quarta-feira, 20 de outubro de 2010


TERRA NEGRA
Neuza Pereira
África-mulher, princípio-ninho.
Mátria-África, matriz transformadora.
Telúricas poeiras e montanhas se fundem.
Criadoras e Criaturas se confundem.
Terra, planeta de seios fartos, que  a  todos alimenta.
Terra, trilha chã, que produz, trilha fêmea, sã que conduz.
Terra-chão, terreiro, segurança e firmeza...
meu caminhar primeiro.
Terra ora, cultura gera, ora cultiva hera.
Mulher, terra, existência que se perpetua.
Tás, oyás euás, negras terras, mulheres negras...
Resistência que se cultua!

   

terça-feira, 19 de outubro de 2010

 MULHER NEGRA
Conquistas e Desafios
A  mulher está cada vez mais conquistando seu espaço no ambiente profissional e participando das mudanças ocorridas nas instâncias de Poderes.  Aos poucos as habilidades e características femininas começam a ser  valorizadas pela sociedade, deixando a mulher, de ser uma mera coadjuvante em determinados segmentos sociais e profissionais, possibilitando cada vez mais o seu acesso às posições estratégicas.
Em relação ao trabalho, tais mudanças são ainda mais visíveis devido o processo de reestruturação produtiva e  o crescente número de mulheres no mercado de trabalho. A mão-de-obra feminina tem sido cada vez mais aceita e solicitada. O Crescimento da participação feminina no mercado de trabalho foi intenso, diversificado desde os anos setenta, não retrocedeu. Em 1970, por exemplo,  18,2  das brasileiras eram economicamente ativa. Vinte anos depois subiu para 39,2% e o número  de trabalhadoras atingem a safra de mais de 22,9 milhões.
 Contudo, o  contingente feminino ainda tem sido sujeito de algumas limitações, tem sofrido dificuldades quanto ao seu acesso a cargos que exigem maior qualificação ou que oferecem maiores possibilidades de ascensão na carreira, especialmente no que se refere à dinâmica de conciliação das demandas familiar e profissional. Mas ao longo das últimas décadas do século XX, as conquistas  sociais femininas e no mercado de trabalho foram muitas.  As mulheres têm hoje maior participação  , não só no mercado de trabalho, como também nas esferas política e econômica,  mesmo com a existência ainda de diferenças em percentual, vistas  em algumas categorias. 
As  mulheres já  estão mais à vontade à  escolher de forma mais livre com quem e como querem estabelecer suas relações conjugais.  Na realidade, existe uma ocupação de diferentes funções na sociedade moderna, mas estas e as  conquistas sociais têm sido alcançadas e assimiladas de forma diferente pelas mulheres. O alcance e assimilação das conquistas sociais femininas variam de acordo com a classe social, o grau de escolaridade e principalmente seu grupo etnico/racial . Mas há possibilidade real para superar as desigualdades socioraciais entre homens e mulheres que ainda existem e persistem na sociedade atual, tanto na família como nas mais diferentes esferas .
A mulher vem enfrentando melhor os problemas na e da  sociedade atual. E aos poucos vem desconstruindo as dificuldades encontradas na dupla ate´ tripla jornada ,  participando para construção de uma sociedade mais justa, de um mundo melhor e mais equilibrado, no qual desenha um novo papel .
Mas é importante avaliar  os dados que ainda alarmam nossas vidas:
·         70% dos mais pobres no mundo são mulheres e mais de 50% são mulheres negras ;
·         A mulher recebe 14,3% a menos que o homem, numa hora de trabalho, e as mulheres negras chegam ganhar até 50% menos .
·         a maioria no setor informal e a maioria dos desempregados são mulheres;
·         Em  São Paulo faltam 300 mil vagas em creches.
·         a cada quatro minutos acontece um caso de agressão física contra a mulher;
·          o racismo vitima cotidianamente a mulher negra que representa a base da pirâmide social.  
É preciso, pois entretecer os fios da história desse período , resgatar o caráter histórico do dia 08 de março, como um dia de luta feminina pela transformação do papel socialmente imposto às mulheres,daí sim  avançaremos ainda mais.
È uma tarefa fundamental.  Apresentar nosso perfil político nas agendas para além de mobilização. Garantindo novamente a intervenção e interlocução  política nos  espaços de organizações sociais,  que inclusive foram construídos por nos  e muitos nem apontam nossas bandeiras e plataformas .
Outro desafio são os elos  perdidos dos fatos em torno do dia 08 de março, é preciso buscar o aprofudamento históricos , resgatar a importante participação das mulheres negras.  
Não nos perdemos de vista .   A luta,  é  nossa luta .   Nossa bandeira.
As nossas conquistas devem ser o combustível para mantermos ainda mais UNIDAS . SEMPRE !


Enquanto o homem e a mulher não se reconhecerem como semelhantes, enquanto não se respeitarem como pessoas em que, do ponto de vista social, político e econômico, não há a menor diferença, os seres humanos estarăo condenados a năo verem o que tęm de melhor: a sua liberdade.” Simone de Beauvoi .

No Brasil produziu-se a forma mais perversa de racismo que existe no mundo, mesmo sendo composta pela maior população negra do mundo  fora da Àfrica.
A assertiva dita e repetida muitas vezes por lideranças do movimento negro chega a ser chocante para a sociedade brasileira, que desde o final do século passado acostumou-se a representasse através da imagem de um paraíso racial, criado por elites brancas e laboriosamente inscritas e arraigadas no imaginário social, inclusive com a colaboração de eminentes cientistas sociais, o mito da democracia racial que se supõe existir no Brasil foi, provavelmente, um dos mais poderosos mecanismos de dominação ideológica já produzidos no mundo.
Apesar de toda crítica que o Movimento vem fazendo ao longo de décadas, o Racismo  até então permanece bastante atual. Irraigado com várias formas que fazem com que as pessoas o pratiquem inconscientemente.
Reforçando  inclusive, a negação da nossa cultura ancestral, criando intolerância com as religiões de matrizes africanas. 
Por meio do racismo ainda ressalta-se o caráter miscigenador da sociedade brasileira: um povo mestiço, misturado, tolerante, aberto aos contatos inter-raciais.
Esta aparente arrumação na sociedade brasileira como sendo o “paraíso racial” não significa que não tenha havido resistência por parte da população negra de forma organizada,  ao modelo de dominação.  A formação dos quilombos e a participação dos negros em todas as insurreições ocorridas no país no século XIX, demonstram essa resistência.
Entretanto, o Estado constituído sempre mostrou competência para sufocar as resistências de caráter mais coletivo e com abrangência maior que pudesse ser ameaça ao poder estabelecido.
Destituídos os focos de resistência dos africanos o processo de aculturação a que são submetidos os seus descendentes efetua-se no sentido de garantir a cultura euro-ocidental, na qual a população negra é forçada a integrar.-se. A crença nos “mitos” faz com que tenhamos uma leitura de naturalização de fenômenos que foram construídos histórico e socialmente.
Mas o movimento negro brasileiro tem como  missão: -  desvendar os olhos da sociedade e tirá-la do torpor – a fim de que ela possa enxergar e se dar conta de suas próprias mazelas – há muito vem chamando atenção para as desigualdades sociais, e mais: que desigualdade possui “cor”, ela é parda, ela é negra.
Vêm chamando atenção sobre a intolerância , a discriminação e o preconceito.
Vem  chamando a atenção da importância de viver em um Estado laico onde todas as crenças e cultos sejam respeitados, com os mesmos direitos de se manifestarem sem prejuízos materiais e morais.
E que oportunidades não podem e nem devem servir para uns em detrimentos de outros.
Para nós a oralidade sempre foi o instrumento da sobrevivência da nossa cultura. Pois foi negada a nossa história nos livros e nos bancos as escolas. 
Portanto, cabe ao Estado, o mesmo Estado que teve e que tem um papel importante na reprodução de relações sociais estruturadas racialmente, o desafio de transformar-se em instrumento de ação política anti-racista.
E um dos caminhos, decerto, será as REPARAÇOES através das implementações de políticas de ação afirmativa e pública que visem a valorização efetiva da população negra.
monicaggkjhkjn,mn