de Habitação Rural, que visa atender trabalhadores residentes na zona rural, com renda familiar anual de até R$ 15 mil
Caixa assina contratos do PNHR com 215 famílias quilombolas no AmapáA Caixa assinou contratos para construção de 215 unidades habitacionais na zona rural do Amapá no dia 10 de janeiro. A ação beneficia as comunidades quilombolas de Igarapé do Lago, Ressaca da Pedreira, Rosa, Curralinho e Conceição do Macacoari.
Trata-se de uma operação de concessão de subsídio à habitação com recursos do Orçamento Geral da União, enquadrada no Programa Nacional de Habitação Rural (PNHR). De abrangência nacional, o PNHR visa atender trabalhadores residentes na zona rural, com renda familiar anual de até R$ 15 mil e faz parte do Programa Minha Casa, Minha Vida (PMCMV), do Governo Federal.
"Este ato materializa o esforço do Governo Federal em levar as políticas públicas até onde estão as pessoas, até as comunidades mais distantes das cidades e dos grandes centros”, afirma o gerente regional de governo da Caixa no Amapá, Célio da Silva Lopes. Segundo ele, “assistir a comunidades remanescentes de quilombos, às vésperas do aniversário da Caixa, simboliza que a empresa sempre esteve e sempre estará ao lado das populações que mais precisam de apoio”.
O representante da comunidade de Conceição do Macacoari, senhor Adenor de Souza, traduziu em sua fala o empenho dos quilombolas para a concretização do projeto: "Todos sonhamos em ter uma casa, mas poucos são os que lutam para alcançar esse sonho. Nós lutamos e podemos dizer que este momento é o resultado da nossa luta. Foi porque não ficamos acomodados, que daqui a alguns meses teremos nosso lugar para descansar".
 Programa Nacional de Habitação Rural - Parte integrante do Programa Minha, Casa Minha Vida (PMCMV), o PNHR foi criado pela necessidade de uma política habitacional que atendesse as especificidades da moradia no campo, onde as diferenças em relação ao meio urbano - tais como cultura, forma de remuneração, gleba de terra, logística para construção - passaram a ser consideradas nos programas de moradia para a população do meio rural.
Jornal da Caixa / SEPPIR

Por que conhecer a história da África?

Por Mônica Lima e Souza
A resposta a essa questão nos coloca, primeiramente, diante da importância de constituir outro olhar sobre a história da humanidade e a história do Brasil. Esse novo olhar sobre a trajetória das sociedades humanas deve buscar uma perspectiva menos eurocêntrica e a inclusão de novos espaços e sujeitos no mapa da história. Reconhecer a presença africana amplia a nossa concepção de mundo e permite perceber aspectos das relações entre povos e regiões do planeta ao longo do tempo por nós ainda pouco conhecidos e compreendidos. Tal aprendizado ilumina nosso entendimento sobre processos históricos e dinâmicas sociais que a negação secular da história africana nos currículos escolares e universitários no Brasil nos levou a não perceber e, por consequência, interpretar de forma equivocada.
Em diversos momentos da história, povos da África, em suas relações internas ou com outros povos, estiveram diretamente envolvidos em transformações que alteraram profundamente a vida no nosso planeta. Desde o surgimento da humanidade, com as migrações que povoaram o mundo e as novas relações com o ambiente delas surgidas, à criação de instrumentos que mudaram as formas de sobrevivência e a constituição das primeiras instituições gregárias das sociedades humanas, os povos africanos foram protagonistas de grandes transformações na história.
Na Antiguidade, a força e o fausto do Egito africano e sua relação com o interior do continente, sobretudo com os reinos da Núbia, e, mais tarde, toda a importância da cidade de Cartago, que disputou com Roma o espaço do mar Mediterrâneo. Na costa oriental africana, as caravelas que cruzavam o Índico ligavam esse litoral ao golfo Pérsico, à Índia e à China, além das ilhas da Indonésia, a partir do século V, aproximadamente. Um ativo comércio conectava os africanos com povos de diferentes regiões, nesse movimentado mar oriental, muito antes de ali aportarem os portugueses.
Aliança e resistência na América
Na chamada Época Moderna, os africanos foram envolvidos o mais longo e intenso processo e migração forçada da história do mundo, cruzando, nos chamados navios negreiros, as novas rotas atlânticas que os europeus criaram. E, se as Américas se constituíram a partir das relações estabelecidas entre europeus, povos indígenas e africanos escravizados, da mesma forma, o mundo atlântico, como espaço de intercâmbios de mercadorias, tecnologias e ideias, teve na sua formação a participação fundamental dos nativos da África. Nas alianças e resistências, africanos e africanas estiveram nessa história de forma ativa, para além do sofrimento nos porões dos tumbeiros. Na criação de quilombos e rebeliões escravas que iam do Caribe ao sul dos Estados Unidos até a Bahia, passando por muitos espaços nas Américas Negras, africanos contribuiriam para o fim do tráfico escravista e da escravidão.
Na primeira metade do século XX, ainda no espaço do mundo ocidental, a África se tornou espaço de importantes conflitos de abrangência internacional e de um novo tipo de dominação colonial. Nesse processo seus habitantes participaram, por meio de iniciativas e ações, resistindo, questionando e criando, através das relações de poder e seus desdobramentos internos, um novo mapa político para o continente. E, na segunda metade do século, a partir de transformações internas, mas conectados a uma conjuntura externa, conduziram lutas pela independência que trouxeram novos atores ao cenário internacional no conjunto de países, alterando de forma significativa as relações internacionais.
Mônica Lima e Souza é professora de história da África e coordenadora do Laboratório de Estudos Africa
Fonte: Geledés / Fundação Palmares 

Evento em União dos Palmares/AL relembrar a última batalha no Quilombo dos Palmares

Arte: FCP


A terceira edição do projeto “De volta à Angola Janga” vai reunir os descendentes dos guerreiros quilombolas que sobreviveram ao combate ocorrida em 1694
Para relembrar a última batalha realizada no Quilombo dos Palmares, ocorrida em 6 de fevereiro de 1694, a Fundação Cultural Palmares – MinC realiza, por meio de sua Representação Regional em Alagoas, a terceira edição do projeto De volta à Angola Janga. O evento, que reunirá os descendentes dos guerreiros quilombolas que sobreviveram ao combate, acontecerá nos dias 5 e 6 de fevereiro, no Sítio do Recanto, localizado na subida da Serra da Barriga, em União dos Palmares – AL.
De acordo com Maria José, representante da FCP-MinC no estado, o evento é uma reverência às origens, tanto africanas, quanto do Quilombo dos Palmares. “Mais do que uma homenagem, nós queremos resgatar a memória desses homens e mulheres que lutaram pela liberdade dos milhares de negros e negras que foram escravizados no Brasil”, afirma.
O projeto “De volta à Angola Janga” é realizado em parceria com a Secretaria de Cultura de Alagoas e grupos culturais do estado, e tem o Projeto Inaê e a Universidade Federal de Alagoas como parceiros.
História – O Quilombo dos Palmares resistiu por quase um século, tornando-se o maior centro de resistência negra no colonialismo. A nação erguida por africanos de diferentes etnias no Brasil foi batizada por eles de Angola Janga, que significa “pequena Angola”. Foi neste lugar que negros, indígenas se refugiaram por décadas até sua derrubada pelo comandante Domingos Jorge Velho, contratado pelo então governador de Pernambuco para destruir os quilombos da região.
Confira programação
18h – Estação Ferroviária
21h30min – Fala de Abertura;
22h – Saída para o Sítio Recanto;
22h30min – Chegada ao Sítio Recanto;
Ato religioso com participação do Pároco de União dos Palmares 1ª Parada – Estacionamento  Reflexão com os Capoeiristas 2ª Parada Eliponto / PJMP/Juventude de Terreiro 3ª Parada Jaqueira / Quilombolas 4º Parada – Entrada do Parque Memorial Quilombo dos Palmares/  Religiosos de Matriz Africana Café da Manhã / 8h Descida

Brasil é eleito para presidir Comissão de Construção de Paz da ONU

O Brasil foi eleito nessa quarta-feira (29) para presidir a Comissão de Construção da Paz da Organização das Nações Unidas (ONU) em 2014. A missão é ajudar os países que saíram recentemente de conflitos armados a construir um cenário de estabilidade política e segurança.
Na agenda a ser desenvolvida pelo Brasil estão projetos para países como a Guiné-Bissau, o Burundi, a República da Guiné, Libéria, República Centro-Africana e Serra Leoa.
Criada em 2005, a Comissão de Construção da Paz das Nações Unidas visa a auxiliar as nações com cenários ainda frágeis a consolidar sua capacidade de garantir a própria segurança nacional, bem como o desenvolvimento sustentável, com inclusão social.
Em nota, o governo brasileiro informou que pretende promover, durante o seu mandato, maior participação de países em desenvolvimento e organizações regionais e sub-regionais nas atividades da comissão, bem como manter um "engajamento produtivo" no Conselho de Segurança da ONU.
Segundo a nota, as atividades lideradas pelo Brasil levarão em conta a "interdependência" entre segurança e desenvolvimento.

Fonte:EBC

Exposição “O Corpo na Arte Africana” iniciou temporada em Maceió (AL)


Foto: Peter Ilicciev
Iniciou no dia  24 de janeiro, a exposição “O Corpo na Arte Africana” leva cerca de 140 obras sobre o corpo na arte e na cultura africanas para a Pinacoteca Universitária, da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), em Maceió (AL). Desde setembro de 2013, a exposição iniciou uma itinerância pelo Nordeste. A mostra já esteve em cartaz em Recife e em João Pessoa. A exposição será exibida em Maceió até 12 de março de 2014 e, após este período, seguirá rumo a Natal.

“O Corpo na Arte Africana” reúne peças trazidas por pesquisadores da Fiocruz em missão no continente africano e está dividida em cinco módulos: “Corpo individual & Corpos múltiplos”; “Sexualidade & Maternidade”; “A modificação e a decoração do corpo”; “O corpo na decoração dos objetos”; e “Máscaras como manifestação cultural”. A mediação da exposição é realizada através das atividades lúdicas e educativas "Tesouros da África", que abordam a diversidade e identidade nas culturas africanas e sua influência nas culturas ocidentais.


Confira mais informações e as versões virtuais da exposição, em português e em inglês.
Veja por onde a exposição já passou e eventos relacionados à sua exibição em: http://www.museudavida.fiocruz.br/africa

O Corpo na Arte Africana
Exposição gratuita

De 24 de janeiro a 12 de março de 2014

Inauguração: 24/01, às 20h
Horário: segundas, quartas e sextas, de 8h30 às 12h30 e de 14h às 18h; terças e quintas, de 8h30 às 12h30 e de 14h às 20h 
Local: Pinacoteca Universitária, da Universidade Federal de Alagoas
Endereço: Espaço Cultural Salomão De Barros Lima - Pr. Visconde De Sinimbu, 206, 1º Andar – Centro – Maceió, Alagoas
Mais informações pelo telefone (82) 3221-7230

Fontes e fotos: Museu da Vida / COJIRA

Segunda Edição : " Projeto Xangô Rezado Alto 2014"

Nessa sexta-feira (31.01), terá a segunda edição do projeto Xangô Rezado Alto 2014 para chamar a atenção da sociedade sobre a diversidade cultural e a luta pelo respeito à liberdade de culto. Idealizado pela Universidade Estadual de Alagoas (Uneal), a partir deste ano o movimento de celebração em memória do “quebra dos terreiros” passa a ser realizado pela Prefeitura de Maceió, através da Fundação Municipal de Ação Cultural (FMAC). 
A programação terá a concentração a partir das 14h, na Praça Dom Pedro II, local onde existiu um pelourinho e atualmente funciona a Assembleia Legislativa Estadual, no Centro de Maceió. Os grupos culturais das casas de axé e com temática étnicorracial da cultura negra, inclusive, manifestações folclóricas como o bumba-meu-boi e as baianas sairão em cortejo para a Praça dos Martírios com apresentações musicais e culturais. 
E a partir das 16h, na Praça dos Martírios, terão apresentações culturais, a exemplo da cantora Luana Costa; Afoxé Odô Iyá; Afoxé Ofá Omin; banda de reggae Vibrações; e a banda Didá – grupo percussivo feminino da Bahia. 
Outra ação importante será o giro de folguedos especial no dia 2 de fevereiro na praia de Pajuçara, mesma data em que ocorreu a destruição dos terreiros de Maceió e violência contra os religiosos, ordenada pelos governantes em 1912. 

Fonte: COJIRA

Justiça Federal dá 4 anos para Incra regularizar terras quilombolas no PA


A Justiça Federal do Pará concedeu nesta segunda-feira (27) uma decisão liminar determinando prazo de dois a quatro anos que o Instituto Nacional de Colonizaçaõ e Reforma Agrária (Incra) conclua a regularização de terras de 14 comunidades quilombolas no estado. 

Segundo o Incra, o instituto está trabalhando para resolver estes problemas antes mesmo da decisão judicial. 
Os territórios estão distribuídos pelos municípios de Salvaterra, Cachoeira do Arari e Curralinho, na ilha do Marajá. Segundo o juiz José Flávio Fonseca de Oliveira, duas comunidades cuja regularização está mais atianada, com Relatório Técnico de Identificação e Delimitação, devem ser regularizada no prazo menor. As demais tem até 4 anos para a tramitação dos processos. 

Demora nas ações 

Segundo a Justiça Federal, o Ministério Público contabiliza 1286 processos de regularização fundiária envolvendo descendentes de escravos. Destes, apenas 31 tiveram título de propriedade emitido, o que corresponde a 2,41% das ações. Ao contrário do que diz o Incra, o MP informa que os processos que envolvem quilombolas do Marajó estariam parados há 10 anos. 
De acordo com a decisão do juiz Fonseca de Oliveira, dos 14 processos listados pelo MPF apenas um foi autuado em 2004, cinco foram autuados em 2005, um em 2006 e sete no ano 2007. Isso, para o juiz, é prova de que a tramitação dos processos é lenta, e isso desrespeita o princípio de duração razoável do processo, classificando a atuação do Incra como “descaso e violação dos direitos humanos”. 

Fontes : Portal Africas/ CEERT

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

"Agenda Angola" no marco da nova dinâmica das artes angolanas - Rosa Cruz e Silva

Roma- A exposição "Agenda Angola", a decorrer 

entre 22 de Janeiro a 23 de Fevereiro do corrente ano

no Museu Pigorini de Roma (Itália), representa a 

visão do Governo angolano que procura dar a 

conhecer as novas dinâmicas das artes de Angola, 

segundo afirma a ministra da Cultura, Rosa Cruz e 

Silva.

Na nota incluída no catálogo sobre a exposição, Rosa Cruz e Silva avança que, nesta perspectiva, o Executivo Angolano, através do Ministério da Cultura, associado aos seus parceiros estratégicos, está a desenvolver um vasto programa para a “Internacionalização da Cultura Angolana”, com vista a  colocar o país nos patamares mais altos, tendo em conta todo o seu capital humano  no domínio das artes.
“Este processo visa igualmente garantir um frutuoso intercâmbio de Angola com o resto do mundo, numa perspectiva que marca a sua contribuição para a Paz Mundial”, acresce a governante angolana.
 Segundo a ministra, prosseguindo este caminho, que dá vazão às artes e sobretudo aos seus principais criadores, cuja agenda está, a partida, preenchida de novos eventos que reclamam apenas o espaço de intervenção, a divulgação, fazê-los participar em eventos desta natureza, contribui seguramente para o crescendo do estímulo e confiança no seu trabalho.
“Chegados aqui, melhor se compreenderá a premência e a urgência de novas reflexões sobre o desenvolvimento das artes em Angola. O histórico deste contínuo exercício da produção cultural, revela que o itinerário seguido pelas várias gerações de criadores é dinâmico e vem produzindo sempre propostas inovadoras marcadas também elas pelo signo das referências do passado ancestral, mas que se renovam no ambiente de partilha de experiências, de conhecimento, de regras que se adequam aos tempos novos que fazem as obras de arte da modernidade”, reforçou.
Rosa Cruz e Silva avança ainda que os artistas angolanos prosseguem no seu permanente exercício de produção cultural, a sua linha, ainda que inovadora, recorrem sempre ao legado ancestral com que partem para o diálogo com o outro no mundo, trazendo por tal como resultados, obras que refletem, por um lado, as questões mundiais e locais, e por outro, a riqueza no valor que lhes conferem os seus observadores e críticos, pois sem medo de errar atingem de facto o belo e específico, deixando as marcas referenciais que os distinguem dos demais.
A responsável do pelouro cultural angolano considera que as artes são um instrumento fundamental para manter no diapasão da concórdia o diálogo que se impõe igual entre os pares.
“Somos a parte de um lugar que hoje aponta o horizonte do possível, para o mundo de amanhã, sendo algo da maior importância, não só para os angolanos, mas também para todos os cidadãos e homens do planeta. Hoje, atingimos também um lugar em que o contemporâneo alcança os seus contornos mundiais, para deixarmos de ser a periferia subdesenvolvida e nos tornarmos num ponto do policentrismo mundial e atingir uma legítima liderança das artes no mundo culturalmente diversificado que este século XXI traz consigo”, assevera.
A exposição é um diálogo entre as obras de Edson Chagas e as de Massongi Afonso “Afó”, Costa Andrade “Ndunduma”, Zan Andrade, Hildebrando De Melo, António Gonga, Jorge Gumbe, Paulo Jazz, Marco Kabenda, Sozinho Lopes, Sónia Lukene, João Mabuaka “Mayembe”, Guilherme Mampwya, António Ole, Vítor Teixeira “Viteix”, Fineza Teta “Fist”, António Toko, Francisco Van-Dúnem “Van”, Telmo Váz Pereira, Amândio Vemba, Landa Yeto.
Fonte :portalangop

República Centro-Africana elege uma mulher para restaurar a paz

O Parlamento interino nomeou Catherine Samba-Panza para reconciliar o país e para pôr fim ao conflito étnico que dura desde Março.
O Conselho Nacional de Transição da República Centro-Africana (RCA) elegeu esta segunda-feira Catherine Samba-Panza como Presidente interina.  

As prioridades da nova governante – a primeira mulher no cargo – são terminar com o conflito armado que domina o país e a marcação de eleições até ao final do ano. As condições para os candidatos se poderem apresentar perante o Parlamento eram muito restritivas.  De fora ficaram todos aqueles que tiveram cargos políticos durante a governação do anterior Presidente, Michel Djotodia, os responsáveis partidários, os militares no ativo e todos aqueles que pertenceram a uma milícia ou rebelião nos últimos vinte anos.  Apesar das condicionantes, perfilaram-se oito candidatos para ocupar o cargo deixado por Djotodia a 10 de Janeiro, na sequência de pressões da comunidade internacional, especialmente da França. A antiga potência colonial enviou no início de Dezembro 1600 soldados para apoiar as forças da União Africana (MISCA) no processo de contenção do conflito. Depois de uma primeira volta em que nenhum dos candidatos conseguiu obter a maioria absoluta dos votos, os 129 membros do Conselho Nacional de Transição acabaram por eleger Samba-Panza, com 75 votos. 
Désiré Kolingba, filho de um antigo chefe de Estado e apoiado por uma parte dos ex-Séléka (grupos rebeldes, na sua maioria muçulmanos, que apoiaram a ascensão de Djotodia), contou apenas com o voto de 53 deputados.  A Presidente da Câmara de Bangui era vista como uma das favoritas, reunindo o apoio de associações de mulheres, mas sobretudo por ter boas relações tanto com as milícias anti-balaka(grupos maioritariamente de cristãos) como com os ex-Séléka. O  resultado da eleição foi recebido com aplausos por todos aqueles que se encontravam no Parlamento, descreve o correspondente da AFP, acrescentando que foi entoado o hino nacional da RCA. As primeiras palavras de Samba-Panza dirigiram-se a ambos os lados do conflito que dura há quase um ano e que já obrigou um milhão de pessoas a abandonar as suas casas.
 “Manifestem a vossa adesão à minha nomeação dando um sinal forte de deposição das armas”, afirmou. Pela frente, a nova Presidente tem a tarefa árdua de pacificar o país e criar condições para que se realizem novas eleições. Segundo o calendário da transição, o sufrágio deverá ser realizado o mais tardar durante o primeiro semestre de 2015, embora Paris prefira que as eleições se celebrem ainda este ano, de forma a pôr termo à operação militar no país. Foi com um tom conciliador que Samba-Panza se dirigiu aos seus compatriotas: "A partir deste dia, eu sou a Presidente de todos os centro-aficanos sem excepção." O Presidente francês, François Hollande, saudou a escolha, garantindo que "a França está ao seu lado nesta tarefa difícil." Os elogios foram reforçados pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Laurent Fabius, que considerou Samba-Panza "uma mulher notável." Para além de Samba-Panza e de Kolingba, eram candidatos o ex-Presidente da Câmara de Bangui, Jean Gombé Ketté, o filho de um antigo Presidente, Sylvain Patassé, o alto funcionário internacional Faustin Takama, o empresário Emile Nakombo, a professora de inglês Regina Konzi-Mongo e o cirurgião Mamadou Nestor Nali. Apesar do reforço das forças de segurança com o envio do contingente francês, a violência tem sido difícil de controlar. Desde o início de Dezembro que os combates entre as milícias já fizeram mais de mil mortos.

Fonte: P Público