segunda-feira, 4 de agosto de 2014

MANIFESTO - NEGRAS ! NEGRAS ! NEGRAS

Com a população de 193 milhões de habitantes, o Brasil e tem um grande número de mulheres em sua ampla maioria de cor branca, cujos níveis educacionais ultrapassam os homens até na faixa de renda inferiores. A falta de uma educação pública de qualidade com a infraestrutura adequada tem sido um grande empecilho para desenvolvimento das mulheres e principalmente das mulheres negras que carregam o fardo da pobreza, agregado as desigualdades, a violência, o racismo e a falta de oportunidade.
E inegável progresso que as mulheres obtiveram no Brasil no período de 12 anos, mas também devemos lembrar que, para as mulheres negras, a habilidade de viver uma vida produtiva, saudável e livre de violência, que permita desfrutar plenamente do seu potencial, continua a ser uma aspiração. Este  é um bom o momento de nos comprometermos, de uma vez por todas, com a igualdade, empoderamento, e saúde sexual e reprodutiva e direitos para todas as mulheres e garotas em todos os lugares respeitando e reconhecendo que as mulheres negras fazem parte da sociedade , são cidadãs que contribuem sistematicamente com construção desta nação não podem nem devem ser tratadas como seres inferiores incapazes de pensar, elaborar e conduzir .
Na atualidade não se pode tratar a questão racial como elemento secundário, destacando apenas a problemática econômica. A posição social do negro não se baseia apenas na possibilidade de aquisição ou consumo de bens. Ainda há uma grande dificuldade da sociedade brasileira em assumir a questão racial como um problema que necessita ser enfrentado. Enquanto esse processo de enfrentamento não ocorrer, as desigualdades sociais baseadas na discriminação racial continuarão, e, com tendência ao acirramento, ainda mais quando se trata de igualdade de oportunidades em todos os aspectos da sociedade.

Mulheres Negras são menos que 1% são Deputadas Federais! 

Apenas 17 países são governados pelas mulheres independente da etnia/cor ou raça, e 28% das nações têm 30% de presença feminina no parlamento.
Nos países da América Latina, o número de mulheres parlamentares é inclusive superior ao dos Estados Unidos, onde, no entanto, as mulheres têm uma grande presença na vida pública. De acordo com cálculos da União Interparlamentar, 24,1% dos assentos parlamentares das Américas, somando-se Câmaras e Senados, estão ocupados por mulheres – um percentual quase três pontos superior à média mundial, que é de 21,3%.
Brasil, apenas 8,77% dos parlamentares federais são mulheres OU SEJA apenas 45 são mulheres, já as Mulheres Negras são menos que 1% de um total de 513 deputados.
Em uma pesquisa realizada, das 27 assembleias legislativas do País (incluindo o Distrito Federal) além das câmaras municipais de todas as capitais apenas 0,0001% dos negros brasileiros exercem mandatos. São Paulo, a maior cidade do País, possui os mesmos 9% de vereadoras na Câmara Municipal. No Poder Executivo, a situação não é diferente: das 26 capitais, somente duas têm mulheres como prefeitas.

DE OLHO NO BRASIL

Mulher negra no Brasil hoje é sinônimo de resistência, a nossa luta no Brasil é para ocupar o lugar de direitos sem privilégios de condições mas com direitos iguais.
Lembremos que a Mulher negra permanece com muitos direitos negados por parte do Estado e pôr uma parcela da sociedade que a exclui pela cor de sua pele. A mulher negra  e pardas, tem os menores salários, têm menores taxas de alfabetização e escolaridade e ainda são as que mais desenvolve trabalhos servis e os chamados sub-empregos.
As mulheres de maneira geral constituem 44% da força de trabalho brasileira. Em 2008 a renda média das mulheres negras era de R$383; seguida da renda dos homens negros, R$583; das mulheres brancas, R$742; e dos homens brancos, R$1.181. Ou seja as mulheres negras chegam ganhar até 50% menos que os demais.
Você acha que isto acontece por quê?
As mulheres negras que conquistam melhores cargos no mercado de trabalho despendem uma força muito maior que outros setores da sociedade, sendo que algumas provavelmente pagam um preço alto pela conquista, muitas vezes, abdicando do lazer, da realização da maternidade, do namoro ou casamento.
Em 2009, as mulheres negras respondiam por cerca de um quarto da população brasileira. Ou seja eram 50 milhões de uma população total que naquele ano alcançou 191,7 milhões de brasileiros.
Do total de mulheres no Brasil, 50% eram negras e 49,03% se declararam brancas indicando um percentual menor que as mulheres negras.
Foi a partir de 2008 que as mulheres negras passaram a alto se identificar como negras, sem medo e ou vergonha de alto declarar negra. As mulheres negras perceberam ao longo destes anos que o modelo eurocêntrico onde o belo é ser branca, imposto por uma minoria branca que detêm o capital e os meios de comunicações neste país, não seria mais o modelo para definir seu perfil.
A mulher Negra vem conquistando a consciência que o fato de ser negra se alto declarar negra não diminui em nada sua capacidade intelectual, profissional, política e cidadã na sociedade.
A mulher negra, portanto, tem que dispor de uma grande energia para superar as dificuldades que se impõe na busca da sua cidadania.
Poucas mulheres negras conseguem ascender socialmente. Contudo, é possível constatar que está ocorrendo um aumento do número de mulheres negras nas universidades nos últimos anos. O Programa Universidade para Todos (ProUni) registrou 653.992 inscritos, segundo o balanço divulgado pelo Ministério da Educação (MEC).  As mulheres foram maioria, 384.063 candidatas (59% do total). A maior parte dos candidatos é negra, 62,6%, 409.527 inscritos. Os brancos representam 34,9%; amarelos, 2,4%. Apenas 0,1%, 853 candidatos, declararam-se indígenas. Talvez a partir desse contexto se possa vislumbrar uma realidade menos opressora para os negros, especialmente para a mulher negra. Em Minas Gerais mais de 50%, se alto declaram no censo de 2009 negras. De acordo com dados do IBGE em 2011, as Mulheres são a metade da nossa população brasileira (51,5%,ou 100,milhões) e as Mulheres Negras são a metade do total das brasileiras.

Doc.  Fórum Estadual de Mulheres Negras de Minas Gerais 

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