quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Estereótipos de gênero são prejudiciais também para os homens

* POR NADINE GASMAN

“Durante o final de semana, foi lançada a iniciativa “O Valente não é Violento”, que faz parte da campanha do Secretário-Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, UNA-SE Pelo Fim da Violência Contra as Mulheres, é coordenada pela ONU Mulheres e conta com o apoio da Secretaria de Políticas para as Mulheres, da Presidência da República. Para marcar o lançamento da iniciativa, seis times de futebol entraram em campo, nos jogos da última rodada do Campeonato Brasileiro, levando faixas com os dizeres: O Valente Não É Violento Com As Mulheres. Entre eles, Vasco e Atlético Paranaense.
 
Pude acompanhar a entrada da faixa levada pelos jogadores do Vasco e contextualizada aos telespectadores pelo locutor da TV Globo, Luís Roberto. Minutos depois, com os jogadores já em plena partida, presenciamos atos terríveis de violência entre torcedores dos dois times adversários. A brutalidade que se seguiu interrompeu o jogo e deixou a todos perplexos e assustados com tamanha selvageria.
 
As cenas que vi pela televisão me fizeram refletir sobre como precisamos avançar na transformação dos estereótipos de gênero e dos conceitos machistas que, infelizmente, ainda entendem a violência como sinônimo de valentia, virilidade e masculinidade. A maneira como nossa sociedade lida com os papeis sociais denominados femininos e masculinos e a forma como atribui aos homens a obrigação de possuírem certos comportamentos são extremamente prejudiciais não apenas para as mulheres e meninas, mas também para os próprios homens, como pudemos ver, mais uma vez, no último domingo.
 
Nesse sentido, a iniciativa “O Valente não é Violento” se mostra atual e muito necessária, na medida em que trabalhamos com o propósito de educar homens e mulheres para que todos nós possamos separar a imagem do homem forte, viril, corajoso e valente, da imagem do homem violento.
 
“O Valente não é Violento” quer contribuir para a erradicação das práticas culturais danosas e dos comportamentos prejudiciais às mulheres e meninas e aos homens e meninos gerados por pressões de grupos sociais machistas. A visão da iniciativa e da ONU Mulheres é um mundo de paz, livre da violência de gênero e de todos os preconceitos sobre os comportamentos que definem o que é ser homem e o que é ser mulher. O verdadeiro valente diz não à violência.”

* Nadine Gasman é Representante da ONU Mulheres no Brasil
 

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