sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Mulheres Jovens são quem mais sofre com tipos graves de assédio online


Estudo mostra que quatro em cada dez cibernautas adultos já foram vítimas de assédio.
Envergonhar propositadamente alguém numa rede social é uma forma de assédio. Perseguir um participante em caixas de comentários de jornais, também. Reagir intempestivamente após perder um jogo online, mesmo um jogo de cariz violento, com ameaças à integridade física do oponente, é outra forma de assédio. Parece exagerado? Não é. 
O Pew Research Center debruçou-se sobre a questão do assédio online no seu mais recente estudo e muitos foram os cibernautas que consideraram qualquer uma das acções descritas acima como actos persecutórios. Há tipos mais óbvios – como o recurso a nomes ou qualificativos ofensivos – e mais graves – como o assédio sexual e a perseguição. Mas todos contam para o número de pessoas que dizem já ter vivido alguma forma de assédio: 40%.  O espectro aumenta consideravelmente quando a questão é sobre a observação de algum destes comportamentos: 73% afirmaram já tê-los testemunhado pelo menos uma vez. Na maioria, insultos (60%) e esforços para envergonhar alguém (53%). No entanto, as ameaças corporais (25%), o assédio durante um certo período (24%), o assédio sexual (19%) e a perseguição (18%), apesar de serem menos correntes, são práticas com taxas de incidência inquietantes. 
Os investigadores do instituto norte-americano inquiriram 2849 adultos utilizadores da Internet, recorrendo a uma amostra representativa da população dos EUA. O que significa que os processos de intimidação entre adolescentes foram deixados de fora (ainda que, em 2012, o Pew Research Center tenha chegado à conclusão de que é mais provável que os adolescentes sejam expostos a este tipo de comportamento nocivo nas redes sociais do que os adultos). Entre os 40% de inquiridos que afirmaram já ter sido vítimas de alguma forma de assédio online, 27% disseram ter sido alvo de linguagem ofensiva, 24% tiveram alguém a envergonhá-los deliberadamente, 8% foram ameaçados fisicamente, 8% foram perseguidos, 7% assediados durante algum tempo e 6% enfrentaram casos de assédio sexual. 
A perseguição e o assédio sexual são os mais graves dos seis tipos de assédio considerados e são os únicos em que as mulheres superam os homens no número de ocorrências. Esta realidade agrava-se quando se trata de mulheres com idades entre os 18 e os 24 anos, o grupo “desproporcionalmente” mais fustigado nestes casos. Nesta faixa etária em particular, as mulheres também superam os homens no que diz respeito ao assédio continuado. Ainda assim, é mais provável um homem ser exposto a pelo menos um tipo de assédio do que uma mulher (44% contra 37%). E são as redes sociais os locais com maior número de incidentes reportados (66%). Seguem-se as caixas de comentários (22%), os jogos online (16%), as contas pessoais de e-mail (16%), os fóruns (10%) e os sites e aplicações de encontros (6%). A resposta mais comum dos cibernautas é ignorar o ataque (60% dizem tê-lo feito nos casos mais recentes).
 O confronto com o oponente já foi opção para 47% dos inquiridos e 44% dizem ter bloqueado ou “desamigado” o atacante. Há quem se queixe aos responsáveis dos sites (22%), quem tente recolher apoio de outros cibernautas (18%), quem mude de nome de utilizador ou apague a conta (13%), quem abandone fóruns (10%), ou mesmo quem deixe de frequentar alguns espaços ou eventos offline (8%). No entanto, só 5% dos casos chegam às autoridades policiais.
Fonte: Publico

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