quarta-feira, 28 de maio de 2014

Mulheres Negras São Mais Criticadas Quando Ocupam Cagos de Lideranças!



As mulheres negras que ocupam cargos de liderança são mais criticadas quando os negócios não correm bem ou quando são as próprias a cometer algum erro. A conclusão é de uma pesquisa norte-americana divulgada pelo The Wall Street Journal.

Em situações de crise, há uma tendência maior para apontar o dedo ao desempenho de chefes negras. As mulheres brancas em cargos de liderança são as segundas mais criticadas e só depois é que surge o sexo masculino, sendo que o típico líder (homem branco) é sempre o mais poupado e apoiado, revela o estudo de Ashleigh Shelby Rosete, professora de Administração da Duke University’s Fuqua School of Business, e Robert W. Livingston, professor de Gestão e Grganização da University’s Kellogg School of Managemen.

Os dois docentes estudaram o mercado de trabalho norte-americano e compararam a visão/opinião de 228 voluntários sobre quatro grupos de líderes empresariais: mulheres brancas, mulheres negras, homens brancos e homens negros.

A investigação está a causar grande polêmica nos Estados Unidos, já que é cada vez maior o número de mulheres a ocuparem cargos de direção.



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Por Mônica Aguiar 



Este não é um fato isolado de nossa realidade no Brasil.

 Vivemos e convivemos com a mesma situação, em qualquer que seja o país, independentemente da situação financeira ou grau de escolaridade, basta a mulher negra conquistar sua liderança e ocupar cargos de médio ou grandes escalões para que racismo aflore nas mais diversas versões.

Não é fácil!

A falta de respeito humano, o tom de desprezo na contra-argumentação, a agressividade no trato, a banalização do perfil, o desmerecimento nas deliberações, a desqualificações da posição independente ser for ideológica ou técnica, críticas infundadas. Chega ser patológico! 

Existem pessoas que agem de forma tão agressiva, que se sentem ameaçadas tão somente o fato da mulher negra poder estar.

 E se na estrutura ocupada pela mulher negra for de função de dirigente política, ela sofrerá diretamente com ataques preconceituosos e discriminatórios, além de conviver cotidianamente com o racismo velado e institucionalizado somando-se aos questionamentos e desqualificações intelectual e profissional.

Entendamos que não é uma tarefa fácil chegar onde poucas líderes chegaram convivendo neste universo patriarcal e sexista.

São poucas. Chego a afirmar que se considerarmos o total da composição populacional, mesmo se cometer o recorte para as mulheres brancas, nós somos algumas no mundo.  Muito pouca, e mesmo assim provocamos reações que demonstram a distância que estamos da igualdade de direitos  considerado o elemento ideológico denominado democracia racial aqui no Brasil.

Os estereótipos e os estigmas são fatores que marginalizam milhares de mulheres negras em nossa sociedade.

Utilizam como justificativas denominadas “naturais”, para não aceitar os questionamentos realizados pelas mulheres negras da falta de visibilidade e da falta de oportunidades, os poucos exemplos obtidos na representação alcançado ou conquistado de apenas uma ou outra no mundo.

Quem já não ouviu alguém justificar afirmando: - Mas vocês não são poucas, reclamam demais! - tem a X no EUA, tem a Y no Brasil, tem A no futebol, tem A deputada, tem X na África, tem Y na empresa, tem a XX na comunicação.  

Ou ouviu afirmação realizada para uma mulher negra, que ela não tem perfil para ocupar este ou aquele cargo.

A mulher negra tem como tarefa para além da sobrevivência a luta diuturna contra a herança escravista que ainda se faz presente nas atitudes das pessoas e no sistema que opera a sociedade,  tem como padrão o modelo ideal de ser humano, homem branco, cristão, heterossexual, ocidental….  Estamos subjugadas a um ideal estético-cultural eurocêntrico, desde o Brasil colonial.

São fortes as posições e atitudes que questionam veladamente, o nosso pertencimento, a nossa cultura, nossos valores, a nossa composição ético-racial, a nossa origem linguística. Somos consideradas uma ameaça ao desejarmos na mesma proporção,sem privilégios e por mérito, o poder, a liderança, o comando.

A opressão racial se confunde o tempo todo com a estrutura de classes da sociedade capitalista.

 Não quero ser excluída por ser diferente!  Não quero ser discriminada por destacar no meu perfil minha ancestralidade.

 Minha identidade não significa meu eu. Significa nós. Não nós algumas, mas um conjunto.

Contudo os questionamentos realizados pelas mulheres negras dentro do feminismo no papel da mulher negra na sociedade moderna e a exclusão sofrida, bem como as discriminações existente, ainda são analisadas pela grande parcela do feminismo brasileiro, como pontuais, fatos isolados do conjunto da sociedade organizada.

Os discursos das feministas propõem a inserção da mulher na vida política e civil em condição de igualdade com os homens, tanto de deveres quanto de direitos, mas não reconhecem mulheres negras no comando e as especificidades sem recorte.

Eu termino minha reflexão descrevendo um trecho de um texto que diz:

“ ...Lutar pela mulher negra significa lutar contra o capital, contra o padrão de beleza eurocêntrico, contra a hierarquização da cultura, contra a colonização do conhecimento, contra o eurocentrismo ,....

Desejar diretos iguais, oportunidades, equidade e reparação, significa propor transformações radicais na estrutura desta sociedade…”



Não fomos vencidas pela anulação social,
Sobrevivemos à ausência na novela, no comercial;
O sistema pode até me transformar em empregada,
Mas não pode me fazer raciocinar como criada;
Enquanto mulheres convencionais lutam contra o machismo,
As negras duelam pra vencer o machismo,
O preconceito, o racismo.


Yzalú


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