segunda-feira, 28 de abril de 2014

Racismo afasta os negros do sistema de saúde

Os efeitos danosos do racismo são sentidos em diversas esferas da vida da população negra. Especificamente em relação à saúde, esta parcela da sociedade apresenta maior número de morte por doenças tratáveis, além de maior incidência de Aids e tuberculose. De acordo com a coordenadora da área técnica da saúde da população negra da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Elaine Soares, o racismo é a principal causa destes indicadores.
“Quando os negros acessam o sistema de saúde, muitas vezes sofrem constrangimentos, piadas racistas, o atendimento não é tão qualificado. Como são maltratados, eles passam a não voltar mais”, explica Elaine. Para tentar reverter esse quadro, foram lançadas nesta quinta-feira as diretrizes que serão desenvolvidas durante o ano para a consolidação das políticas públicas para saúde da população negra, na Capital.
A coordenadora relata que a desigualdade em Porto Alegre não é diferente de outros estados. De qualquer forma, os indicadores são muito graves. Ela afirma que 20% da população da cidade é negra. Entretanto, 50% dos casos de morte de mulheres são referentes a afrodescendentes. Além disso, as crianças negras morrem cinco vezes mais que as outras.
“Para reverter essa situação, são necessárias políticas que façam uma imagem positiva da raça e também a educação permanente contra o racismo. Doenças específicas como a anemia falciforme, que atinge principalmente os negros, são desconhecidas pelos profissionais da saúde. É preciso proporcionar um conhecimento direcionado”, argumenta Eliane.
Entre as diretrizes apresentadas está o aumento dos níveis de informação da população acerca dos problemas derivados das desigualdades raciais; a aproximação dos usuários ao serviço de saúde através da cultura negra; e a criação de projetos específicos para a saúde dos quilombolas. Além disso, a SMS já dispõe de uma avaliação da qualidade da saúde dos afrodescendentes, com a realização de um boletim epidemiológico.
Sobre a doença falciforme, o objetivo é detectar precocemente a sua existência, com a realização do teste do pezinho junto com outros exames específicos. Os profissionais da saúde também precisam receber mais informações sobre a atenção necessária que deve ser dispensada aos pacientes. A criação de uma carteira específica para as pessoas com a doença é uma das metas, para que elas recebam atendimento ágil no SUS.
Para o prefeito José Fortunati, a mentalidade de que todos são iguais perante a lei prejudica o desenvolvimento de políticas públicas voltadas para um grupo específico. “Precisamos que todos tenham acesso aos direitos fundamentais. Os dados mostram claramente que os negros apresentam desvantagens de acesso ao sistema de saúde. Resolver isso significa permitir uma justiça social”, ressaltou.

Fonte Agencia Pat. G.

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