sábado, 15 de março de 2014

Estudo revela que 9,1% dos domicílios brasileiros não utilizam qualquer serviço de telecomunicação

Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra que 9,1% dos domicílios brasileiros não utilizam qualquer serviço de telecomunicações, como internet, telefonia fixa, móvel ou TV por assinatura. Em 45,6% das casas, não há telefonia fixa e em 15,5% delas os moradores não possuem sequer um celular.
Por outro lado, a pesquisa mostra que 40,8% dos domicílios no país possuem acesso à internet – o que abrange todas as tecnologias de acesso domiciliar à rede mundial de computadores. O dado coloca o Brasil na quarta posição da América do Sul em proporção de domicílios com acesso à rede, atrás de Uruguai, Argentina e Chile. Os números, no entanto, revelam desníveis regionais. No primeiro patamar está a região Sudeste, com 51,5% das casas com acesso à internet. Em seguida, estão Centro-Oeste e Sul, com índices de 40,7% e 42,9%, respectivamente. No terceiro patamar, estão o Norte e o Nordeste, com 20,7% e 29,2%.

Uma análise dos números do Ipea revela que 70,6% dos domicílios brasileiros contratam os serviços de telecomunicações separadamente. Na avaliação do instituto, o dado mostra que o processo de convergência tecnológica, com vários serviços incluídos em um pacote, ainda não é realidade no mercado de telecomunicações brasileiro.

De acordo com a pesquisa, esse cenário pode ser consequência, sobretudo, do fato de as famílias contratarem os serviços de prestadores diferentes ou da ausência da oferta de pacotes em todas as áreas. Além disso, a oferta de pacotes combinados pode não ser acessível financeiramente para as famílias. Oliveira disse que, provavelmente, a baixa cobertura da TV por assinatura tem impacto sobre o avanço do processo de convergência tecnológica no país.
Nos pacotes existentes, há o predomínio dos serviços de telefonia fixa e de banda larga. A telefonia fixa está presente em 80% dos pacotes, enquanto a banda larga está em 91,2%. Aqueles em que ambos os serviços estão presentes representam 76,4% do total.

Telefonia móvel
Cada vez mais no gosto dos consumidores, a telefonia móvel é considerada boa por 65,5% de seus usuários, mas ainda tem a pior avaliação entre os serviços de telecomunicações ofertados no Brasil.

— Quem avalia melhor são os usuários da modalidade pré-paga (que respondem por 82,5% dos domicílios). Para os poucos que usam a pós-paga, a avaliação é extremamente negativa, talvez porque eles utilizem mais serviços — disse o pesquisador do Ipea.
Outro problema apontado pela pesquisa é que os entrevistados não conhecem as principais regras dos serviços contratados. No que diz respeito ao uso do celular para acesso à internet, por exemplo, 38,1% dos brasileiros declararam que pelo menos uma pessoa no domicílio acessa a rede mundial utilizando o aparelho móvel. Quando indagados se o plano de acesso à internet contratado possuía limitação de volume de dados trafegados, 38,7% afirmaram não saber. Outros 25,4% disseram que o plano não tinha limitação de volume de dados e 35,9% responderam saber que o plano tinha limitação. Destes últimos, mais da metade não soube informar o que ocorre após alcançar o limite de volume de dados. Na avaliação do Ipea, possivelmente, a falta de transparência na relação dê origem à grande massa de reclamações registradas nos órgãos de defesa do consumidor do país.

Desigualdade

Segundo o Ipea, 48,1% dos domicílios brasileiros possuem computador. A posse de computador no domicílio é considerada um dos fatores limitadores do acesso à internet em banda larga. O principal motivo para os domicílios não possuírem computador era o custo elevado. Entre os que não possuíam o aparelho, 34% dos entrevistados responderam que pagariam entre R$ 300 e R$ 800 pelo equipamento. Outros 29,3%, porém, declararam que não estão dispostos a comprar um computador.

O levantamento revela a disparidade entre as regiões do país. Enquanto Sul e Sudeste têm proporção de domicílios com posse de computador de 53,5% e 54,6%, respectivamente, Norte e Nordeste apresentam percentuais de 39,6% e 35,3%, respectivamente.
A pesquisa ouviu 3.810 domicílios. Do total de entrevistados, 42,1% são da região Sudeste, 28% da Nordeste, 14,6% da Sul, 7,9% da Norte e 7,5% da Centro-Oeste.

Fonte: O Globo /Agencia Patricia Galvão

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