quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Apontados fatores de participação da mulher rural no processo de desenvolvimento


Huambo – O diálogo permanente e a ausência de violência nas famílias foram apontados hoje, quarta-feira, no Huambo, como principais fatores que garantem a participação da mulher rural no processo de desenvolvimento do país, inclusive nas ações de combate à fome e à pobreza.
 
A constatação foi feita pela chefe do departamento de promoção da direcção provincial da família e promoção da mulher, Wilni Ekuikui, quando procedia ao balanço das atividades desenvolvidas durante a jornadas da mulher rural, que decorreram de 2 a 31 deste mês, sob o lema “apoiar a mulher rural para garantir a segurança alimentar e nutricional”.
 
A responsável fez saber ainda que a promoção de pequenas atividades e serviços de geração de renda, assim como o auto emprego no seio das comunidades rurais constam das prioridades da direção da família e promoção da mulher na província.
 
Informou que no âmbito do programa de apoio à mulher rural, a instituição tem capacitado as mulheres sobre atividades geradoras de renda, importância da agricultura familiar, além de conceder micro-créditos, ensinar a ler e a escrever as mulheres das zonas rurais e divulgar a lei contra a violência doméstica.
 
Wilni Ekuikui referiu que durante a jornada da mulher rural a direção da família e promoção da mulher, em parceria com associações femininas, realizou diversas atividades, entre as quais o 6º fórum da mulher rural, visitas de constatação às parteiras tradicionais dos municípios do Huambo e Bailundo, além de ter oferecido imputs agrícolas para a associação de camponeses do município do Ecunha e doarem sangue ao hospital central.

Fonte: ANGOP

Prêmio Nacional Jornalista Abdias Nascimento - RJ, 12/11/2012


Após receber trabalhos enviados de todas as regiões do país, o Prêmio Nacional Jornalista Abdias Nascimento anuncia os finalistas desta segunda edição. Pelo regulamento, são três finalistas em cada uma das sete categorias. Porém, em razão de empate na avaliação da Comissão Julgadora, há quatro concorrentes nas categorias Mídia Impressa e Especial de Gênero, contabilizando um total 23 trabalhos na disputa final. Os vencedores serão conhecidos na festa de entrega dos troféus, para convidados, a ser realizada no dia 12 de novembro no Teatro Oi Casa Grande, Rio de Janeiro.
O Prêmio Jornalista Abdias Nascimento vai distribuir R$ 35 mil aos vencedores das sete categorias (Mídia Impressa, Televisão, Rádio, Mídia Alternativa ou Comunitária, Internet, Fotografia e Categoria Especial de Gênero). A novidade é que este ano existem concorrentes com chances reais de serem contemplados com R$ 10 mil, caso vençam também na categoria de Especial de Gênero.
As reportagens e fotografias foram avaliadas por uma Comissão Julgadora independente formada por jornalistas e especialistas em relações raciais, e segundo os critérios de originalidade da pauta, pertinência, criatividade, linguagem, fontes, caráter investigativo e repercussão obtida.
O Prêmio Jornalista Abdias Nascimento é uma iniciativa da Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojira-Rio), vinculada ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro e conta com a parceria da Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj) e do Centro de Informações das Nações Unidas no Brasil (Unic-Rio. O patrocínio é da Fundação Ford, Fundação W. K. Kellogg e da Oi

Data: 12/11/2012
Local: Teatro Oi Casa Grande - Rio de Janeiro

Fonte : Instituto Patricia Galvão 

Opiniões sobre estupro na Índia, por Je Swanson


No início deste outono, o que pode ser descrito como uma forte onda de estupros irrompeu no Estado de Haryana, ao norte da Índia. Cerca de 20 jovens e meninas, incluindo uma de 6 anos e outra deficiente mental de 13, foram vítimas em incidentes separados.
Mas tão horríveis quanto os próprios crimes são as reações da polícia e de políticos locais que, ao explicar esse surto de violência sexual, dão opiniões tão bizarras a ponto de fazer Richard Mourdock, de Indiana, e Todd Akin, de Missouri - que deram declarações polêmicas sobre o tema nos EUA - parecerem seres benignos.
O governador de Hayana, envergonhado com a cobertura negativa da mídia, sugeriu que os estupros fazem parte de uma conspiração global para degradar o seu governo. Naturalmente o diretor do serviço de polícia, que até o momento não conseguiu agarrar alguns dos suspeitos, concordou. E um terceiro político, o porta-voz do governo distrital de Dharambir Goyat, sugeriu que as pessoas se acalmem porque 90% dos estupros são de certa maneira consensuais - opinião bastante generalizada em algumas partes da Índia rural.
Entretanto, o número de vítimas continua a crescer e os criminosos estão ainda em liberdade. Uma das jovens estupradas suicidou-se ateando fogo ao corpo. O pai de uma outra vítima cometeu suicídio depois de ver um vídeo mostrando a menina ser molestada. Quando a polícia finalmente se mobilizou, foi para dispersar um grupo de manifestantes que se reuniu para protestar contra a inércia do governo. Cinco pessoas do grupo, incluindo três mulheres, foram hospitalizadas.
O "khap panchayat", conselho não eleito formado por anciões tribais que exercem um forte domínio sobre a população nos vilarejos, resolveu se envolver no caso. Para eles, o problema na verdade é o casamento precoce, ou a sua falta; se a idade mínima para contrair matrimônio - atualmente é de 18 anos para as meninas e 21 para os rapazes - diminuísse para 15 ou 16, os jovens solteiros não se sentiriam compelidos a descontar sua frustração sexual nas meninas. Os políticos avalizaram a ideia, o que levou as Nações Unidas a reagir, enviando uma carta às autoridades do governo em que afirma que "o casamento precoce não é a solução para proteger as jovens contra crimes sexuais, incluindo o estupro".
Na carta, foi lembrado também que, como 40% dos casamentos precoces no mundo já ocorrem na Índia, os limites mínimos de idade para os jovens se casarem não são os responsáveis pelo aumento das agressões sexuais.
Um fato real, e não insano, como uma organização feminina local sublinhou, é a proporção desigual de mulheres e homens, resultado da preferência secular por meninos e da moderna tecnologia que, embora tecnicamente ilegal, mas inteiramente à disposição, permite que os pais pratiquem o aborto quando o feto é de uma menina, o que deixou 830 mulheres para cada mil homens no Estado. Por isso Haryana observa altos índices de estupro e violência, típicos de sociedades dominadas por homens.
A carta das Nações Unidas não surtiu nenhum efeito sobre a classe dirigente da Índia. A governadora de Bengali, outro Estado indiano, ao opinar a respeito, alegou que esses crimes com base em gênero ocorrem porque rapazes e moças hoje se misturam muito como nunca se viu antes, afirmando que a Nova Índia é "um mercado aberto com opções em aberto". Ao mesmo tempo criticou duramente a mídia por não se concentrar em temas mais alegres. Por outro lado, os "khap panchayat" ofereceram uma nova teoria: a comida chinesa, especificamente os pratos muito condimentados, como o "chow mein" (massa com carne e legumes) podem provocar um desequilíbrio hormonal e um impulso para atacar mulheres.
Com ideias como essas não é surpresa o fato de a Índia estar entre os países considerados os mais perigosos para as mulheres. Num estudo do G-20, no ano passado ela superou até a Arábia Saudita e a Indonésia como o pior lugar para uma mulher viver.

Fonte  : Instituto Patricia Galvão 

Palmares em Alagoas realizará I Semana de Mostra Científica


Por Daiane Souza
A Fundação Cultural Palmares (FCP) no Estado de Alagoas, realizará a I Semana de Mostra Científicaque terá como tema União dos Palmares, suas memórias no desenho da história. O espaço tem como proposta tornar público trabalhos acadêmicos que tenham como objeto de estudo elementos da história de União dos Palmares e de comunidades remanescentes de quilombos. Os interessados deverão se inscrever até as 23h59 do dia 03 de novembro. Os trabalhos inscritos passarão por seleção e os participantes que tiverem estudos escolhidos terão a oportunidade de apresentá-los por uma hora, a uma mesa composta por três debatedores e um mediador, além da comunidade local de União de Palmares. Após as exposições será aberto debate com plenária. As mesas serão compostas por acadêmicos das universidades Federal de Alagoas (UFAL) e Estadual de Alagoas (UNEAL). As apresentações acontecerãos do dia 6 ao 9 de novembro, sempre as 19h, no campus V da UNEAL. As pessoas que apresentarem seus estudos e as que participarem dos debates receberão certificados da FCP. De acordo com Luana Tavares, da representação da FCP no estado, a idéia surgiu da percepção da equipe em contato com colaboradores da instituição. “Notamos como é grande o número de estudos sobre as comunidades quilombolas de nosso estado e começamos a trabalhar no sentido de torná-los referência”, explica. “As pessoas precisam desses estudos como fontes para outras pesquisas”, completa. Segundo ela, dando visibilidade a esse material será possível ao próprio governo analisar e elaborar estratégias para solucionar problemas nessas comunidades. “Outro propósito do projeto é envolver universidades, as comunidades e o governo conjuntamente”, conclui Luana. 
Serviço:
O quê: I Semana de Mostra Científica – União dos Palmares, suas memórias no desenho da história
Inscrições: Até 23h59 de 03 de novembro    
Apresentações: De 06 a 09 de novembro
Horário: 19h
Local:  Universidade Estadual de Alagoas (UNEAL)
Endereço: Rua Tavares Bastos, n° 206, centro – União dos Palmares – AL

VIII Festival do Instituto Steve Biko




NEGRO : Estética & Cidade

II Seminário Saúde da População Negra em debate

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Cidade Dois Irmãos no RS será comandando por mulher negra


Eleição de Tânia Terezinha da Silva quebra preconceitos


Dois Irmãos será único município


 do RS a  ser comandado por uma


 Mulher Negra 



O município de Dois Irmãos, no Vale do Sinos, 53 anos depois da sua emancipação, entra para a história política do Rio Grande do Sul ao eleger pela primeira vez uma prefeita. 

A administração da cidade ficará com a técnica de enfermagem Tânia Terezinha da Silva, 49 anos, no mínimo, pelos próximos quatro anos (2013 a 2016). Filiada ao PMDB desde 1995, ela recebeu 9.450 votos dos eleitores no dia 7 de outubro.

 O que chama atenção na eleição desta mulher negra e com dreadlocks — forma de se manter os cabelos que se tornou mundialmente famosa com o movimento rastafári —, é que Tânia está em um município onde predominam descendentes de alemães. 

A escolha coloca a futura prefeita ao lado de políticos negros como Alceu Collares — prefeito de Porto Alegre de 1986 a 1989, governador de 1991 a 1995 e deputado federal por cinco mandatos —, e do ex-deputado estadual Carlos Santos (falecido em 1989), que assumiu por duas vezes interinamente o governo gaúcho em 1967.

 Tânia teve uma grande conquista porque, das 35 mulheres eleitas no Rio Grande do Sul, é a única negra, de acordo com levantamento da Federação das Associações de Municípios do RS (Famurs). O Estado tem 497 municípios. Com forte militância na área da saúde e da assistência social, ela conquistou a confiança da comunidade de Dois Irmãos, principalmente na zona rural do município, onde trabalhou nos postos dos bairros São João e Travessão e na emergência que funciona 24 horas.

Além disso, foi eleita três vezes vereadora do município. Em 2008, entrou para a história de Dois Irmãos como a mais votada da cidade, com 2.055 votos. A marca até hoje não foi superada por nenhum candidato. Em 2010, uma nova alegria: foi a primeira mulher a presidir a Câmara Municipal. “Tanto no Legislativo quanto nas unidades de saúde, minha proposta sempre foi resolver o problema das pessoas. Atendia todos e buscava uma solução para o pedido de cada morador da cidade”, comenta.

Para Tânia, é fundamental dar importância ao que as pessoas estão falando e, segundo ela, esse foi o diferencial em 2012. Ela acredita que três paradigmas foram quebrados: o fato de ser a primeira mulher a concorrer à prefeitura, ser negra e divorciada. “A população queria algo novo, forte e diferente. A competência e o trabalho em favor da população de Dois Irmãos transcendeu a cor da pele.”

Tânia recorda que começou a sentir que a vitória estava próxima quando faltavam 15 dias para o pleito. “Os moradores começaram a ligar para o comitê atrás de adesivos e placas para colocar nas suas casas”, lembra.

Na quinta-feira, Tânia reassumiu suas funções no posto de saúde do bairro Travessão. Ela tem dividido seu tempo com os filhos que moram com ela em Dois Irmãos. Pablo e Hohana cursam Biomedicina e Enfermagem, respectivamente, na Feevale. Além disso, trata com o vice-prefeito Jerri Adriani Meneghetti (PP) e assessores detalhes para a posse no dia 1° de janeiro de 2013.



Popularidade de Tânia impressiona



Natural de Novo Hamburgo, Tânia Terezinha da Silva desfruta de uma popularidade impressionante em Dois Irmãos, onde reside desde 1994. Durante um passeio pela Praça do Imigrante, um dos seus locais preferidos no município, onde residem 27 mil habitantes, a futura prefeita agradeceu aos moradores pela votação. “O cabelo é um sucesso, principalmente entre as crianças, que adoram tocar”, conta.

Tanto entre os empresários quanto entre sindicalistas e a população, a expectativa é que a prefeita tenha um olhar igual para todos. O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Dois Irmãos, Ademir Berlis, ressalta que Tânia já provou que sabe trabalhar e dar atenção à população, como já ocorreu na área da saúde. “Tomara que ela leve esse conceito para a administração pública, porque estamos cansados de gestores seguros demais”, observa.

Segundo ele, a futura prefeita é uma pessoa humilde e de olhar diferenciado. Segundo Berlis, o povo de origem alemã é duro e conservador, muitas vezes, mas é hospitaleiro. “Teremos o governo de uma mulher competente, que alia seriedade e trabalho”, destaca Berlis.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Dois Irmãos e Morro Reuter, Pedro Joãozinho Becker, diz que a entidade sempre defendeu uma maior participação da mulher na administração pública. “Demorou mais de cinco décadas para chegarmos a esse momento de uma mulher no comando da cidade. Estamos torcendo para a gestão dela ser um sucesso”, confidencia.

Passeando na Praça do Imigrante, o aposentado Irineu Eich acredita que Tânia Terezinha terá uma atenção especial e mais humana “com pretos, brancos, pobres e ricos”.

Nos dias de folga, a prefeita eleita gosta de se encontrar com amigos para a tradicional roda de chimarrão e um bate-papo. Igualmente não despreza uma boa música. É fã de Gilberto Gil, Alcione, Maria Bethânia e Gal Costa.

 

‘Respeita e sabe ouvir’



Na Praça do Imigrante, em Dois Irmãos, um aposentado com um forte sotaque alemão observava com atenção os cumprimentos dos eleitores à futura prefeita e fez o seguinte comentário: “O povo alemão é duro, exigente, mas sabe reconhecer uma Schwarze Frau (mulher negra) que respeita as pessoas e sabe ouvir, o que é o caso da prefeita Tânia Terezinha”.


Fonte , texto e foto : http://www.correiodopovo.com.br/Noticias/?Noticia=472500

20 de novembro Caminhada da Liberdade

Lançamento do Documentário Maria Conga Orgulho de Ser Quilombola

Conferência Internacional sobre Crime Ambiental

Começou ontem (29) e termina hojé (30), em Roma, na Itália, a Conferência Internacional sobre Crime Ambiental. O evento  é organizado pelo Instituto Inter-regional das Nações Unidas para Pesquisas sobre Delinquência e Justiça (UNICRI) em cooperação com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e o Ministério Italiano do Meio Ambiente.
A conferência, contará com a presença dos especialistas mais proeminentes no campo ambiental, vai procurar soluções para os problemas-chave do setor, incluindo a conexão entre o crime organizado e crime ambiental, além do tráfico ilegal de lixo eletrônico. O evento também abordará questões legais que impedem o julgamento dos responsáveis por parte dessas ações.

Fonte : ONU Brasil 

Seminário Internacional sobre Educação nas relações étnico-raciais


Iniciou ontem (29) de outubro, vai até dia  1º de novembro, o Seminário Internacional sobre Educação nas relações étnico-raciais , onde especialistas discutem políticas públicas com enfoque na formação de professores e desenvolvimento curricular.

Apresentar as iniciativas bem-sucedidas no Brasil, na área de educação para as relações étnico-raciais, bem como os respectivos indicadores sociais, e ampliar as discussões sobre as políticas públicas voltadas para este campo, com enfoque na formação de professores e de desenvolvimento curricular, são alguns dos principais objetivos do seminário internacional do projeto “Teaching Respect For All”, que a SEPPIR – Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial e a UNESCO realizam, de 29 de outubro a 1º de novembro, na Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio (CNTC), em Brasília. 
O evento será aberto ao público no primeiro dia.  
 
O seminário, que é realizado em parceria com os ministérios das Relações Exteriores e da Educação, e Fundação Cultural Palmares, visa contribuir para o trabalho que está sendo desenvolvido por um grupo consultivo composto por especialistas dos Estados Unidos, Reino Unido, Bélgica, República da Coréia, Uganda, Cisjordânia, África do Sul, Rússia, Suíça e Brasil. Serão apresentados os marcos legais da questão étnico-racial no Brasil e as experiências sobre elaboração de materiais pedagógicos sobre história e cultura africana e afro-brasileira para professores envolvidos com a educação básica.

As apresentações serão centradas em temas voltados à educação e à formação para o trato com a diversidade cultural e étnico-racial, à medida em que se tornam obrigatórios no Brasil o ensino da História e da Cultura Afro-brasileira e Indígena, estabelecendo que as escolas, professoras (es) e demais profissionais envolvidos na educação de estudantes e os recursos pedagógicos utilizados sejam revistos e problematizados em função do redimensionamento e da reorientação dos estudos sobre a formação da sociedade brasileira.
 
Entre os marcos legais referentes ao tema, destacam-se as diretrizes curriculares nacionais para a educação das relações étnico-raciais e para o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana, Leis nº 10.639/2003 e Nº 11.645/2008, assim como o Plano Nacional de Implementação destas diretrizes, publicado pelo Ministério da Educação.

O projeto UNESCO-EUA-Brasil “Teaching Respect for All” tem por objetivo desenhar uma estrutura curricular que promova a tolerância, que os países possam adaptar para os seus contextos e necessidades. 

Serviço
SEMINÁRIO INTERNACIONAL DO PROJETO “TEACHING RESPECT FOR ALL”
Quando: 29 de outubro a 1º de novembro de 2012.
Onde: Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio (CNTC).
Endereço: SGAS – 902, Bloco C, CET – Centro de Eventos e Treinamentos Brasília (DF).
Acesso: O evento será aberto ao público apenas no primeiro dia.

 


I CONSUDI

Mais da metade dos inscritos para o Enem 2012 são negros


Os números do Inep também revelam que a maioria dos participantes do Enem 2012, que tem recorde de inscrições e participações confirmadas, é composta por mulheres

Dos mais de 5,7 milhões de participantes da edição deste ano do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), 2,4 milhões se declararam pardos; 694 mil, pretos e 35 mil, indígenas. Os dados fazem parte de balanço divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão do Ministério da Educação (MEC) responsável pelo exame.
A distribuição por raças é um dos recortes previstos na Lei de Cotas, publicada há duas semanas. Os novos critérios terão de ser incluídos nas regras de seleção para universidades públicas por meio do Enem.
A nova lei obriga instituições federais de ensino superior a destinar progressivamente uma parte das vagas para estudantes que frequentaram todo o ensino médio em escolas públicas. O objetivo do governo é atingir o índice de 50% das vagas em quatro anos. Um dos fatores a serem considerados é a raça declarada pelo candidato.
As provas do Enem serão realizadas em 1,6 mil municípios de todo o país no próximo fim de semana (3 e 4 de novembro).
Os números do Inep também revelam que a maioria dos participantes do Enem 2012, que tem recorde de inscrições e participações confirmadas, é composta por mulheres. As brasileiras respondem por 59% das inscrições, com 3,4 milhões, enquanto os homens somam 2,3 milhões (41%).
O estado de São Paulo tem o maior número de inscritos, com 932,4 mil, seguido de Minas Gerais (653.074), da Bahia (421.731) e do Rio de Janeiro (408.902).
Do total de inscritos, 4 milhões foram isentos da taxa de R$ 35 por serem alunos de escolas públicas ou pertencerem a famílias de baixa renda.

Fonte : EBC

Acidente vascular cerebral é a doença que mais mata no Brasil



Por Mônica Aguiar 
O acidente vascular cerebral (AVC) é uma a doença que mais mata no Brasil. 
Segundo o Ministério da Saúde, o número de mortes pelo AVC chega a quase 100 mil pessoas. Em 2000 foram 84.713 óbitos, passando para 99.726 em 2010.
No dia 29 de outubro,   Dia Mundial do Acidente Vascular Cerebral (AVC) é muito  importante ressaltar os cuidados que devem ser adotados para a prevenção da doença: controle da pressão arterial, da taxa de glicose no sangue e do colesterol. 
Para além da orientação  é necessário conscientizar da importância de mudanças de hábitos :-  uma dieta balanceada, fazendo exercícios físicos, não fumar e evitar ingerir  bebidas alcoólicas. 
A neurologista da Academia Brasileira de Neurologia, Gisele Sampaio, disse a que se medidas saudáveis forem adotadas as chances de se ter um AVC ou qualquer outra doença relacionada aos fatores de risco como hipertensão, diabetes, colesterol alto e tabagismo são mínimas. 
Para diminuir a mortalidade e ampliar a assistência das vítimas do AVC, o Ministério da Saúde investirá até 2014 R$ 437 milhões no Sistema Único de Saúde (SUS). Desse total, R$ 370 milhões vão financiar leitos hospitalares. Também serão investidos recursos na incorporação e oferta do medicamento usados no tratamento. No Brasil, mais de 200 hospitais estão preparados para atender pacientes com AVC.

Definição  
O Acidente Vascular Cerebral - AVC é a perda súbita das funções cerebrais resultante de uma interrupção do suprimento sanguíneo para uma determinada parte do encefálo, que pode causar uma disfunção neurológica. A diminuição do fluxo sanguíneo para o cérebro, pode ter duas causas: a obstrução de uma artéria cerebral ou a insuficiência da circulação no cérebro, que é chamada de insuficiência vascular cerebral. O AVC hemorrágico é considerado mais grave que o AVC isquêmico, que é o mais comum.  Atualmente, o termo AVC, está sendo substituido por AVE (Acidente Vascular Encefálico).

O AVC é a quinta causa mais frequente de morte nos países em desenvolvimento, sendo superado apenas pelos acidentes, doenças coronarianas, câncer e doenças infectoparasitárias. Não é tão letal, quanto a doença coronariana, mas o AVC é seguramente, a mais devastadora das complicações da aterosclerose, pois pode tirar de sua vítima, a possibilidade de independência e de comunicação. Ao menor sinal de derrame, deve-se procurar imediatamente assistência médica. Quanto mais demora o atendimento, maior será a lesão, suas complicações e seqüelas.
Sinonímia
A doença também é conhecida pelos seguintes nomes:
  • Apoplexia cerebral.
  • Derrame (nome popular).
  • AVE - Acidente Vascular Encefálico.
  • Doença cerebrovascular.
Incidência
  • No Brasil, é a principal causa de morte entre as doenças cardiovasculares.
  • O AVC ocupa o 2º lugar em mortes no mundo.
  • Cerca de 20 milhões de pessoas, anualmente são atingidas pelo AVC, em todo o mundo.
  • O AVC,  é responsável por 10% dos óbitos em todo mundo, segundo dados publicados pela OMS.
  • No Brasil, mais de 250.000 pessoas sofrem pelo menos um derrame, dessas mais de 80.000 morrem. De cada dez sobreviventes, quatro carregarão para o resto da vida as seqüelas deixadas pelo derrame:  paralisia de  braços e pernas, perda da fala e da visão e até mudanças radicais da personalidade.
  • De cada cinco pessoas que sofreram um AVC, uma  sofrerá no período de 5 anos um novo AVC, com consequências mais  graves. 
  • Cerca de 80% dos pacientes que apresentam o AVC, sofrem a forma isquêmica.
  • O AVCH, tem uma ocorrência maior em pacientes jovens.
  • O AVC tem uma incidência maior com o avançar da idade.
  • O AVC é duas vezes maior na raça negra, dado este que se relaciona bem com o predomínio de hipertensão arterial em indivíduos da raça negra.
  • Os AVCs são a maior causa de deficiência motora adquirida em adultos.
  • O aumento do AVC em países desenvolvidos, tem como resultado o aumento da expectativa de vida do paciente isto é, quanto mais a população envelhece, mais predisposição ela tem para as doenças e distúrbios associados com o envelhecimento.

Fonte : EBC 


sábado, 27 de outubro de 2012

Memórias Afrobrasileiras, História e Educação




Museu da Abolição promove a Semana da Consciência Negra
Exposição Semana da Consciência Negra: Memórias Afro-brasileiras, História e Educação
A mostra é fruto de uma parceria do museu com o Instituto Brasileiro de Museus, o Ministério da Cultura, o Governo Federal, a Universidade Católica de Pernambuco, o Comitê Estadual de Promoção a Igualdade Etnicorracial de Pernambuco e da Fundação de Ensino Superior de Olinda (Funeso).


II Simpósio Afrocultura, literatura e Educação : Minorias, margens, mobilidades

I Encontro das Culturas Negras






Entre os dias 08 e 12 de novembro, na capital ibero-americana dos afrodescendentes, Salvador, acontece o I Encontro das Culturas Negras. O evento pretende dar início à “Década Afro Descendente”, tornando-se um grande encontro anual das culturas negras existentes no Brasil, nas Américas e no mundo, reunindo criadores, artistas, intelectuais, profissionais da cultura,
 gestores culturais, pesquisadores, parlamentares, lideranças e representações do movimento cultural negro.
A programação compreende mesas temáticas, bem como programação cultural ao longo do período. Suas atividades se integram também às celebrações do Novembro Negro, iniciativa do Governo do Estado da Bahia, que reúne uma série de ações em prol da memória e consciência negra.
Além das mesas temáticas, debates e discussões, integram também a programação do I Encontro das Culturas Negras, promovido pelo Governo do Estado, através da Secretaria de Cultura (Secult/BA), manifestações artístico-culturais, a serem realizadas ao final de cada dia de atividade. Artistas e grupos, nacionais e internacionais, que desenvolvem trabalhos ligados à diversidade cultural do povo negro se apresentarão no Forte da Capoeira (Santo Antonio Além do Carmo) no dia 08 de novembro, nos dias 9 e 10 de novembro, simultaneamente, nas praças Pedro Arcanjo, Tereza Batista e Quincas Berro D’Água, localizadas no Pelourinho, e no dia 12 de novembro no Teatro D. Canô.
Os participantes do evento poderão apreciar apresentações como Ilê Aiyê, Olodum, Cortejo Afro, Orquestra de Berimbaus, Samba de Roda – D. Nicinha, Orquestra de Berimbaus, entre outros. Exposições paralelas no Museu Afro-brasileiro, no Galeria Solar ferrão e no Museu Nacional da Cultura Afro-brasileira também estão programadas.
O encontro é uma das ações em prol da memória e da consciência negra, implementadas pelo programa Novembro Negro e tem como objetivo conferir maior visibilidade à pluralidade e a diversidade das culturas negras, incrementar o intercâmbio cultural, a cooperação nacional, regional e internacional sobre o tema, bem como contribuir para a formulação de políticas públicas voltadas para esta cultura identitária.



Fonte : Esp. João Cândido




Inscrição Bolsa Atleta estará aberta até 17 de novembro


Bolsa-Atleta oferece até R$ 3.100 mensais para esportistas de categorias olímpicas e paralímpicas

O Ministério do Esporte abriu, na última sexta-feira (19/10), as inscrições para o Programa Bolsa-Atleta, voltado para as modalidades que compõem o programa dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos. Podem se inscrever homens e mulheres que sejam esportistas e estejam em plena atividade. As bolsas vão de R$ 370 a R$ 3.100. Para o exercício de 2012, a Bolsa-Atleta tem cinco categorias: olímpica/paralímpica (R$ 3.100); internacional (R$ 1.850); nacional (R$ 925); estudantil (R$ 370) e de base (R$ 370). O programa tem duração de um ano e os valores são concedidos mensalmente. O programa visa investir prioritariamente nos esportes olímpicos e paralímpicos para formar, manter e renovar periodicamente gerações de atletas com potencial para representar o Brasil nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos. Para se candidatar a uma das bolsas, é preciso preencher alguns pré-requisitos para cada categoria. Clique aqui para conhecê-los. As inscrições devem ser feitas pelo portal do Ministério do Esporte até o dia 17 de novembro. 

Participação feminina –  As atletas representaram 41% dos contemplados com a bolsa em 2011, totalizando 1.744 mulheres num universo de 4.243 esportistas beneficiados. Em relação à edição de 2010, quando a participação feminina foi de 38%, houve um aumento de 3%. O número se mostra mais positivo quando comparado ao exercício de 2005, quando foi criado o programa: as esportistas foram 35% do total dos contemplados. “O Ministério do Esporte, que tem se preocupado com a equidade de gênero em seus programas, tem por meta atender 100% das e dos atletas nas modalidades dos programas olímpico e paralímpico e dos programas pan e parapan-americanos”, afirma a coordenadora-geral de Esporte e Lazer da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM-PR), Beatriz Helena Matté Gregor. A Coordenação-Geral de Esporte e Lazer da SPM quer estimular a ampliação do número de mulheres contempladas pelo Programa Bolsa-Atleta. Por isso, considera fundamental assegurar outros investimentos públicos para aumentar a participação das mulheres no esporte e lazer, incluindo, entre outras ações, o apoio às atletas e organizações desportivas, fortalecendo a valorização e profissionalização das mulheres. “Durante muito tempo no Brasil, as mulheres foram proibidas de praticar determinados esportes, pois não eram considerados adequados à ‘natureza feminina’ e, portanto, agora é preciso recuperar o atraso sofrido com relação aos homens no desenvolvimento esportivo e na ocupação de espaços relacionados ao esporte”, observa Beatriz Gregory.

Brasil Medalhas – Em setembro, a presidenta Dilma Rousseff  lançou o Plano Brasil Medalhas 2016, que prevê colocar o Brasil entre os 10 primeiros países nos Jogos Olímpicos e entre os cinco primeiros nos Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro, em 2016. A vertente “apoio ao atleta” institui o Programa Pódio, que inclui a Bolsa-Pódio e cria a Bolsa-Técnico, que pagarão, respectivamente, até R$ 15 mil e até R$ 10 mil mensais. Os beneficiados do Pódio serão atletas de modalidades individuais que, entre outros critérios, estejam situados entre os 20 melhores do ranking mundial, além de seus treinadores e equipe multidisciplinar (preparador físico, nutricionista, atleta-guia). Quando abertos, os editais para obter a Bolsa-Pódio e a Bolsa-Técnico serão amplamente divulgados.

 
 
 

Fonte e texto: Comunicação Social – SPM

SPM representa o Brasil na 36ª Assembleia de Delegadas da Comissão Interamericana de Mulheres


Na Costa Rica, encontro reúne autoridades governamentais para avaliação das políticas gênero na América Latina e Caribe


Violência contra as mulheres, segurança cidadã, poder, participação política e  retorno social do investimento na infraestrutura de atendimento às mulheres. Esses são os assuntos que estarão em destaque na 36ª Assembleia de Delegadas da Comissão Interamericana de Mulheres, que acontecerá nos dias 29 e 30 de outubro,  na Costa Rica
O Brasil estará representado pela secretária-executiva da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM-PR), Lourdes Bandeira, e pela secretária nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, da SPM, Aparecida Gonçalves.
O encontro será aberto pela presidenta da Costa Rica, Laura Chinchilla Miranda, pela ministra da Condição da Mulher do Instituto Nacional de Mulheres da Costa Rica, Maureen Clarke Clarke, pela presidenta da Comissão Interamericana de Mulheres, Rocío García Gaytán, e pelo secretário-geral adjunto da Organização dos Estados Americanos (OEA), Albert Ramdin. O ato de abertura terá exibição de mensagem da diretora-executiva da ONU Mulheres, Michelle Bachelet.
São aguardadas as delegações de mais 16 países da América Latina e Caribe: Argentina,  Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua,  Paraguai, Peru, República Dominicana, Uruguai e Venezuela.
A assembleia ocorre a cada dois anos e tem como objetivo reunir as principais autoridades governamentais responsáveis pelas questões de gênero. A cada encontro os Estados-membros da Organização dos Estados Americanos (OEA) têm como atividade principal a formulação de relatórios sobre os progressos na implementação do Programa para a Promoção dos Direitos Humanos da Mulher, Equidade e da Igualdade de Gênero. 

Fonte  e texto : SPM
 

Advogada brasileira é reeleita para o Subcomitê de Prevenção Contra a Tortura das Nações Unidas




A advogada brasileira Maria Margarida Pressburger, que atua na área de defesa dos direitos humanos no país, foi reeleita para o Subcomitê de Prevenção da Tortura (SPT) das Nações Unidas. Presidenta da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Rio de Janeiro (OAB-RJ), ela também é conselheira da Comissão de Reparação Política do estado. A reeleição de Maria Margarida foi elogiada pelo governo do Brasil.
Em nota, o Ministério das Relações Exteriores, Itamaraty, e a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH) destacaram a atuação de Maria Margarida na defesa e preservação dos direitos humanos no Brasil.
“As credenciais da atuação de Margarida Pressburger em diversas iniciativas de direitos humanos, seu engajamento na campanha pelo Direito à Memória e à Verdade, bem como seu recente mandato no Subcomitê de Prevenção à Tortura, respaldam sua importante missão na prevenção da tortura e de tratamentos cruéis e desumanos nos ambientes de privação de liberdade”, diz a SDH.
O Itamaraty reiterou os elogios à reeleição da advogada para o Subcomitê de Prevenção da Tortura (SPT) das Nações Unidas. “O governo brasileiro recebeu com satisfação a reeleição, no dia 25 de outubro, em Genebra, da Sra. Maria Margarida Pressburger ao Subcomitê de Prevenção da Tortura (SPT) das Nações Unidas, para o mandato 2013-2016”, diz o comunicado.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores, Maria Margarida é “ativista histórico do movimento pela proteção dos direitos humanos”. De acordo com a nota, a advogada participou de “diversas iniciativas em defesa das mulheres, crianças e adolescentes no Brasil”.
O SPT das Nações Unidas foi criado em 2007 com a entrada em vigor do Protocolo Facultativo à Convenção das Nações Unidas contra a Tortura (Opcat), ratificado pelo Brasil em 12 de janeiro de 2007. O subcomitê atua na prevenção da tortura e de todas as formas de tratamento cruéis, desumanas ou degradantes.
Fonte e texto  : Agência Brasil

9 de novembro - Dia Nacional de Luta em favor do povo GUARANI-KAIOWÁ em todo Brasil

RELEMBRANDO: "Durban não terminou"

 Por Sueli Carneiro

O que Durban reessalta e advoga é a necessidade de uma intervenção decisiva nas condições de vida das populações historicamente discriminadas. A opinião é de Sueli Carneiro, uma das delegadas brasileiras na conferência anti-racismo realizada na África do Sul





Poderíamos sem exagero falar na "batalha de Durban". Nela aflorou em toda a sua extensão o problema étnico/racial no plano internacional, levando à quase impossibilidade de alcançar consenso mínimo entre as nações para enfrentá-lo. O que pareceria retórica de ativista anti-racista se manifestou em Durban como de fato é: as questões étnicas, raciais, culturais e religiosas, e todos os problemas nos quais elas se desdobram (racismo, discriminação racial, xenofobia, exclusão e marginalização social de grandes contingentes humanos considerados "diferentes") têm a potencialidade de polarizar o mundo contemporâneo. De opor Norte e Sul, Ocidente e não-Ocidente, brancos e não-brancos além de serem responsáveis, em grande medida, pelas contradições internas da maioria dos países. Essa carga explosiva esteve presente até os últimos momentos da conferência sobre racismo, ameaçando a aprovação de seu documento final e a permanência nela de diversos países.

O que se viu em Durban foi, em primeiro lugar, mais uma demonstração de unilateralismo dos EUA ao abandonar a conferência em apoio ao Estado de Israel, acusado pelo Fórum de ONGs e por representantes de delegações oficiais de práticas racistas e colonialistas sobre o povo palestino e, em segundo lugar, uma clara disposição dos países ocidentais, em seu conjunto, de fazer naufragar a conferência caso ela caminhasse para a condenação do colonialismo e suas conseqüências

Dentre as questões mais polêmicas destacam-se a exigência de africanos e afrodescendentes da diáspora africana, de reconhecimento do tráfico transatlântico como crime de lesa-humanidade e de reparações pelos séculos de escravidão e exploração colonial do continente africano. Esses temas mantiveram o Canadá e a União Européia em permanente ameaça de também abandonar a conferência, e foram usados pelos EUA, durante todo o processo preparatório da mesma (as três reuniões do Comitê Preparatório ocorridas em Genebra) para justificar a sua não ida a Durban, ou a sua participação na conferência com uma delegação de segundo escalão, o que acabou ocorrendo.

Questões de natureza jurídica e de princípios estão subjacentes na intransigência dos países ocidentais em admitir a escravidão africana como crime de lesa-humanidade porque tal reconhecimento ofereceria suporte para processos internacionais por reparações da parte dos países africanos e dos afrodescendentes contra os países que se beneficiaram direta ou indiretamente do tráfico negreiro, da exploração da escravidão e das riquezas do continente africano.

Outra dimensão desse problema constituiu um permanente não-dito, mas subentendido, posicionamento dos países ocidentais. Para além do objetivo de impedir a aprovação de qualquer proposta que abrisse brechas para reparações, lutavam também para impedir a condenação do passado colonial, sobretudo porque significaria o questionamento e a crítica aos fundamentos que justificaram o colonialismo e a expansão econômica do Ocidente: sua suposta superioridade racial e cultural e a convicção de sua missão civilizatória em relação aos povos considerados inferiores, ou seja, acordar os povos dormentes da África para a civilização e destinar os bens ociosos no continente africano para o progresso de toda a humanidade, o que relativizaria os "eventuais males ou excessos" do colonialismo, que é o máximo que as delegações ocidentais se dispuseram a aceitar, como desculpas, por esse passado dantesco.

Nesse contexto, a aprovação da Declaração e do Plano de Ação da conferência, num clima de alta dramaticidade, foi, em si mesma, uma das grandes vitórias dada a intensidade dos conflitos e das disputas ali presentes.

Para os afrodescendentes das Américas e os afrobrasileiros em particular há, entretanto, muito que comemorar pelo que Durban ratificou das conquistas da Conferência Regional das Américas, incorporando vários parágrafos acordados pelos Estados Americanos em Santiago do Chile. O termo afrodescendente torna-se linguagem consagrada nas Nações Unidas e designa um grupo específico de vítimas de racismo e discriminação; pelo reconhecimento da urgência de implementação de políticas públicas para a eliminação das desvantagens sociais, recomendando aos Estados e aos organismos internacionais, entre outras medidas, que "elaborem programas destinados aos afrodescendentes e destinem recursos adicionais a sistemas de saúde, educação, habitação, eletricidade, água potável e medidas de controle do meio ambiente, e que promovam a igualdade de oportunidades no emprego bem como outras iniciativas de ação afirmativa ou positiva".

O protagonismo dos afrodescendentes das Américas para se verem reconhecidos pela Conferência de Durban se consubstancia, também, no parágrafo 42 da Declaração, aprovado com a seguinte redação: "Consideramos essencial que todos os países da região das Américas e todas as demais zonas da diáspora africana reconheçam a existência de sua população de origem africana e as contribuições culturais, econômicas, políticas e científicas dadas por essa população, e que admitam a persistência do racismo, a discriminação racial, a xenofobia e as formas conexas de intolerância que a afetam de maneira específica, e reconheçam que, em muitos países, a desigualdade histórica no que diz respeito, entre outras coisas, ao acesso à educação, a atenção à saúde, à habitação tem sido uma causa profunda das disparidades socioeconômicas que as afetam."

O Plano de Ação, por sua vez, apresenta vários parágrafos que instam os Estados à adoção de políticas públicas nas diversas áreas sociais voltadas para a promoção social dos afrodescendentes. E o seu artigo 114, tendo por base as metas internacionais de desenvolvimento acordadas nas Conferencias da ONU da década de 90, estabelece um marco temporal até 2015 para que aquelas metas sejam alcançadas "como fim de superar de forma significativa a defasagem existente nas condições de vida com que se defrontam as vítimas do racismo, a discriminação racial, a xenofobia e as formas conexas de intolerância, em particular no que diz respeito a taxas de analfabetismo, de educação primária universal, a mortalidade infantil, a mortalidade de crianças menores de 5 anos, a saúde, a atenção à saúde reprodutiva para todos e o acesso à água potável; a aprovação dessas políticas também levará em conta a promoção da igualdade de gênero".

Portanto a Conferência de Racismo insta os Estados a adotarem a eliminação da desigualdade racial nas metas a serem alcançadas por suas políticas universalistas. No Brasil isso equivale, por exemplo, a torná-las capazes de alterar o padrão de desigualdade nos índices educacionais de negros e brancos que, segundo os dados produzidos pelo Ipea, manteve-se inalterado por quase todo o século 20, apesar da democratização do acesso à educação; significa redesenhar as políticas na área de saúde de forma a permitir a equalização da expectativa de vida de brancos e negros que é em média de 5 anos a menos para os negros; promover o acesso racialmente democrático ao mercado de trabalhos às diferentes ocupações e à eqüidade nos rendimentos, à terra e à moradia, ao desenvolvimento cultural e tecnológico.

Assim posto, a agenda que Durban impõe vai muito além do debate a respeito das cotas que têm monopolizado e polarizado o debate sobre a questão racial. O debate sobre as cotas no Brasil, embora seja um dos impactos positivos da Conferência de Racismo por pautar o tema racial na sociedade, é reducionista e obscurece a amplitude e diversidade dos temas a serem enfrentados para o combate ao racismo e à discriminação racial no Brasil. O que Durban ressalta e advoga é a necessidade de uma intervenção decisiva nas condições de vida das populações historicamente discriminadas. É o desafio de eliminação do gap histórico que essas populações carregam, problemas para os quais a mera adoção de cotas para o ensino universitário são insuficientes. Precisa-se delas e de muito mais.


Fonte: Revista Fórum/ Geledés